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A busca pela melhoria contínua da qualidade dos serviços ofertados na Atenção Primária de Jundiaí perpassa por muitas variáveis como na maioria dos municípios, são inúmeros os desafios. Nessa busca percebemos a necessidade de uma rotina de monitoramento e avaliação dos resultados tanto por parte dos gestores locais como por parte dos gestores do nível central. Foi percebido que alguns gerentes não tinham o hábito de acompanhar, por exemplo, os dados sobre perdas primária e secundária da sua unidade, quantidade de usuários em fila de espera para especialidades, acompanhamento dos dados do e-Gestor e toda complexidade que está por trás de cada um desses dados. A rotina pouco programável dos gerentes e a amplitude das ações, por muitas vezes, acabava impossibilitando um olhar mais criterioso para esses dados básicos que resulta no bom andamento de um serviço com foco na qualidade, resolutividade e acesso em tempo oportuno. Por que ações de monitoramento e avaliação não são realizadas sistematicamente se todos sabemos o quanto são importantes e impactam no resultado final? Como criar uma cultura na gestão em saúde de monitoramento e avaliação? Perguntas que nos intrigam enquanto gestores centrais nos levaram a criar os indicadores gerenciais, compilando em um único instrumento os principais indicadores de gestão local para auxiliar e nortear o monitoramento da gestão em relação às ações realizadas na APS, estratificar as fragilidades e auxiliar os gestores na tomada de decisão.
Gerar mudanças na prática dos atores ligados à gestão local e central da Atenção Primária em Saúde de Jundiaí, sistematizando o monitoramento, avaliação e desenvolvimento de habilidades em busca de melhoria da qualidade dos serviços ofertados na APS garantindo ao usuário acesso qualificado e oportuno. Instrumentalizar os gestores locais e centrais de modo a estimular o pensamento relacionado ao planejamento estratégico baseado na realidade local de cada território. Capacitar os gestores locais para uso dos sistemas e ferramentas existentes.
Foram criados pela gestão central 14 indicadores gerenciais e compartilhados através do google drive no e-mail institucional de cada apoiador e gerente de UBS. Sendo seis de acesso: perdas primária e secundária, demanda reprimida das 5 maiores filas de espera de especialidades e exames não laboratoriais do município, demanda reprimida de exames laboratoriais mensurada através da última data disponível para agendamento eletivo, quantidade de tele interconsultas realizadas na UBS, percentual de usuários beneficiários do Bolsa Família assistidos, quantitativo de PICS e ações coletivas ofertadas pela UBS. Dois qualitativos: resultado do indicador de desempenho do Previne Brasil por estabelecimento de saúde e número de respostas inseridas pelos usuários no Totem Guardião da Saúde classificadas como ótimo, bom, regular e ruim. Dois quantitativos: total de procedimentos realizados pelos profissionais terceirizados para prestação de contas do convênio e número de ouvidorias pendentes, respondidas dentro do mês e a mais antiga sem resposta, no sistema Ouvidoria SUS e quatro organizacionais: data da reunião de equipe, conferência de vínculos profissionais, banco de horas de servidores, acima de 20 horas positivas ou negativas, banco de horas de colaboradores terceirizados, acima de 20 horas positivas ou negativas. Todos os indicadores são consultados facilmente em sistemas já existentes e os dados são inseridos mensalmente pelos gerentes gerando uma série histórica.
A implantação dos indicadores gerenciais gerou um maior senso de responsabilidade com os dados apresentados mensalmente, dados esses que por vezes eram observados esporadicamente. O resultado mais rapidamente percebido foi em relação à gestão das agendas, um maior acompanhamento do gerente em relação à disponibilidade da oferta X demanda e a pactuação com as equipes a fim de minimizar as perdas primárias e secundárias foi observado. A requalificação das filas de espera por especialidades priorizando os casos quando necessário, reavaliando pacientes e realizando a “limpeza” sistemática bem como outras ofertas possíveis considerando a equipe multiprofissional, matriciamento com especialistas e uso das teleinterconsultas. Maior domínio no uso de sistemas como o e-gestor e redução de acionamento à gestão central por gerentes solicitando novo acesso ao sistema que expira a cada 90 dias sem uso, bem como acompanhamento dos dados e ações relacionadas aos indicadores do Previne Brasil. Implementação de ações coletivas “mutirões” para regularizar a oferta reprimida por exames como eletrocardiograma e exames laboratoriais realizados na UBS. Maior engajamento da equipe em relação aos assistidos pelo Bolsa Família em relação ao preenchimento dos dados em consulta e na identificação e priorização dessa população. Valorização das PICS e ações coletivas como oferta estratégica para garantia de acesso à APS e pactuação entre UBSs vizinhas para maior abrangência de usuários numa mesma ação.
As intervenções em Saúde Pública baseiam-se frequentemente na melhoria da qualidade com base na implementação de ações inovadoras. A ciência da implementação e teoria da mudança nos mostra que na maioria das situações existe uma lacuna evidência-prática do porquê indivíduos ou organizações não estão fazendo algo que é recomendado. Estratégias que incentivem seguir diretrizes e identifiquem lacunas para a efetiva mudança na prática são importantes para um bom resultado. A implantação e monitoramento dos indicadores gerenciais vai de encontro a identificar e superar essas lacunas num trabalho constante pela busca da excelência no SUS. Os objetivos até o momento foram parcialmente atingidos, até porque esta é uma ação permanente, que pretende realizar mudanças constantes na gestão dos serviços da APS e na prática da produção de cuidado. O êxito dessa iniciativa depende de uma interação constante da gestão central e local, análise e acompanhamento dos dados por ambos níveis de gestão a fim de identificar as fragilidades, superar as dificuldades, manejar o inesperado, planejar adequadamente as ações, avaliá-las e monitorá-las resultando numa APS mais qualificada e humanizada.
gestão, indicadores, monitoramento
Andreia Pinto de Souza, Luciana Marinho da Cunha, Danilo Ocampo Ferreira, ANA PAULA RODRIGUES ROSA, Filipe André Risso Firmino