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O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição neurológica que afeta o desenvolvimento da comunicação, interação social e comportamentos restritos e repetitivos. Uma das características é a seletividade alimentar, que se manifesta como uma recusa em experimentar novos alimentos, recusa por diferentes texturas, sabores específicos e comportamentos restritivos em relação à alimentação. Além disso, crianças autistas também apresentam alterações sensoriais, sob o ponto de vista fisiológico, ocorrem estímulos do sistema nervoso somático e visceral, que permite a criança interagir e manusear os alimentos, porém no autismo apresentam dificuldades nesse processo funcional. O atendimento da Nutrição e Terapia Ocupacional no Sistema Único de Saúde por meio do Projeto TEAcolher, desenvolvido no município de Novo Horizonte-SP, é de extrema importância para essas crianças, uma vez que a seletividade alimentar pode levar a deficiências nutricionais, comprometendo o crescimento, o desenvolvimento motor e cognitivo, impactando o aprendizado das habilidades básicas, comportamentais e sociais. O programa tem como justificativa a necessidade de abordar a seletividade alimentar e as alterações sensoriais integrando a terapia alimentar e sensorial, buscando promover um crescimento saudável, regulação comportamental, adequado desenvolvimento global e apoio a inserção na sociedade, gerando uma relação positiva com a alimentação, melhorando sua qualidade nutricional e neurofuncional.
O objetivo do trabalho é melhorar a seletividade alimentar e ampliar o repertório alimentar da criança, promovendo uma alimentação variada e equilibrada, além da adesão de novos hábitos e experiências alimentares. Além de proporcionar a regulação sensorial, ajudando-a a lidar com estímulos alimentares de forma adaptativa e natural, promovendo a autorregulação da criança, com foco nas funções executivas (controle inibitório, flexibilidade cognitiva e memória de trabalho). Viabilizando a autonomia na alimentação e habilidades ocupacionais relacionadas (treino de ensino de habilidades de autocuidado). Trabalhando também as percepções e diferenças sensoriais (visual, tátil, olfato e paladar).
Durante o desenvolvimento do programa, é feito acolhimento familiar, por meio de uma avaliação detalhada da criança, incluindo histórico médico, avaliação nutricional, sensorial, informações sobre preferências e aversões alimentares. É estabelecido um plano de acompanhamento em grupo, envolvendo nutricionista e terapeuta ocupacional. Primeiramente, é implementado uma abordagem gradual de exposição a novos alimentos, respeitando as preferências da criança e suas dificuldades sensoriais, por meio do lúdico os alimentos são manuseados, permitindo a experiência direta de percepções de novas texturas e sensações, utilizando recursos sensoriais para estimular diferentes sentidos e melhorar a tolerância a novos sabores e temperaturas, transformando o alimento com a funcionalidade das práxis produtivas. Complementando com treino de habilidades motoras finas e orais relevantes para a alimentação, como o uso de talheres, a mastigação adequada e atividades ocupacionais para promover a autonomia na alimentação e outras habilidades do dia a dia. São realizadas orientações com a família durante os atendimentos para promover a continuidade do trabalho em casa e ambiente escolar, oferecendo orientações e treinamento para os pais sobre como lidar com a seletividade alimentar e as dificuldades sensoriais em casa. As avaliações são periódicas para monitorar o progresso da criança em relação às metas estabelecidas, ajustando de acordo com as necessidades e evolução da criança.
Ao longo deste programa, foi realizada uma abordagem integrada de atendimento com foco na seletividade alimentar, incluindo o lúdico, terapia alimentar e sensorial, percebeu-se que houve um progresso gradual da aceitação das atividades propostas. As crianças demonstraram pelo comportamento, melhor tolerância da presença dos alimentos oferecidos, vivenciando um repertório de sequências de brincadeiras que permitiram a interação com a comida. Foi percebido que houve maior interesse pela participação e frequência nos grupos para provar novas texturas e sensações, através da dinâmica do ambiente, como a organização da mesa de refeição, o corte, o descasque, o pareamento, visando a prática da funcionalidade necessária da cozinha e do se alimentar, explorando os alimentos nos seus diferentes tamanhos, cores, cheiros e sabores. A partir das orientações com os familiares, os mesmos relataram que os resultados foram positivos e que a criança apresentou interesse em explorar e experimentar novos alimentos, conforme foram realizados os grupos, as crianças aumentaram o interesse alimentar e demonstraram melhor comportamento em diversas situações do dia a dia, onde foi analisado melhora em curto prazo do seu estado nutricional, desenvolvimento neurofuncional e boa flexibilidade cognitiva em outras condições do cotidiano.
Em conclusão, os atendimentos na seletividade alimentar, são estratégias propostas eficazes para promover o bem-estar e a qualidade de vida. Com um planejamento cuidadoso, uma abordagem individualizada e o comprometimento profissional, é possível proporcionar oportunidades de desafios, possibilidades de apoio e referências direcionadas a grande complexidade que é o cérebro na primeira infância, composto de grande carga de estímulo e que quando supervisionado é como a neuroplasticidade, viabilizando caminhos para o aprendizado e a aceitação do novo. A maior resposta dos resultados obtidos é a satisfação da família em participar e perceber as mudanças da criança, que partindo de uma característica desenvolvida, como a alimentação, consegue entender que a vida ao seu redor pode ser leve e flexível. Foi de grande importância a parceria com as mães que foram acolhidas e orientadas durante o processo, que continuaram o trabalho generalizado com persistência e paciência, pois houveram evidências que o programa pode ser maior e gratificante, quando feito com olhar diferenciado e humanizado. O projeto foi idealizado em 2022 no Sistema Único de Saúde (SUS) que trouxeram resultados evolutivos tanto para as famílias quanto para a sociedade.
TEA, SAÚDE MENTAL.
ALESSANDRA CRISTINA FHILADELFO CECOTE, LAÍS RUIZ ROMERA, AMARÍLIS BIASI DE TOLEDO PIZA, NELSILENE APARECIDA AMARAL SEGANTINI