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O índice de mortalidade materna é o melhor indicador de saúde feminina, pois caracteriza a assistência prestada a mulher durante todo o ciclo gravídico puerperal. No Brasil esta taxa aumentou 94% durante a pandemia (2019-2021) (UNFPA, 2022). Segundo o Observatório Obstétrico Brasileiro, em 2022 houve 50,6 óbitos a cada 100 mil partos. Além disso, reflete a qualidade de vida de uma população e é um importante marcador de saúde da população geral, pois fundamenta ações e programas de atenção à saúde (BRASIL, 2009). Haja vista, a importância da prevenção de morte materna, a Organização Mundial de Saúde (OMS) implantou a abordagem/enfretamento do near miss ou evento que significa quase morte materna. Isto é, uma mulher que quase morreu, mas não morreu por acaso ou alguma intervenção em tempo oportuno (BRASIL, 2020). A importância de se abordar o near miss é entender quais são as condições que levam a um desfecho ruim, e quais as intervenções necessárias para mudar esse prognóstico em tempo hábil. Este fato viabiliza uma melhor organização dos serviços de saúde e uma assistência de qualidade às mulheres durante o ciclo gravídico puerperal (BRASIL, 2009). Portanto, esta experiência sobre near miss materno (NMM) neste serviço é justificável para dar continuidade da avaliação assistencial que se iniciou em 2017 e ainda do ponto de vista da saúde pública, dos direitos humanos, da qualidade assistencial, dos benefícios econômicos e contribuir para diminuição da mortalidade materna.
GERAL Sensibilizar e capacitar os profissionais de saúde, especialmente os residentes de Ginecologia e Obstetrícia no enfrentamento do Near-Miss Materno. ESPECÍFICOS • Analisar o perfil epidemiológico das mulheres que demandaram UTI em condições ameaçadoras à vida, assim como os principais determinantes sociais que interagiram nesse processo. • Avaliar as condições ameaçadoras à vida e os indicadores de processo de mulheres no ciclo gravídico puerperal, que demandaram a Maternidade Municipal Amador Aguiar na cidade de Osasco-SP. • Sensibilização e capacitação dos profissionais de saúde que atuam no pré-natal, especialmente no alto risco prevenindo o evento Near-Miss Materno.
Estudo observacional de corte transversal referente aos casos de condições ameaçadoras à vida que demandaram o UTI no Hospital Municipal e Maternidade Amador Aguiar (HMAA), entre janeiro de 2022 a dezembro 2023. Analisando os dados encontrados em pesquisa de Near-Miss Materno (NMM) entre 2016/2017, no HMAA, cuja primeira causa de Near-Miss fora hemorragia obstétrica, iniciamos capacitação dos residentes e médicos do pronto-socorro em prevenção e enfrentamento desta comorbidade. Diariamente um R3 passa visita com preceptor no UTI, os dados são coletados e casos de NMM são discutidos com todos os residentes de Ginecologia/Obstetrícia. Critérios de inclusão: mulheres gestantes ou puérperas internadas em Unidade de Terapia Intensiva no período de janeiro de 2022 a dezembro de 2023 no HMAA. Exclusão: mulheres fora do ciclo gravídico puerperal, casos ginecológicos, participantes que não assinaram o TCLE. A amostra foi composta por 215 gestantes ou puérperas internadas na UTI do HMAA., entre 10 e 45 anos. Realizou-se análise de prontuários físicos dessas mulheres, além de revisão da literatura. Utilizou-se como ferramenta de pesquisa o “Formulário de Coleta de Dados- WHO, 2011”. A análise estatística baseou-se em uma variedade de métodos estatísticos, incluindo a o teste Exato de Fisher e Wilcoxon-Mann-Whitney e medidas descritivas como média, mediana, desvio padrão, intervalo interquartil, frequência absoluta e percentuais. Outros testes usados foram: Shapiro-Wilk e x².
Dos 215 casos estudados encontramos 32 que configuram NMM e três óbitos. O índice de NMM foi de 4,6 por mil nascidos vivos. O índice de mortalidade materna foi de 0,43 por mil nascidos vivos. Quanto ao perfil epidemiológico: a maioria mulheres brancas (47%), seguida de pardas (41%) entre 20 a 40 anos; nível educacional, 60%, até ensino médio. Referente a complicações graves/condições potencialmente ameaçadoras à vida, a maior associação com NMM é a sepse (38%) e a menor, 13%, a pré-eclâmpsia. As intervenções críticas mais usadas foram: utilização de hemoderivados (72%) e 38% a laparotomia. As condições ameaçadoras à vida são as diversas disfunções orgânicas que caracterizam o NMM. As maiores associações se referiram às disfunções: cardiovascular (5,6%) e hematológica/coagulação com o mesmo percentual. O NMM está relacionado a cesariana (59%) como modo final de término da gestação, assim como a ocorrência de prematuridade, com idade gestacional média de 32 semanas. Devido à gravidade das disfunções encontradas 50% da amostra são encaminhadas a outro serviço de maior complexidade. Como manejo da hemorragia pós-parto a intervenção prevalente foi a histerectomia (56%). Referente as condições subjacentes ao NMM, existe maior prevalência de Infecção relacionada à gestação (38%) e menor prevalência de transtornos hipertensivos (16%). A patalogia associada/contribuinte de maior prevalência associada ao NMM é a anemia (56%), assim como a mulher com cesárea anterior.
Entre 2016/2017 a hemorragia obstétrica grave correspondeu a 88,23% dos casos de NMM. Atualmente, observamos queda da prevalência do NMM devido sangramento pós-parto após capacitação da equipe. A prevalência de NMM variou 0,80-8,23% e no Brasil é de 10,2 casos de NMM para mil nascidos vivos apesar dos vieses de coleta a nível Brasil (OMS,2011) este estudo apresentou 4,6 casos de NMM. A ocorrência de sepse foi a condição clínica que mais desencadeou o NMM, refletindo a necessidade de implantação de adequadas medidas preventivas e capacitação da equipe. Pré-eclâmpsia/eclampsia foi a que teve menores associações, mostrando que há uma boa condução a nível hospitalar destes casos, com uso oportuno dos anti-hipertensivos, indicação pertinente de resolução da gestação, uso de sulfato de magnésio. Porém, o principal motivo de internação em leito de UTI tem sido a pré-eclâmpsia, reflexo da assistência inadequada no pré-natal, apesar da melhora progressiva na assistência desta comorbidade. O elevado número de cesarianas aumenta o NMM, já que essa via de parto está associada a maior numero de complicações, como acretismo placentário, infecções, embolia pulmonares, entre outros. São necessários estudos periódicos de NMM.
Near Miss Materno, prevenção, mortalidade materna
Sara Priscilla de Castro Rocha Figueiredo, Monica Bilia, Vitoria Cristina de Araujo Pedroso, Natalie Adler Piepszik, Fernanda Gastaldo dos Santos, Sandra Dircinha Texeira de Araujo Moraes