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No âmbito da resposta municipal às Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), HIV/Aids e hepatites virais, a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo (SMS-SP) estrutura suas ações a partir da Prevenção Combinada, estratégia que integra diferentes métodos de prevenção, adaptados às necessidades dos indivíduos e coletividades (SÃO PAULO, 2023). Os Agentes de Prevenção em IST/Aids são atores fundamentais nessa estratégia, atuando na interface entre serviços e territórios, com foco em populações em maior vulnerabilidade. Sua atuação extramuros envolve educação em saúde, distribuição de insumos, abordagem social e encaminhamento para testagem e profilaxias pré (PrEP) e pós exposição (PEP) a infecção pelo HIV. Essa capilaridade demanda processos contínuos de capacitação e avaliação para assegurar a qualidade técnica e a efetividade das intervenções. Inspirado no Manual de Avaliação da Política Nacional de Saúde, que preconiza a avaliação como instrumento de gestão (BRASIL, 2023), este trabalho relata a experiência de implantação de um instrumento interno de monitoramento de desempenho desses agentes em um Serviço de Atenção Especializada em IST/Aids (SAE) da capital. O relato justifica-se pela necessidade de compartilhar metodologias que contribuam para a consolidação da Rede Municipal Especializada em IST/Aids (RME IST/Aids).
Relatar a experiência de implementação de um instrumento de monitoramento e avaliação de desempenho para Agentes de Prevenção em IST/Aids, analisando seus resultados preliminares como subsídio para o planejamento de ações educativas e de supervisão técnica na RME IST/Aids.
Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, desenvolvido no SAE Paulo César Bonfim, localizado no distrito da Lapa, na cidade de São Paulo. O período de coleta de dados compreendeu janeiro a outubro de 2025. Foram avaliados sete Agentes de Prevenção, vinculados a projetos comunitários específicos (Arrasa, Mona!, Cidadania Arco-Íris, Elas por Elas, Tudo de Bom) (SÃO PAULO, 2023). A avaliação foi conduzida pelos Técnicos de Prevenção, fundamentando-se na observação direta em campo, na análise de registros e nos indicadores de produtividade. Utilizou-se uma ficha estruturada em seis eixos, conforme os protocolos da SMS-SP: (1) Comprometimento e responsabilidade; (2) Abordagem e vínculo comunitário; (3) Participação nas ações extramuros; (4) Trabalho em equipe e comunicação; (5) Conhecimento prático e aperfeiçoamento; e (6) Desempenho e resultados. Cada eixo foi pontuado conforme uma Escala Likert de 1 a 5, sendo: 1 (Não realiza/não atende), 2 (Insatisfatório), 3 (Regular), 4 (Bom) e 5 (Excelente). Para cada agente, foi calculada uma média final, e para a equipe, a média de cada eixo. As observações qualitativas dos supervisores foram sintetizadas para complementar a análise. O processo foi conduzido como atividade rotineira de supervisão técnica, assegurando a confidencialidade dos dados em conformidade com as diretrizes éticas nacionais para pesquisa com seres humanos.
A avaliação geral da equipe obteve média 3.7 (escala 1-5). A distribuição por categorias mostrou polarização: 42,9% (3/7) dos agentes foram avaliados como Excelente (≥4.5) e 42,9% (3/7) como Aquém do Esperado (
As considerações finais deste estudo indicam que o sistema de monitoramento se mostrou viável e necessário como ferramenta de gestão da força de trabalho em prevenção. Identificou-se um desempenho heterogêneo dos agentes, com cerca de 43% exigindo acompanhamento intensivo e capacitação direcionada. Os eixos Conhecimento Prático e Desempenho e Resultados apresentaram as menores médias, sinalizando prioridade para ações de educação permanente. Recomenda-se: (1) padronizar o instrumento de avaliação para outros serviços da RME; (2) criar um plano de educação permanente baseado nas lacunas identificadas; (3) estabelecer mentorias entre agentes com desempenho excelente e aqueles que necessitam de apoio; e (4) integrar os dados de desempenho com indicadores de saúde do território (ex.: aumento da testagem, adesão à PrEP). Conclui-se que a avaliação sistemática pode fortalecer as rotinas das unidades da RME IST/Aids e os programas de prevenção. A experiência relatada oferece um modelo adaptável para potencializar o impacto das ações de prevenção combinada nas populações mais vulnerabilizadas ao HIV e outras IST, podendo ser replicado em outras unidades da RME e municípios com políticas de prevenção semelhantes às de São Paulo.
Prevenção, HIV, Gestão em Saúde.
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