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Em 2023, a cidade de São Paulo, por meio da Coordenadoria de IST/Aids, foi recertificada, pela terceira vez, por ter eliminado a transmissão vertical do HIV (TVHIV), em conformidade com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS). A TVHIV pode acontecer durante a gestação, parto e aleitamento materno. Dentre as estratégias para o sucesso desta meta, podemos citar o diagnóstico precoce da infecção pelo HIV, por meio da melhora da cobertura do atendimento pré-natal; o início imediato da terapia antirretroviral (TARV) e o fornecimento de fórmula láctea infantil e leite em pó para todas as crianças expostas ao HIV, do nascimento até 2 anos de idade. A fim de garantir que todas essas estratégias sejam cumpridas, é fundamental a integração da equipe multiprofissional de saúde dos serviços de atenção especializada em IST/Aids (SAE IST/Aids):médicos (infectologista, ginecologista/obstetra, pediatra); equipe de enfermagem; nutricionista; farmacêutico, psicólogo, assistente social e dentista. Por esse motivo, foi desenvolvido um protocolo de atendimento multiprofissional à gestante, estabelecendo um fluxo de consultas/exames, de modo que a paciente possa ser atendida mensalmente, e de preferência, no mesmo dia, por mais de um profissional. Além disso, é realizado um monitoramento semanal por meio de telefone e aplicativo de mensagens, minimizando, desta forma, a taxa de absenteísmo e otimizando o cuidado integral destas pacientes.
Como parte da estratégia para manter a eliminação da TVHIV, na cidade de São Paulo, essa intervenção se propõe a monitorar, além do acompanhamento pré-natal, o cuidado integral e multiprofissional às gestantes vivendo com HIV atendidas no SAE IST/Aids Vila Prudente (SAE VP).
De acordo com o protocolo, todas as gestantes são submetidas à primeira consulta de enfermagem; realizam coleta de carga viral (CV) e outros exames laboratoriais; iniciam a TARV após triagem médica e agendam consulta de retorno com o infectologista. A gestante pode optar por realizar o acompanhamento pré-natal em sua UBS de referência, no SAE ou em ambos os serviços. Neste caso, é oferecido o agendamento com o ginecologista, assim como com a equipe do serviço social, psicologia, nutrição e odontologia. A equipe designada pelo monitoramento desse fluxo é formada por uma nutricionista, uma auxiliar de enfermagem e uma pediatra infectologista. Foi elaborada uma planilha de trabalho na qual vários dados da gestante são monitorados: nome, idade, idade gestacional, prontuário, data da última menstruação, data provável de parto, médica responsável, CV, contagem de células TCD4, local do pré-natal, sorologias, situação vacinal, quais acompanhamentos está realizando e presença nas consultas agendadas. A auxiliar de enfermagem é responsável por entrar em contato com as gestantes via aplicativo de mensagens e/ou telefone para agendar as consultas, confirmar presença e fazer busca ativa em caso de não comparecimento. A nutricionista é responsável pelo abastecimento de dados e informações na planilha, monitorando a presença nas consultas e na coleta de exames. A pediatra infectologista, como responsável clínica do serviço, auxilia na organização do fluxo das gestantes.
No período de junho a dezembro de 2024, foram registradas e acompanhadas 16 gestantes no serviço. Destas, 18,7% (n=3) já eram pacientes do serviço antes da gestação; 25% (n=4) optaram em realizar o acompanhamento pré-natal no SAE VP e 18,7% (n=3) solicitaram transferência para serviços mais próximos de suas residências. Houve a ocorrência de 2 abortos entre as gestante acompanhadas (12,5%). Das gestantes que seguiram o acompanhamento no serviço (n=11), 54,5% (n=6) deram à luz no período referido e, destas, 100% (n=6) tiveram uma ou mais consultas com infectologista, equipe de enfermagem, nutricionista e pediatra, sendo que 66,6% (n=4) chegaram ao parto com CV indetectável. Nesse período, não foi registrado nenhum caso de aleitamento materno ou de TVHIV. Ademais, 83,3% dos bebês (n=5) continuam em acompanhamento pediátrico e nutricional regular no serviço.
Nesse período foi possível observar um fortalecimento do vínculo tanto das gestantes quanto das puérperas com a equipe multidisciplinar e com outros setores do serviço. Ademais, a totalidade de não aleitamento e nenhum caso de TVHIV nesse recorte, pode sinalizar a importância de implementar tal intervenção rotineiramente nos serviços de atendimento à gestante vivendo com HIV, além de incentivar a utilização de recursos tecnológicos institucionais seguros para o monitoramento das gestantes ao longo do pré-natal, parto e puerpério.
Atendimento, multiprofissional, gestante, HIV
AMANDA TONETTO GONZALEZ, ELIANE ALVES DE GÓES ALMEIDA, FABIANA APARECIDA PINTOR DE TOLEDO CPF: 16143875839 E-MAIL: SAEVILAPRUDENTE@PREFEITURA.SP.GOV.BR, JUSSARA DAS DORES BOUSSIQUOT, MARCIA TSUHA MORENO, SILVANA DUARTE PESSOA ARAÚJO CPF: 40351734287 E-MAIL: @PREFEITURA.SP.GOV.BR