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A incontinência urinária é uma condição que afeta a qualidade de vida de muitas mulheres, impactando aspectos físicos, emocionais e sociais. O acesso ao tratamento adequado pode ser limitado, tornando essencial a adoção de estratégias que promovam um atendimento eficaz e acessível. Em Fevereiro de 2024 teve início a implementação de grupos para pacientes com incontinência urinária de esforço ou mista na Unidade de Saúde Avançada Parque Santana. O estudo “Incontinência Urinária: prevalência, classificação e manejo na pessoa adulta” do Brazilian Journal Review, de 25 de Março de 2024 diz que a incontinência urinária afeta 10% das mulheres adultas e 40% das que tem mais de 70 anos, sendo que apenas 25% das pessoas com incontinência urinária buscam tratamento. Durante os atendimentos de fisioterapia ortopédica e neurofuncional foi observado queixas de perda de urina aos esforços de muitas pacientes. Sabendo que essas queixas eram comuns e frequentes, optamos por realizar grupos de acolhimento, orientação e exercícios de reabilitação para mulheres com incontinência urinária. A fisioterapia pélvica tem se mostrado uma abordagem eficiente para a redução dos sintomas, melhorando a funcionalidade do assoalho pélvico e proporcionando maior bem-estar às pacientes. A realização de atendimentos em grupo permite ampliar o alcance da assistência, otimizando recursos e promovendo o compartilhamento de experiências entre as mulheres, o que pode favorecer a adesão ao tratamento.
O objetivo deste trabalho é apresentar os resultados de um programa de fisioterapia em grupo para o tratamento da incontinência urinária em mulheres, analisando a evolução dos sintomas e o impacto na qualidade de vida das participantes. Além disso, busca-se demonstrar a importância da educação em saúde e do treinamento da musculatura do assoalho pélvico como estratégias eficazes para o controle da incontinência através da conscientização e informação de qualidade para essas mulheres. A reabilitação também pode elevar a autoestima dessas mulheres que sofreram por muitos anos, sem saber que havia um tratamento adequado para essa queixa.
A fisioterapeuta responsável pelos grupos conversou com todos os médicos ginecologistas da unidade para explicar o funcionamento dos grupos e direcionar as pacientes com queixa de urgência súbita de urinar, dificuldade em segurar a urina, necessidade de acordar à noite para urinar, umidade nas roupas íntimas e cheiro de urina para avaliação no setor de fisioterapia uroginecológica. Também foram organizadas palestras sobre o tema, durante a campanha do “Outubro Rosa”, nos grupos da terceira idade realizados pelo setor de psicologia, assistência social e terapia ocupacional. Essa medida contribuiu para o aumento de pacientes e disseminou as informações entre as participantes. Todas as pacientes encaminhadas pelos ginecologistas foram avaliadas criteriosamente e orientadas quanto a seus quadros clínicos e prognósticos. Posteriormente foram direcionadas para os grupos com foco em exercícios de fortalecimento do assoalho pélvico e técnicas de controle da micção. Os grupos eram formados por 4 mulheres, 1 vez por semana e duração de 60 minutos, durante 06 sessões. No primeiro dia todas as pacientes eram orientadas sobre o que é a incontinência, o funcionamento do sistema urinário, anatomia e os motivos pelos quais elas iriam realizar aquele tratamento. A evolução das participantes foi monitorada por meio de relatos individuais, permitindo uma análise quantitativa e qualitativa dos resultados.
Do total de 190 agendamentos realizados no período de março a dezembro de 2024, foram identificadas 58 faltas e 132 atendimentos. Os relatos das pacientes ao final do tratamento referem melhora significativa no controle urinário com redução da frequência de episódios de incontinência, melhora na qualidade de vida com consequente aumento da confiança, redução da ansiedade e melhora na participação em atividades sociais. Os resultados reforçam a importância da fisioterapia como uma abordagem eficaz e não invasiva para o tratamento da incontinência urinária em mulheres. O formato em grupo foi bem aceito, promovendo troca de experiências e suporte emocional entre as mulheres, o que contribuiu para o sucesso da intervenção.
No início do tratamento, muitas mulheres acreditavam que a incontinência urinária era algo “normal” após gestação e parto, ou até mesmo em decorrência da idade. Também foi identificada falta de credibilidade no tratamento, que foi reduzida com a educação constante e dedicação daquelas que se mantiveram durante todo o processo, gerando ótimos resultados. Dessa forma, o nosso objetivo de melhorar a qualidade de vida dessas mulheres foi atingido. Sabemos que temos um trabalho constante, principalmente através da educação, acolhimento e orientação para que muitas outras mulheres possam também se beneficiar desse tratamento. O atendimento fisioterapêutico em grupo mostrou-se uma estratégia viável e eficaz para o tratamento da incontinência urinária em mulheres. Além da melhora dos sintomas, houve um impacto positivo na qualidade de vida e na autoestima das participantes. Dessa forma, programas semelhantes podem ser incentivados como uma alternativa acessível e de grande alcance, proporcionando benefícios físicos e emocionais.
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BRUNA FUNÁRI SETTEMBRE, JANAÍNA CRUZ MARINI, MARIA SILVIA DE ALMEIDA MELLO FREIRE, JOSÉ CARLOS MISORELLI (IN MEMORIAM)