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Diversos fatores de risco estão relacionados a problemas na gravidez, parto, puerpério e saúde do bebê. Esses fatores incluem tabagismo, consumo de álcool, baixo peso ou obesidade antes da gravidez, além de aspectos socioeconômicos e culturais negativos. Estudos mostram que a gravidez afeta o corpo de várias maneiras, e a nutrição da mãe antes da gestação é crucial para o crescimento do feto, que também é afetado pelo ambiente. Há uma falta na ingestão de nutrientes essenciais, como ferro e folato. A falta de pré-natal está ligada a fatores socioeconômicos e educacionais, tornando o acesso a esse cuidado complicado. Apenas 15% das grávidas no Brasil recebem pré-natal adequado, e cerca de 15% têm gestações de alto risco. A adesão das pacientes às orientações de saúde é vital para bons resultados na gravidez. É importante que haja colaboração entre profissionais para melhorar a saúde das mulheres.
Proporcionar ações de promoção da saúde, com foco na alimentação saudável e prevenção de agravos à saúde para mãe e o bebê, a curto médio e longo prazo para mulheres atendidas na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Alfredo, visando aumentar a adesão e vínculo das gestantes com a UBS.
Gestantes cadastradas na unidade de referência UBS Jd Alfredo, identificadas e acompanhadas pela equipe de estratégia saúde da família (ESF) foram encaminhadas para o Grupo de Gestantes, realizado mensalmente pela Equipe Multiprofissional e Enfermeira de Saúde da Mulher, com duração de 1 hora e um total de 9 encontros, abordando as seguintes temáticas: 1- Apresentação do trabalho a ser realizado, conferência da caderneta da gestante, roda de conversa sobre alterações fisiológicas durante a gestação e importância do pré-natal; 2: Organização e prática do exercício físico na gestação, enfocando postura e prevenção de dores osteomusculares; 3: Saúde bucal e amamentação, dinâmica de como escovar os dentes de maneira adequada; 4: Empoderamento e individualidade do parto, cuidados no pós-parto, resguardo, elaboração do plano de parto; 5: Direitos e Deveres da Gestantes, licença maternidade, adoção, lei de amamentação, estabilidade no emprego, bilhete único da gestante; 6: Oficina de Arte Gestacional e registro fotográfico da família; 7: Ansiedade e compulsão alimentar, prática de mindfull eating com sorvete de banana ou uva-passa; 8: Cuidados com o recém-nascido e higiene materna, primeiros dias do bebê, tipos de leite materno; 9: Fechamento, informativos sobre Kit Mãe Paulistana e chá das gestantes.
De acordo com eSUS-AB de 2024, a UBS Jd Alfredo possui uma população de aproximadamente 22.337 usuários, divididos em 7 Esquipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF). Sendo elas 108 usuárias gestantes (0,48% da população total). Destas, 27 gestantes eram de alto risco e 81 de baixo risco. As comorbidades levantadas foram HAS, DM2, DMG, obesidade, baixo peso, idade superior a 40 anos, e histórico de pré-eclâmpsia. Ao longo do ano de 2024, 78 gestantes compareceram ao grupo, com participação de aproximadamente 10 gestantes por mês. A média de idade foi de 32,8 anos. A coleta de dados foi realizada de forma subjetiva, com verificação das equipes ESF e com relato das gestantes durante os grupos. As equipes ESF relataram que gestantes que participaram pelo menos uma vez no grupo aderiram mais às consultas de pré-natal. Por sua vez, as gestantes que participaram dos grupos referiram que possuíam mais propriedade ao falar sobre sua gravidez, e se sentiam mais seguras para lidar com o cotidiano, no ambiente de trabalho, nas consultas e até em casa com familiares e amigos. Os relatos foram escritos manualmente e arquivados nos prontuários.
O período de gestação é considerado uma intensa transformação na vida da mulher, onde há um bombardeamento de informações que possuem ou não cunho científico e podem interferir positiva ou negativamente na saúde da mãe e do bebê. Além das mudanças fisiológicas, fatores socioeconômicos, demográficos e culturais interferem na adesão às consultas pré-natal. Desta forma, o presente estudo buscou ofertar alternativas lúdicas e acolhedoras a fim de cativar o cuidado em saúde no período gestacional e garantir maior adesão das usuárias. Como resultado, obtemos uma maior adesão às consultas médicas, e maior satisfação das gestantes aos serviços da UBS, além do empoderamento para tomada de decisão das mesmas. A presente pesquisa apresentou como limitação o desenho metodológico observacional, onde os relatos foram realizados de forma subjetiva pelas equipes de saúde e pela população estudada, diminuindo o poder de inferência de causa e efeito entre as variáveis associadas. Todavia, torna-se imprescindível conhecer os fatores sociodemográficos e comportamentais que podem comprometer a qualidade de vida das gestantes, no sentido de reconhecer as vulnerabilidades e direcionar a assistência com vistas a minimizar os impactos negativos.
Alimentação saudável, saúde da mulher, gestante
ISABELLA PEREIRA COSTA, NATHÁLIA DE SOUZA RIBEIRO SANCHES