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O Núcleo de Apoio Intra e Intersetorial é uma estratégia do processo de trabalho dos agentes de apoio ao controle ambiental (agente de controle de endemias em Campinas). Visando desenvolver o conhecimento destes sobre intrasetorialidade (relação da vigilância com outras áreas da saúde) e intersetorialidade (relação da vigilância com outros setores da administração pública) para que as ações de combate às arboviroses e atuação em situações complexas pudessem ser mais efetivas. Foram organizadas reuniões mensais, a partir de 15/02/2023, com os agentes de todos os distritos sanitários de Campinas. Onde os trabalhadores eram chamados a analisar uma situação problema, pensar nos potenciais riscos à saúde relacionados àquela determinada situação, identificar e mapear os equipamentos existentes no território como forma de identificar as potencialidades e oportunidades de atuação. E por fim, analisar o que é necessário conhecer sobre estes equipamentos para uma possível ação conjunta. A atuação do agente de controle de endemias é de extrema importância para o combate às doenças endêmicas, pois atuam como elo entre as equipes de vigilância e as unidades de saúde, tendo significativa importância para a população. Neste sentido, estratégias como a apresentada pode contribuir no desenvolvimento dos profissionais, qualificação das ações e melhores resultados do trabalho, além de valorizar o saber prévio dos profissionais e apoiar para que desenvolvam ainda mais suas competências.
Objetivo Geral: Qualificar o processo de trabalho dos agentes de controle ambiental e agentes de apoio ao controle ambiental na atuação intra e intersetorial no que tange às arboviroses, zoonoses e determinantes ambientais em saúde. Objetivo específico Valorizar o conhecimento prévio dos profissionais para facilitar a resolução de problemas; Apoiar o desenvolvimento de conhecimento intrassetorial e intersetorial a fim de qualificar a prática dos agentes; Apoiar o desenvolvimento de olhar ampliado do risco à saúde e dos determinantes ambientais e sociais de saúde; Aprofundar o conhecimento de outros setores e realizar aproximação com outras áreas favorecendo os encaminhamentos das demandas e as “resoluções” dos problemas; Promover o conhecimento de outras áreas favorecendo as relações institucionais com outros setores; Investir no desenvolvimento de competência básica intersetorial das equipes de controle ambiental da Vigilância em Saúde.
Foram realizados 12 encontros, entre 15/02/2023 e 11/12/2024, com metodologias ativas, partindo de um problema cotidiano, buscando encontrar diferentes formas de resolvê-lo, a fim de equalizar conhecimento entre as equipes regionais de vigilância, bem como encontrar formas de resolução com parceiros intersetoriais. Participavam cerca de 15 a 20 agentes em cada encontro, com atividades de dispersão, para fixação de conhecimento ou aprofundamento no problema em análise. Os encontros duravam duas a três horas, com atividades individuais e/ou em grupos, por vezes utilizando visualização móvel (tarjetas ou cartazes). Cada encontro tinha um tema específico e as atividades de dispersão visavam aprofundamento no tema. Ao final dos encontros eram realizadas avaliações em formulário específico, com campo de sugestões que eram analisadas e incorporadas na medida do possível. O processo foi coordenado por duas enfermeiras do Departamento de Vigilância em Saúde, sendo uma referência da intersetorialidade e a outra referência da educação em saúde, as quais planejavam e conduziam os encontros. Durante os períodos epidêmicos da dengue os encontros foram pausados, evitando sobrecarga de tarefas para este núcleo. Foram desenvolvidos temas relacionados ao trabalho intrasetorial e intersetorial dos agentes e foi possível também dialogar com setores da administração pública. Além disso, o grupo se envolveu no planejamento de aquisições necessárias e Projetos para Emendas Parlamentares.
Foram desenvolvidas temáticas relevantes ao trabalho dos agentes, como conceitos de intrasetorialidade, intersetorialidade e risco à saúde, mapeamento de áreas de risco, intersetorialidade territorial, análise e reflexão sobre o papel da vigilância em saúde, mapeamento de parceiros intersetoriais no território, propostas de enfrentamento de áreas críticas, planejamento estratégico situacional, governança, calendário epidemiológico, trabalho com acumuladores, catadores e recicladores. Os resultados foram considerados positivos pelos participantes (encontros) e chefias (colegiado), apesar da complexidade da intersetorialidade e a baixa governança que o agente tem. Como aspectos positivos destaca-se: o fomento ao trabalho em equipe; a criação de um calendário epidemiológico base para planejamento das ações de vigilância e educação em saúde com base na sazonalidade das doenças; criação de fluxo de trabalho para atenção aos acumuladores do município, envolvendo abordagem, ferramenta padronizada de levantamento de demanda e documento norteador para investigação e encaminhamento dos casos junto com as unidades básicas de saúde de referência; criação de uma Brigada da Dengue no município de Campinas, ideia que foi formulada e encabeçada pelo Comitê Municipal de Enfrentamento das Arboviroses e Zoonoses, para que cada espaço da prefeitura pudesse ter um profissional designado para olhar e cuidar dos criadouros da dengue, surgindo assim o Compromisso PMC contra as Arboviroses.
Consideramos que o investimento nos profissionais agentes de controle ambiental é de suma importância. Este núcleo profissional é a base dos trabalhos de campo para o controle dos principais agravos e doenças. Eles acumulam saberes sobre os problemas dos territórios, com especificidades e profundidade que auxiliam no desenvolvimento de estratégias de resolução de maneira ascendente, eficiente e eficaz. Fomentar o trabalho integrado das equipes de vigilância em saúde, especialmente no que tange aos determinantes ambientais em saúde pode produzir efeitos benéficos para a população, integrando diferentes saberes e propondo soluções mais efetivas aos problemas cotidianos, contribuindo para a valorização profissional e o enfrentamento dos problemas complexos das grandes metrópoles e suas interfaces com a saúde. E, apesar do reconhecimento de que o trabalho intersetorial é árduo, é gratificante quando os atores intersetoriais se encontram e dialogam sobre o trabalho na sua diferente secretaria, como ocorreu nos encontros com representantes da Secretaria Municipal de Trabalho e Renda, Secretaria Municipal de Serviços Públicos e Defesa Civil, possibilitando replicar os conhecimentos adquiridos e qualificar o trabalho nos territórios.
Controle de Endemias, Intersetorialidade, endemias
PRISCILLA BRANDÃO BACCI PEGORARO, ALOIDE LADEIA GUIMARÃES