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A tuberculose permanece um dos maiores desafios para a saúde pública global, com alta prevalência e impacto, especialmente em países em desenvolvimento. No Brasil, em 2020, foram registrados aproximadamente 72.000 casos novos, representando uma taxa de 34,7 casos por 100.000 habitantes, posicionando o país entre os mais afetados pelas Américas. A tuberculose tem se concentrado especialmente em áreas de alta vulnerabilidade, mas sua prevalência continua a ser um problema de saúde em diversas regiões. Em resposta a esse cenário, em 2023, foi implementada uma ação de busca ativa de pacientes com suspeita de tuberculose na Comunidade Canto do Rio Verde. Esse esforço gerou um resultado positivo, com a identificação de novos casos em 2024, destacando a importância da busca ativa, não apenas em áreas de maior risco, mas em todo o território. Durante as intervenções, foram identificados fatores que dificultam o acesso à saúde e ao diagnóstico, como o conhecimento insuficiente sobre a doença, a falta de campanhas educativas, a inadequação das instalações nas unidades de saúde para a realização de exames, bem como dificuldades na execução dos testes e no acesso aos serviços de saúde. Esses desafios reforçam a necessidade de um trabalho contínuo de conscientização e de ampliação do acesso a cuidados de saúde para o controle eficaz da tuberculose.
O presente estudo tem como objetivo principal a identificação precoce de pacientes portadores de tuberculose, com o intuito de reduzir a incidência e a propagação da doença. Para alcançar esse objetivo, serão implementadas diversas ações, como a busca ativa territorial por meio de grupos e visitas domiciliares, a capacitação da equipe de saúde sobre a enfermidade e a utilização de ferramentas de análise de dados. Com essas iniciativas, espera-se melhorar o prognóstico dos pacientes e diminuir os custos e impactos sociais associados à tuberculose.
Este estudo adotará uma abordagem prática e integrada para a identificação precoce de pacientes com tuberculose. A capacitação da equipe de saúde será realizada por meio de treinamentos sobre a doença, com líderes designados para coordenar as ações, definir cronogramas e planejar, junto à equipe NUVIS, as estratégias de atuação. A busca ativa de sintomáticos respiratórios ocorrerá durante visitas domiciliares e ações territoriais, envolvendo profissionais de saúde como ACS, médicos, enfermeiros e dentistas. O objetivo é alcançar 95% da população cadastrada na UBS, com incentivo à coleta de, no mínimo, 5 amostras de escarro por mês, totalizando 25 amostras mensais. O monitoramento será feito por meio de ferramentas como a planilha aranha, e a eficácia das ações será avaliada periodicamente, ajustando estratégias conforme necessário. Essa metodologia visa garantir uma abordagem sistemática e eficaz para a identificação precoce de pacientes com tuberculose, melhorando a saúde pública e a qualidade de vida da comunidade.
Após a implementação das ações propostas, observou-se um aumento significativo na coleta de amostras, resultando na identificação de mais casos positivos de tuberculose. Em 2024, com uma população total de 19.777 indivíduos, a meta inicial era identificar 198 sintomáticos, mas foram identificados 216, superando as expectativas. A previsão de 13 casos de tuberculose foi também superada, com 19 casos identificados. Esses resultados destacam a eficácia das ações de busca ativa e capacitação da equipe, especialmente as visitas domiciliares e as atividades territoriais, que ampliaram a cobertura e a identificação de casos. A sensibilização e educação em saúde também foram cruciais para esses resultados, evidenciando a importância de dar continuidade e expandir essas estratégias para melhorar a saúde pública e a qualidade de vida da comunidade. Os resultados deste estudo demonstram a importância e a eficácia das ações de busca ativa e da capacitação da equipe de saúde na identificação precoce de pacientes com tuberculose.
A superação das metas estabelecidas, tanto no número de sintomáticos identificados quanto nos casos de tuberculose diagnosticados, evidencia o impacto positivo das visitas domiciliares, ações territoriais e estratégias de sensibilização em saúde. A capacitação contínua da equipe e a utilização de ferramentas para monitoramento e análise de dados também foram essenciais para o sucesso das ações. No entanto, os desafios identificados, como a falta de conhecimento sobre a doença e as dificuldades no acesso aos serviços de saúde, reforçam a necessidade de ampliar essas iniciativas, garantindo maior cobertura e acesso à população. A manutenção e o fortalecimento das iniciativas de busca ativa, educação em saúde e capacitação profissional são fundamentais para enfrentar a tuberculose de maneira eficaz e sustentável a longo prazo.
tuberculose, APS, Capacitação equipe saúde
ALINE DE SOUSA MARQUES, CARLA BARBOSA ARAUJO CARVALHO, ELIANA APARECIDA DO NASCIMENTO, NAJILA DA ROCHA SANTOS, JOSÉ ROBSON NEVES CAVALCANTI FILHO, GABRIEL DE OLIVEIRA BARROS, PRISCILA SENNA MAYRBAURL, RODRIGO RIBEIRO