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No início do ano de 2024 foi entregue a obra do bloco anexo do Departamento Técnico de Controle de Zoonoses (DTCZ), contemplando as dependências de sala de necropsia, sala de vacinação antirrábica de cães e gatos, laboratório e sala administrativa. A sala de necropsia atende a uma demanda crescente de coleta de amostras de animais domésticos e silvestres captados tanto por órgãos municipais (Guarda Ambiental, Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) e Centro de Proteção ao Animal Doméstico (CEPAD) como por solicitação direta do munícipe ao DTCZ. A necropsia e coleta de materiais biológicos desses animais permite realizar a vigilância de doenças zoonóticas, dentre as quais: Raiva, Febre Amarela, Febre do Oropouche, Fasciolose Hepática, Febre do Nilo, dentre outras. Desta forma, essa atividade insere-se no contexto de “Uma Só Saúde”, onde a vigilância da circulação de agentes zoonóticos em animais permite a elaboração e adoção de medidas preventivas e de controle de zoonoses em relação à saúde humana.
Relatar a experiência de vigilância de doenças zoonóticas através da atividade de necropsia em animais silvestres e domésticos encaminhadas ao DTCZ. Identificação da circulação de agentes zoonóticos, possibilitando a tomada de ações preventivas no âmbito da saúde pública.
O DTCZ recebe cadáveres de animais suspeitos de infecção por agente zoonótico originados tanto do CEPAD, CETAS, Guarda Civil Municipal Ambiental como também coleta “in loco”, pelo próprio DTCZ, em via pública ou em residências. A coleta de material biológico dos cadáveres de animais domésticos e silvestres foi realizada através de técnica de necropsia realizada pela equipe de médicos veterinários do DTCZ e envio do material para diagnóstico nos laboratórios de referência (Divisão de Vigilância de Zoonoses de São Paulo, Instituto Adolfo Lutz, Instituto Biológico e Instituto Pasteur). As amostras coletadas foram preservadas em formol a 10% ou congeladas dependendo do agente a ser pesquisado e da técnica de diagnóstico realizada. A necropsia e o envio do material coletado ao laboratório de referência foram realizados na mesma semana da captação da amostra.
Desde a inauguração da atividade até o término do ano de 2024, foram realizadas 42 necropsias, sendo 03 aves, 01 capivara, 33 saguis, 01 cachorro do mato, 01 quati e 03 saruês. Nenhum caso positivo de doença de relevância para a saúde pública foi diagnosticado nas amostras pesquisadas neste período do ano de 2024, porém a realização das necropsias, especificamente no caso de primatas não humanos, nos permitiu identificar um surto de herpesvírus humano transmitido para saguis de um condomínio residencial; vírus que, nesses animais, diferentemente do que causa nos humanos, leva a sintomas severos, causando morte e podendo exterminar o bando. A identificação laboratorial desse vírus como causa da morte dos animais, permitiu ao DTCZ alertar a população do condomínio quanto aos cuidados para evitar transmitir a doença para os saguis (e também evitar transmissão inversa da doença dos saguis para seres humanos), a fim de preservar a fauna silvestre do local.
A realização de necropsia de animais silvestres e domésticos é uma importante ferramenta para a vigilância de zoonoses pois, muito frequentemente, os casos de doenças zoonóticas em animais precedem o aparecimento da doença nos humanos, possibilitando a adoção de medidas preventivas em saúde pública. Como exemplo recente, temos os casos de Febre Amarela detectados em primatas não humanos (bugios) que vieram a óbito no campus da USP em Ribeirão Preto em dezembro de 2024. Em 2020, através de necropsia para a coleta de material biológico pela equipe técnica do DTCZ, foi possível detectar um caso de Febre Amarela em sagui resgatado doente no Condomínio de prédios Inspire, no Jardim Belval. À época, como o DTCZ ainda não dispunha de sala de necropsia, o procedimento foi realizado em parceria com o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), que cedeu sua sala de necropsia. Dada a importância da vigilância de zoonoses, o DTCZ visa melhor equipar sua sala de necropsia, bem como aumentar a captação de amostras.
Necropsia, saúde pública, zoonoses, vigilância
PAULA DE SOUZA NUNES, LEONARDO PEIXOTO JACON, MARTA CHAVES PEREIRA DE LIMA, VICTOR LOPES DA SILVA