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O cuidado em saúde mental, especialmente no campo infantojuvenil, exige abordagens que ultrapassem o modelo tradicional centrado no consultório e no atendimento individualizado (Brasil, 2024). Alinhado aos princípios da Reforma Psiquiátrica, da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e dos direitos humanos, o CAPS Infantojuvenil II Cidade Ademar desenvolveu o Núcleo OcupaCAPS (NOC) como uma estratégia de cuidado que integra arte, escuta sensível, convivência e participação social. O NOC surge da necessidade de criar espaços coletivos de expressão e pertencimento, capazes de fortalecer vínculos, ampliar o protagonismo de crianças, adolescentes e familiares e promover o cuidado em saúde mental de forma territorializada e comunitária. A experiência ocorre nas dependências do CAPS Infantojuvenil II Cidade Ademar, com a abertura do serviço para a comunidade, usuários, familiares e profissionais de outros equipamentos da rede, favorecendo a circulação de saberes, afetos e práticas de cuidado. Ao mesclar linguagens artísticas, convivência e diálogo, o Núcleo OcupaCAPS evidencia que o cuidado em saúde mental se constrói no encontro, na escuta e na valorização das singularidades, reafirmando o SUS como espaço de inclusão, equidade e participação social.
•Promover o protagonismo de crianças, adolescentes e familiares no processo de cuidado em saúde mental, por meio de práticas artísticas e espaços coletivos de escuta, convivência e expressão. •Fortalecer vínculos entre usuários, famílias, profissionais e comunidade, ampliando o cuidado para além das práticas clínicas tradicionais. •Estimular a autonomia, a cidadania e o reconhecimento das potencialidades individuais e coletivas dos participantes. •Consolidar o CAPS Infantojuvenil II Cidade Ademar como espaço vivo, aberto ao território e comprometido com o cuidado em liberdade e a defesa dos direitos humanos.
O Núcleo OcupaCAPS é organizado e conduzido pelas oficineiras do CAPS Infantojuvenil II Cidade Ademar, com apoio da equipe multiprofissional. As atividades acontecem na forma de grandes encontros coletivos, realizados uma vez a cada bimestre, com planejamento prévio e participação ativa dos usuários, familiares e profissionais. Durante os encontros, o CAPS abre suas portas para a comunidade, possibilitando a participação de usuários de diferentes serviços, familiares, profissionais da rede e interessados do território. São organizados espaços de experimentação artística com mesas coletivas repletas de materiais, cores e possibilidades de criação. As ações envolvem diversas linguagens artísticas, como artes visuais, artes cênicas, música, poesia e outras formas de expressão, permitindo que cada participante escolha como deseja se expressar. A escuta sensível e o acolhimento orientam todas as atividades, respeitando o tempo, a singularidade e os limites de cada pessoa A participação ocorre de forma livre, permitindo que cada participante escolha permanecer, circular ou transitar entre as estações, conforme seus interesses e necessidades. As oficineiras atuam como facilitadoras dos processos criativos, garantindo um ambiente de acolhimento, cuidado e respeito às singularidades.
A implementação do Núcleo Ocupa CAPS tem demonstrado impactos significativos no cotidiano institucional e nos processos de cuidado. Observa-se maior engajamento dos participantes nas atividades, ampliação das formas de expressão emocional e fortalecimento dos vínculos entre usuários, profissionais e espaço institucional. O formato aberto e não hierarquizado das estações favorece a autonomia e o protagonismo, permitindo que crianças e adolescentes se reconheçam como sujeitos ativos de suas produções. O NOC contribui para ressignificar o CAPS IJ e para a redução do estigma associado ao sofrimento psíquico, ao apresentar o serviço como espaço de vida, criação e cidadania.
O projeto Núcleo Ocupa CAPS (NOC) evidencia a potência da arte e da cultura como dispositivos centrais no cuidado em saúde mental infantojuvenil. Ao ocupar todos os espaços do CAPS IJ com experiências sensíveis, criativas e coletivas, o NOC reafirma os princípios da Reforma Psiquiátrica, da atenção territorial e do cuidado em liberdade. O NOC é um espaço vivo, mais do que um projeto de oficinas, onde crianças, adolescentes, familiares e profissionais podem se reconhecer, se expressar e se reinventar. A experiência fortalece o cuidado em liberdade, amplia a autonomia dos participantes e aponta para a continuidade e ampliação de práticas comunitárias como estratégia fundamental para a promoção da saúde mental.
saude mental, promoção em saúde
JESSICA AQUINO DA SILVA, DAIANE DE ABREU LIRA, CARLA AGUIAR