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O cenário climático tem se alterado consideravelmente nos últimos anos, com o aumento das temperaturas, mudando o contexto em que vivemos. Essas mudanças têm impactos diretos e indiretos na saúde pública e, especialmente, na segurança alimentar. A elevação das temperaturas globais torna o armazenamento e manejo de alimentos ainda mais críticos, exigindo práticas rigorosas para garantir a qualidade e segurança dos produtos alimentícios. Produtos perecíveis, como carnes, são sensíveis às variações de temperatura. Com o aumento das temperaturas ambientes, há maior risco de proliferação de micro-organismos patogênicos, comprometendo a qualidade dos alimentos e representando um risco à saúde pública. As mudanças climáticas aceleram a deterioração desses alimentos, reduzindo sua vida útil e aumentando a probabilidade de contaminação. Em Guarulhos, açougues têm papel crucial no fornecimento de carnes. Com a Portaria CVS 01/2020, esses estabelecimentos são considerados de médio risco, dispensando inspeções prévias. Isso impõe novos desafios para a Vigilância Sanitária, que deve assegurar práticas adequadas de segurança alimentar, prevenindo doenças transmitidas por alimentos e garantindo o cumprimento das normas vigentes.
Este trabalho foca no monitoramento da temperatura em açougues de Guarulhos, analisando o impacto do clima nas práticas de segurança alimentar. A gestão correta da temperatura é essencial para evitar a proliferação de patógenos e a deterioração dos alimentos, que podem causar surtos de doenças gastrointestinais e outras condições. A Vigilância Sanitária de Guarulhos, por meio do Departamento de Vigilância em Saúde e da Divisão Técnica de Vigilância Sanitária, estabeleceu medidas para melhorar o controle de temperatura nos açougues da cidade. O estudo documenta essas iniciativas, avalia sua eficácia e propõe melhorias contínuas para garantir a segurança alimentar da população. Espera-se que os resultados ajudem a aprimorar as práticas de fiscalização e monitoramento, reforçando a importância de um controle rigoroso da temperatura para minimizar os riscos associados ao consumo de carnes mal armazenadas.
A partir do banco de dados do Sistema de Informação em Vigilância Sanitária (SIVISA), foram mapeados 325 estabelecimentos com Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE: 4722-9/01 – Comércio Varejista de Carnes – Açougues). A análise focou em 135 locais, excluindo CNAEs secundários e estabelecimentos com CNPJ inativo. Desses, 90 açougues foram monitorados, abrangendo 67% do total no município. A pesquisa, iniciada em abril de 2023, durou seis meses e introduziu um Roteiro de Auto-inspeção para Açougues, destacando a presença de planilhas de controle de temperatura. A análise exploratória, baseada em respostas sim ou não, revelou o comprometimento de cada estabelecimento. Os dados foram tabulados e permitiram avaliar o panorama geral dos cuidados sanitários e estabelecer estratégias de ação. Além disso, considerou-se a influência das variações climáticas sobre a eficiência dos sistemas de refrigeração e a necessidade de ajustes nas práticas de controle de temperatura. Os resultados proporcionam um diagnóstico claro para aprimorar a segurança alimentar e as condições de armazenamento em açougues.
Os dados do monitoramento dos açougues em Guarulhos revelaram uma constatação preocupante: apenas 26% dos estabelecimentos preenchiam corretamente a planilha de controle de temperatura das carnes refrigeradas e congeladas. Essa situação levanta preocupações sobre a conformidade com a Portaria CVS 5/2013, que regulamenta o controle de temperatura. As inspeções mostraram que a qualidade das carnes comercializadas pode estar em desacordo com as normas, aumentando o risco de intoxicação alimentar para a população dos bairros atendidos. As mudanças climáticas também afetam esse cenário. O aumento das temperaturas e as variações climáticas extremas comprometem a eficiência dos sistemas de refrigeração, exigindo controle rigoroso. Os açougues precisam ajustar seus equipamentos e melhorar as práticas de monitoramento para garantir que as carnes sejam mantidas em condições adequadas. O gráfico abaixo ilustra que apenas 26% dos açougues preenchiam corretamente as planilhas de controle de temperatura, enquanto 74% não o faziam adequadamente, sugerindo a necessidade de melhorias.
O monitoramento realizado pela Vigilância Sanitária de Guarulhos nos açougues destacou a importância de práticas rigorosas de controle de temperatura para a segurança alimentar. As ações implementadas contribuíram para a correção de desconformidades e promoveram a educação dos funcionários dos açougues, evidenciando a relevância de uma abordagem contínua para garantir a qualidade dos alimentos e proteger a saúde pública. Os resultados obtidos também ressaltam a necessidade de fortalecer o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS). Esse fortalecimento é essencial para melhorar a eficiência das ações de fiscalização e facilitar a implementação de práticas preventivas. Uma resposta aprimorada permitirá a identificação mais rápida de irregularidades, assegurando intervenção oportuna. A seguir, imagens das capacitações realizadas para responsáveis e manipuladores de açougues, focadas em aprimorar o conhecimento sobre boas práticas sanitárias, manuseio adequado de produtos e conformidade com a legislação vigente.
mudanças climáticas, segurança alimentar
CRISTIANE CARLIN PASSOS, JULIANA MARTINS DA SILVA, ASTREIA CIBELE GENY FRANCISCA DE PAULA DA CRUZ, LUCIANA FERREIRA FONTES, VALESKA AUBIN ZANETTI MION