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Esse estudo visa demonstrar à comunidade as conquistas históricas da saúde pública brasileira através de políticas públicas, mais especificamente na saúde mental, onde o sofrimento psíquico sempre foi estigmatizado como loucura e/ou turbulências espirituais e o portador de transtorno era excluído socio emocionalmente. Concomitante a importância de evidenciar as mudanças que os cuidados em saúde mental sofreram ao longo dos anos, também é importante frisar e demonstrar por meio deste, que uma das populações mais atingidas pela falta de acesso a essas políticas públicas são as pessoas em situação de rua. Definida como um grupo populacional heterogêneo, que possui em comum a pobreza extrema, os vínculos familiares interrompidos ou fragilizados e a inexistência de moradia convencional regular, a população em situação de rua (PSR) tem aumentado significativamente no país. Também se faz importante evidenciar os desafios existentes no cuidado do portador de transtorno mental, principalmente quando o vínculo familiar é fragilizado e/ou inexistente e o usuário está em processo de envelhecimento. Onde por muitas vezes, o portador de transtorno mental sai do convívio familiar para viver em instituições de acolhimentos para garantir os cuidados contínuos.
O presente estudo tem por objetivo apresentar o histórico e evolução de uma usuária do CAPS III Adulto do Município de Araçatuba – SP, demonstrando através dos dados fidedignos coletados do prontuário de usuária objeto de estudo, a evolução de seu tratamento psiquiátrico, bem como as dificuldades encontradas pelo CAPS 3 e toda RAPS em prover os cuidados adequados a atendida, bem como garantir sua proteção social. O objeto de estudo, trata-se de uma usuária que viveu em situação de rua no município de Araçatuba por aproximadamente 10 anos, tendo reconhecido um prédio que estava desocupado como seu lar. Tal usuária foi um desafio para a RAPS (Rede Atenção Psicossocial) dada sua desorganização mental e hetero agressividade, além do vínculo familiar inexistente, dificultando sua estabilização. Durante anos a Rede se empenhou em proporcionar saúde e bem estar social a atendida, tentando manter sua autonomia e sensibilizá-la a aderir ao tratamento psiquiátrico para que outras estratégias de
Esse artigo utilizou-se de pesquisa exploratória, onde foram utilizados artigos científicos com data de publicação menor ou igual a 10 anos inferiores ao atual (2023) concomitante ao acompanhamento e Projeto Terapêutico Singular construído a atendida portadora de transtorno mental grave.
Articulações supracitadas foram intensificadas em 2023, após uma decisão judicial, onde o prédio em que atendida residia deveria ser desocupado. Sua técnica de referência acompanhada de outro enfermeiro da unidade em abordagem, realizou um manejo verbal com atendida e a deslocou ao o prédio do CAPS 3, local em que seria feita a intervenção com SAMU, garantindo que a abordagem fosse menos expositiva, pois após longas discussões entre componente da RAPS ficou acordada a necessidade de uma solicitação de internação psiquiátrica involuntária. Atendida passou um curto período aguardando vaga de internação psiquiátrica no Pronto Socorro Municipal, além do suporte clínico necessário para restabelecimento de sua saúde. Através de exames clínicos foi constatado que atendida desenvolveu uma Trombose Venosa Profunda, dando início a um novo processo de recuperação e, concomitante, a estabilização do quadro psiquiátrico. Após alta melhorada do PSM, atendida foi inserida em hospitalidade noturna em CAPS 3, e após foi inserida no Hospital Neurológico Ritinha Prates para que cuidados fossem intensificados até sua completa recuperação, visto que patologia supracitada ocasionou em perda parcial de sua mobilidade física. Infelizmente na data de 17 de janeiro de 2024 atendida foi a óbito visto complicações da TVP. Sua passagem por esta vida deixa uma lição: o quão importante é o vínculo em uma relação entre profissional e usuário e a ação conjunta da rede para o sucesso do tratamento.
Foi possível comprovar através de pesquisa de campo e dados científicos, os pontos estratégicos utilizados pelo Centro de Atenção Psicossocial aliado a outros componentes da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) que garantem a atenção integral dentro do processo de saúde doença. O estudo demonstrou a relevância do vínculo entre o profissional de saúde e o usuário nas possibilidades de sucesso e fracasso de um determinado tratamento, consistindo em uma estratégia de promoção da integralidade e singularidade do cuidado em saúde. O vínculo apresenta-se articulado aos conceitos de humanização, responsabilização e da integralidade do cuidado, onde através do envolvimento entre os diferentes sujeitos envolvidos é capaz de fazer uma aproximação mútua entre estes indivíduos. Assim, o robustecimento do vínculo entre a equipe de determinado serviço e o usuário torna-se de grande relevância, ao passo em que a ligação destes pontos levam ao favorecimento e a produção do cuidado mediante uma relação de confiança e partilha de comprometimento. “Não existe uma rede ideal, existem atores na rede que oferecem proteção ou representam riscos, e que influenciam os processos de saúde e doença.” – Nazareth Malchier
Vínculo, situação de rua, RAPS, saúde mental
MARIANA CARDOSO DA SILVA