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O Sistema Único de Saúde (SUS) enfrenta, historicamente, elevados índices de demanda reprimida em consultas e exames complementares, o que gera extensas filas de espera e compromete a efetividade da atenção integral à saúde. Essa realidade pode ocasionar atraso no diagnóstico, evolução de agravos de saúde que poderiam ser tratados precocemente, além de sobrecarga dos serviços de maior complexidade. Nesse contexto, a realização de mutirões voltados à avaliação de exames configura-se como uma estratégia pertinente para reduzir a fila de agendamentos e otimizar o fluxo de atendimento. A concentração de esforços em períodos específicos permite o uso racional de recursos humanos e materiais, favorecendo a análise dos resultados de exames realizados e a tomada de decisões clínicas oportunas. Além da diminuição do tempo de espera entre consultas, mutirões de avaliação de exames podem garantir diagnósticos mais rápidos e encaminhamentos adequados, promovendo maior resolutividade na rede de atenção à saúde, fortalecendo princípios do SUS como a equidade, integralidade e o princípio da Atenção Primária à Saúde (APS) de coordenação do cuidado. Dessa forma, a realização de mutirões de avaliação de exames periódicos justifica-se como ação estratégica para a reorganização dos serviços de saúde, ao mesmo tempo em que representa um investimento na promoção do cuidado oportuno, eficiente e humanizado, alinhado às diretrizes do SUS e às demandas concretas da população
Reduzir a demanda reprimida de avaliação de exames em uma equipe de Estratégia de Saúde da Família (ESF) em um território de alta vulnerabilidade social Diminuir o tempo de espera entre a realização dos exames e a avaliação dos mesmos pelo médico, evitando atrasos diagnósticos e terapêuticos Ampliar a resolutividade da Atenção Primária à Saúde (APS), a partir da análise de exames pertinentes a rotina de cada faixa etária, promovendo diagnósticos e condutas terapêuticas.
Durante o acompanhamento da rotina assistencial da Unidade de Saúde da Família, constatou-se uma demanda reprimida expressiva na avaliação de exames laboratoriais e de imagem. Diante desse cenário foi realizada uma reunião com a equipe multiprofissional, na qual se discutiram alternativas para reorganizar o fluxo de atendimento e reduzir a fila de espera. Como estratégia central definiu-se a implementação de mutirões mensais voltados exclusivamente à avaliação de exames, visando maior resolutividade. O processo teve início com a triagem dos usuários que apresentavam exames pendentes de avaliação, priorizando-se aqueles com maior tempo de espera e risco clínico associado. Posteriormente elaborou-se um cronograma específico reservando um dia por mês destinado exclusivamente a consultas rápidas, com duração média de 15 minutos, voltadas à análise de resultados, formulação diagnóstica e definição de condutas terapêuticas. Na etapa seguinte, com o apoio dos escriturários e dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), foram emitidas cartas de convocação a fim de informar os pacientes sobre as datas e horários dos mutirões. No dia da atividade os enfermeiros realizaram previamente a aferição dos sinais vitais. Em seguida ao adentrarem o consultório, os pacientes recebiam seus exames, eram esclarecidos quanto aos resultados e orientados sobre os desdobramentos necessários, seja a adoção de condutas terapêuticas, seja o encaminhamento para outros níveis de atenção.
A execução dos mutirões de avaliação de exames durante 3 meses possibilitou mensurar avanços concretos na redução da demanda reprimida. No primeiro dia de atividade, foram agendados 24 atendimentos, com registro de 18 comparecimentos e 6 ausências. No segundo encontro observou-se incremento na adesão dos usuários totalizando 37 agendamentos, dos quais 35 foram efetivamente realizados, com apenas 2 faltas. Já no terceiro mutirão, foram convocados 16 pacientes, resultando em 12 atendimentos concluídos e 4 ausências. Desta forma, foram realizados no total 65 atendimentos e com uma taxa de absenteísmo de 15%. Dentre os 65 atendimentos, somente 9 (13%) destes necessitaram de encaminhamento para outras especialidades ou para realização de novos exames complementares. Ademais, em 18 atendimentos (27%) houve a necessidade de introdução ou adequação da terapêutica medicamentosa. Tais dados demonstram a resolutividade da APS e a coordenação do cuidado que o médico de família e comunidade possui dentro da rede. A análise dos dados demonstra que a estratégia contribuiu de maneira efetiva para a diminuição da fila de espera, garantindo menor tempo de espera na avaliação dos exames e na definição de condutas diagnósticas e terapêuticas. Os mutirões, portanto, configuraram-se como uma experiência exitosa e com impacto direto tanto na resolutividade da atenção quanto na qualidade do cuidado ofertado.
Nesse sentido, foi visto que a iniciativa possibilitou a redução da demanda reprimida de exames na equipe de ESF atuante em território de alta vulnerabilidade social, uma vez que usuários com resultados pendentes, tiveram seus exames analisados e suas condutas terapêuticas devidamente definidas. Observou-se também a diminuição do tempo de espera entre a coleta dos exames e a avaliação médica, fator essencial para evitar atrasos diagnósticos e terapêuticos. Além disso, verificou-se o aumento da resolutividade da Atenção Primária à Saúde (APS). A análise sistemática de exames pertinentes a diferentes faixas etárias permitiu não apenas a emissão de diagnósticos de forma mais oportuna mas também a adoção de condutas terapêuticas imediatas, quando indicadas. Essa prática reforçou o papel da APS como ordenadora do cuidado e garantidora do acompanhamento longitudinal dos usuários. Assim, conclui-se, portanto, que os mutirões são grandes aliados a APS e demonstram uma grande eficácia como estratégia de reorganização do processo de trabalho para melhoria de demandas reprimidas e para o fortalecimento do vínculo entre a equipe e a comunidade.
Atenção Primária à Saúde, Acesso, Gestão em Saúde
NICOLE RODRIGUES CARDOSO, RANIERA APARECIDA MARTINS BENTO, THIAGO EGYDIO MONTEMOR, ISABELLA GASPAR VUOLO, ANDERSON MEDEIROS, PILLAR CAMPOS PRADO, GECIANE OLIVEIRA SILVA, JOÃO MAZZONCINI DE AZEVEDO MARQUES