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O aumento da procura pelo serviço de saúde público pós-pandemia fez com que gerasse acúmulo nas filas de espera para os tratamentos das condições crônicas, especialmente ao que tange a tratamentos farmacológicos, não-farmacológicos e reabilitação (mental e física). Técnicas não- invasivas estão sendo desenvolvidas para a modulação da função cerebral. Destaca-se a estimulação transcraniana por corrente contínua (TDCS), que tem como objetivo modificar a excitabilidade cortical. Ou seja, é uma intervenção neuromoduladora que induz alterações na excitabilidade do córtex motor humano. Conforme o tecido nervoso é estimulado, a atividade elétrica do potencial de repouso da membrana é modificada e excitada. Se a estimulação é aplicada a partir de 9 minutos, as alterações nas células nervosas podem persistir por mais de 1 hora. Esta técnica pode ser utilizada na melhora da aprendizagem motora, distúrbios neurológicos e motores, síndromes dolorosas e vícios. A utilização da ETCC, por se tratar de uma técnica simples, não invasiva e de baixo custo possibilita a ampliação e potencialização dos recursos terapêuticos já ofertados dentro da assistência ambulatorial e de reabilitação dos pacientes no Sistema Único de Saúde. O trabalho foi realizado pela Secretaria Municipal de Saúde em parceira com a entidade filantrópica CESB.
Proporcionar potencialização na reabilitação física e/ou mental através da excitabilidade cortical; diminuir a fila de espera para atendimentos com as especialidades (fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia e terapia ocupacional); melhorar as condições crônicas; diminuir a utilização de fármacos pelos pacientes e consequentemente o quantitativo de custeio pela gestão.
Enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudióloga e terapeuta ocupacional foram capacitados. Foram selecionados pacientes, (adultos e crianças) com condições/doenças crônicas (TEA, depressão, ansiedade, doença de Parkinson, paralisia cerebral, autismo, dor crônica, disfagia e alterações na fala) que são atendidos nas unidades básicas de saúde e na CESB, utilizando a ETCC por 20 sessões em sequência (de segunda-feira a sexta-feira), com intervalo sem administração da ETCC por 10 sessões e finalizando com mais 20 sessões de administração, totalizando 40 sessões de tratamento. Os pacientes foram submetidos a avaliações antes de iniciar o tratamento e após 20 sessões. É colocado um eletrodo diretamente no couro cabeludo (0-2,5 mA) para produzir uma corrente contínua de baixa intensidade (corrente galvânica), durante 20 minutos. O anodo é posicionado na região a ser estimulado, enquanto o cátodo na região a ser inibida. As placas são de silicone, envolvidas num envelope de tecido e embebidos em soro fisiológico. Ao mesmo tempo em que a estimulação era utilizada, alguns exercícios foram realizados em conjunto. Ao término do protocolo, os pacientes retornarão há cada 06 meses para que haja a manutenção dos resultados obtidos
Os pacientes apresentaram melhora da motricidade fina e grossa, melhora da fala e disfagia, melhora da marcha, melhora da ansiedade e depressão. Melhora quase total da dor crônica. A redução do consumo de fármacos foi observada em todos os pacientes. Os pacientes com TEA apresentaram evolução do aprendizado e melhora da comunicação verbal e não-verbal. Já nos pacientes com doença de Parkinson foram perceptíveis a melhora dos tremores, rigidez, alteração de fala, de voz e de deglutição. Diretamente ligado ao projeto, foi observado a redução das filas de espera para as especialidades.
O uso da ETCC para o tratamento da depressão, ansiedade, TEA, dor crônica, doença de Parkinson, disfagia e alteração de motricidade e na fala fez com que melhorassem as sequelas/condições destas patologias, melhorando a qualidade de vida e as atividades de vida diária dos pacientes. Além disso, essa técnica por não necessitar de um alto investimento e apresentar fácil aplicação, associada a terapias convencionais, favorece a redução do uso de medicamentos e de custeio dos mesmos, significativa redução das filas de espera para as especialidades. O acesso a este método no SUS, favorece a equidade nos tratamentos disponíveis e a integralidade no cuidado.
TDCS, neuromodulação, TEA, AVE, disfagia.
Caio da Cunha Pinto, Tatiana Claus Silva