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A estratégia surgiu em resposta à queda no número de notificações de Acidentes de Trabalho (AT), pelas unidades de saúde de urgência e emergência da Rede Mário Gatti (RMG), do município de Campinas. Essas unidades são os locais de porta de entrada para os atendimentos aos trabalhadores. Embora em 2011 tenha ocorrido a implantação do Relatório de Atendimento do Acidentado do Trabalho (RAAT) nessas unidades, como uma forma de utilização de um instrumento simples para coleta de dados, pois a ficha de notificação do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) demanda tempo para seu preenchimento. Verificou-se que houve diminuição no recebimento dessas fichas, pela equipe do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) e também uma mudança significativa no quadro de profissionais da saúde, apontando para necessidade de nova aproximação para avaliação do fluxo dessa informação entre as unidades e a unidade de saúde do trabalhador. Além disso, percebeu-se demanda de trabalhadores atendidos nas unidades da RMG que procuravam as unidades básicas de saúde para solicitar atestado médico, pois haviam sido liberados sem o atestado. Assim, aproveitou-se o momento para avaliar juntamente com os profissionais, a ficha de RAAT e a Declaração e Comunicação de Acidente de trabalho (DCAT).
Objetivo geral Aumentar as notificações de acidentes de trabalho graves e fatais, a partir dos atendimentos realizados nas unidades de urgência e emergência da RMG, para que possibilite traçar o perfil epidemiológico dessas ocorrências, além de intervir oportunamente nos ambientes de trabalho, a partir da investigação dos casos, minimizando risco de exposição dos trabalhadores. Objetivo específico Avaliar os instrumentos utilizados pelos profissionais de saúde; Compreender o fluxo de atendimento aos trabalhadores nas unidades de urgência e emergência da RMG; Propor adequações nos instrumentos utilizados, otimizando o trabalho dos profissionais de saúde; Garantir o afastamento dos trabalhadores acidentados.
O primeiro contato foi realizado com os gestores das unidades de urgência e emergência da RMG, ou seja, 4 Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e 2 Pronto Socorros (PS) municipais, sendo que 1 deles tem equipe terceirizada para os atendimentos médico e de enfermagem. Apenas 2 gestoras já conheciam o RAAT, mas relataram que naquele momento não havia fluxo definido. Apresentamos os instrumentos e colocamos para sugestões, pois era o momento em que estavam revendo o processo de trabalho, capacitando as equipes de enfermagem para realização da classificação de risco nas UPAs e PSs. Os profissionais médicos eram os responsáveis pelo preenchimento dos instrumentos, sendo que deveriam preencher o RAAT, a DCAT e o atestado médico, para cada trabalhador acidentado atendido. A partir dessa primeira reunião, foi apontada a necessidade de revisão de alguns campos do RAAT, dividindo o preenchimento em duas partes, a primeira, com dados de identificação, para preenchimento pela equipe de enfermagem, a segunda, com a descrição da lesão e dados sobre o acidente de trabalho. Também foi sugerido que a DCAT fosse transformada em um Atestado Médico do Acidentado do Trabalho (ATECAT), pois os profissionais de saúde passariam a preencher apenas 2 instrumentos, contribuindo para otimização e melhor avaliação e orientação aos trabalhadores acidentados.
Após a devolutiva com a versão final dos instrumentos, os quais foram padronizados e incorporados nos impressos da RMG. No PS em que a equipe é terceirizada, fizemos um treinamento, explicando aos profissionais o objetivo e a importância da notificação e de investigar a relação da queixa do paciente e o seu trabalho. Percebemos diminuição de procura de trabalhadores, com solicitação de atestado médico nas unidades básicas de saúde e no Cerest, pois no atendimento já recebe o ATECAT, que terá assegurado o afastamento inicial e as orientações gerais para os profissionais de saúde e trabalhadores. O RAAT permite alimentar o banco do Sinan, desencadeando ações para melhoria dos ambientes de trabalho, protegendo o trabalhador coletivamente. Os números de notificações de acidentes de trabalho aumentaram significativamente, sendo 548 em 2022, 1939 em 2023 e 2827 em 2024. Dos 5314 acidentes de trabalho notificados, 88,30% foram notificados pelas unidades da RMG.
Atualmente, as fichas de RAAT são preenchidas e enviadas para digitação no Cerest, que são revisadas e completadas por uma profissional da enfermagem e posteriormente inserida no Sinan por uma profissional digitadora. Verificamos que o Pronto Socorro que possui equipe terceirizada, não tem enviado fichas, ou seja, não tem notificado acidentes de trabalho, sendo necessária nova aproximação, reavaliação do fluxo e nova capacitação da equipe local. Além disso, percebemos que muitas fichas são enviadas para o Cerest, com campos de preenchimento obrigatório no Sinan, não preenchidos adequadamente, demonstrando que precisamos retomar processos formativos para os profissionais da saúde que fazem esse atendimento aos trabalhadores. Alguns outros campos de preenchimento obrigatório, não estão contemplados nessa versão do RAAT, apontando para a necessidade de revisão da ficha e atualização, para que seja possível realizar análise epidemiológica, priorizando as investigações de acidente de trabalho graves e fatais, bem como as intervenções nos ambientes e processos de trabalho, para minimizar riscos de exposição de demais trabalhadores.
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CHRISTIANE SARTORI DE SOUZA, MARIA DOLORES PEZATO, ANDRÉA TAVARES, ELIANA DOS SANTOS PAIÃO PEREIRA, CASSIANA KELLY SALES