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O exercício físico é entendido como movimento corporal que promove gasto energético superior ao repouso, trazendo diversos benefícios à saúde, como emagrecimento, melhora do metabolismo, resistência óssea, fortalecimento do sistema imunológico, equilíbrio, diminuição do estresse, redução da dor e aumento da autoconfiança. Segundo a OMS, a prática regular de atividade física é essencial para a promoção de saúde e prevenção de fatores de risco, beneficiando todas as faixas etárias e aumentando a expectativa de vida (KNUTH et al., 2011). Com o objetivo de incentivar a prática de exercícios como prevenção à saúde, foi criado, em 2011, o programa Academia da Saúde. Este programa surgiu após avaliações de experiências anteriores em cidades como Recife, Aracaju, Belo Horizonte, Curitiba e Vitória, que mostraram aumento nos níveis de atividade física dos usuários, destacando a importância de espaços próximos às comunidades para promover a adesão (SIMÕES et al., 2009; HALLAL et al., 2009). O principal objetivo do programa é promover a saúde, interação social e modos de vida saudáveis, por meio de polos com infraestrutura e profissionais qualificados. Ele inclui atividades como educação em saúde, mobilização social, práticas artísticas, culturais, integrativas e corporais, além de vinculação com outros serviços do município. Diante desses objetivos, é fundamental analisar os benefícios percebidos pelos pacientes e os impactos em suas vidas.
Analisar a percepção dos pacientes e os impactos do exercício físico.
Na Academia da Saúde Alpino, o Grupo Ginástica Livre acontece desde 2020, com a participação de 45 membros ativos. As atividades, coordenadas por uma Educadora Física e um Profissional da Dança, ocorrem duas vezes por semana, com uma hora de duração por encontro. Os profissionais alternam entre os papéis de coordenador e co-coordenador, para que um possa liderar a atividade e o outro oferecer auxílio e correção conforme as necessidades dos participantes. As sessões são divididas em três etapas: alongamento, exercício principal e relaxamento. O exercício principal ocupa cerca de 40 minutos de cada encontro e inclui atividades como ginástica localizada, exercícios funcionais, coordenação motora, equilíbrio, resistência muscular, postura, alongamento, musicalidade e variação de ritmos. Além disso, o grupo realiza atividades sociais, como passeios e festas comemorativas, visando a socialização e o fortalecimento da rede de apoio. A percepção dos participantes foi avaliada em dezembro de 2024, por meio de um grupo focal. Os profissionais aplicaram o Roteiro de Coleta de Percepções, que analisou aspectos como: motivação para a prática, benefícios percebidos, barreiras enfrentadas, auto eficácia, suporte social e acessibilidade. Para o estudo, 20 pacientes foram selecionados aleatoriamente, e seus relatos foram agrupados em categorias para análise.
O grupo de participantes é composto por 20 pacientes, com idade média de 71 anos, sendo 17 mulheres e 3 homens. As motivações para a prática de exercícios são, em sua maioria, devido a dores, principalmente lombares e no ombro, seguidas pela fraqueza muscular (25%). Quanto aos benefícios, observou-se uma redução significativa (40%) ou cessação da dor (25%), impactando positivamente na qualidade de vida (35%) dos participantes. As barreiras enfrentadas incluem crenças limitantes, como o receio de sentir mais dores e insegurança, que são os principais obstáculos para a adesão (15%). Em relação à auto eficácia, o apoio profissional foi destacado como essencial, com os pacientes elogiando as correções e cuidados dos profissionais, o que contribuiu para a melhora da autoconfiança nas atividades diárias (25%). Quanto ao suporte social, 12 pacientes foram encaminhados pela equipe multiprofissional (e-multi), 4 pela educadora física, 1 pelo CAPS II, 2 por convite da família e 1 por um amigo. O transporte oferecido pelo SUS facilita o acesso de 15 pacientes ao grupo, enquanto 3 utilizam transporte público e 2 vão a pé. No aspecto da acessibilidade e estrutura física, foi relatada a falta de um espaço coberto (32,25%), o que dificulta a realização dos exercícios em dias de sol ou chuva (32,25%).
Conclui-se que os maiores fatores de procura do Grupo estão relacionados às dores e que 65% dos entrevistados obtiveram resultados significativos e melhora da dor, impactando positivamente na autoconfiança dos usuários. Os relatos quanto ao apoio profissional, olhar direcionado, atenção e cuidado mostram-se como importante fator de vinculação dos pacientes. A Rede Municipal de Saúde tem percebido que o exercício físico contribui para a melhora multifatorial dos pacientes, o que observa-se devido a alta demanda direcionada para o Grupo Ginástica Livre. Nota-se a importância do transporte público de saúde, contribuindo para a eficácia do crescimento e vinculação do Grupo, porém os relatos de acessibilidade foram pontuais quanto à falta de um local adequado para a demanda, como quadras cobertas, limpeza do ambiente e dificuldades com sol e chuva
Exercício físico, movimento, pessoa idosa, saúde.
FABIANO JANTORNO, MARCELA PARENTE BERTIN MONTEIRO, ELAINE PADUA DURANTE