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As residências terapêuticas surgem como uma estratégia fundamental na reabilitação psicossocial de pessoas com transtornos mentais graves oriundas de internações de longa permanência em hospitais psiquiátricos. Esses espaços oferecem um ambiente acolhedor e humanizado, permitindo que os moradores reconstruam sua autonomia e se integrem à comunidade. Diante de todos os desafios na construção desse equipamento, as assembleias nas residências terapêuticas desempenham um papel essencial na construção de um ambiente democrático, colaborativo e inclusivo. Esses encontros periódicos são momentos em que os moradores, juntamente com a equipe de profissionais, podem expressar opiniões, compartilhar experiências, discutir regras e tomar decisões coletivas sobre a rotina e o funcionamento da casa.
Fortalecer a autonomia dos residentes, incentivar a participação ativa na gestão da residência e promover um senso de pertencimento dos moradores no ambiente compartilhado.
Trata-se de um estudo retrospectivo e descritivo, baseado nas experiências vividas na prática das assembleias como dispositivo grupal importante no serviço de Saúde Mental. As assembleias nas residências terapêuticas são realizadas duas vezes ao mês, com duração aproximada de uma hora. Esses encontros são mediados pela referência técnica das residências, que conduz a reunião de forma organizada e inclusiva, garantindo a participação ativa de todos os moradores e profissionais envolvidos. Para favorecer a interação e o engajamento, as assembleias ocorrem em um ambiente agradável e acolhedor, onde todos se sintam confortáveis para expressar suas opiniões, compartilhar experiências e contribuir para a construção coletiva das normas e rotinas da residência. Durante as reuniões, são discutidos temas relacionados ao convívio, sugestões de melhorias, dificuldades enfrentadas e propostas para atividades futuras. Essa metodologia busca fortalecer o senso de pertencimento dos moradores, estimular a autonomia e promover um espaço democrático, onde as decisões são tomadas de forma coletiva e respeitosa, contribuindo para uma convivência harmoniosa e para o processo de reabilitação psicossocial.
As assembleias nas residências terapêuticas têm se mostrado uma ferramenta eficaz para a organização do cotidiano e a efetivação dos desejos e necessidades expressadas pelos moradores. Através desses encontros, é possível estruturar melhor as demandas levantadas, proporcionando um ambiente mais harmonioso e participativo. Um dos principais impactos observado foi o fortalecimento do vínculo entre os residentes, promovendo maior interação, respeito mútuo e senso de coletividade. Além disso, as assembleias têm possibilitado a abordagem de temas relevantes para a vida dos moradores, como a sexualidade, que surgiu de forma espontânea e explícita durante as discussões. Esse debate tem contribuído para a desconstrução de tabus, promovendo a conscientização e o respeito às necessidades individuais dentro do espaço da residência terapêutica. Dessa forma, as assembleias vêm cumprindo um papel fundamental na reabilitação psicossocial dos moradores, proporcionando um espaço seguro para expressão, aprendizado e construção coletiva do convívio.
As assembleias contribuíram para a resolução de conflitos e para a melhoria da convivência reforçando a importância desse espaço não apenas como um meio de organização, mas também como um instrumento de reabilitação psicossocial e construção da cidadania. Dessa forma, a continuidade e aprimoramento das assembleias são essenciais para garantir um cuidado mais humanizado, fortalecendo o protagonismo dos moradores e promovendo sua inclusão social de maneira efetiva.
Serviço Residencial Terapêutico em Saúde Mental
ADEMIR CORAZZA, ANA PAULA RODRIGUES LUPO, JENIFER CAROLINE DE MELO TURI CANCHERINI, TIAGO TEXERA