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A diabetes mellitus tipo 2 (DM2) representa uma significativa preocupação de saúde pública no Brasil, afetando aproximadamente 12,1% da população entre 30 e 69 anos em Ribeirão Preto. Caracterizada pela resistência insulínica e fatores de risco como obesidade e sedentarismo, a DM2 exige tratamento que varia desde mudanças no estilo de vida até a utilização de medicamentos. O uso racional de medicamentos (URM) é essencial para garantir a eficácia do tratamento, promovendo a adesão do paciente e minimizando complicações como retinopatia e infarto do miocárdio. Nesse cenário, o agente comunitário de saúde (ACS) se destaca como um elo fundamental entre a equipe de saúde e a população, desempenhando um papel crucial na orientação e monitoramento de pacientes diabéticos. Pela proximidade do ACS com as pessoas diabéticas, durante as visitas domiciliares e o atendimento na unidade de saúde, é possível orientar sobre a adesão ao tratamento, incentivar o controle glicêmico, explicar a importância do autoexame dos pés, identificar pacientes faltosos, dentre outras atividades. Dessa forma, a capacitação dos ACS é vital para promover o conhecimento e melhoria na qualidade do cuidado em saúde.
Desenvolver uma oficina para capacitar os ACS da rede municipal de saúde de Ribeirão Preto a respeito do URM em Diabetes Mellitus, sensibilizando-os sobre a relevância do tema.
Com base no sucesso da oficina sobre URM (Uso Racional de Medicamentos) realizada em 2023, a oficina “URM em Diabetes Mellitus” focou em uma abordagem mais específica para a doença. Ela foi planejada pela Coordenadoria de Educação Permanente em Saúde e pela Coordenação da Estratégia Saúde da Família, com o objetivo de ampliar o conhecimento dos ACS na identificação do uso irracional de antidiabéticos, auxiliando na orientação sobre o uso correto de medicamentos, acesso aos insumos e no trabalho em conjunto com a equipe de saúde. A oficina foi repetida em dois momentos distintos, com duração de 4 horas, divididas em duas etapas: teórica e prática. A etapa teórica abordou temas como a fisiologia do diabetes, o uso de medicamentos antidiabéticos orais e injetáveis, o armazenamento e descarte de insulina e a dispensação de glicosímetros. Já a parte prática foi composta por dinâmicas grupais, divididas em três estações. A primeira, com um mapa de conversação sobre a diabetes e medicamentos; a segunda, com a demonstração do uso do glicosímetro; e a terceira, com discussão de caso clínico sobre comorbidades e desafios enfrentados pelos pacientes. Farmacêuticas da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), residentes do Programa de Residência Multiprofissional em Atenção Integral à Saúde (RMAIS/USP) e aprimorandas do Programa de Aprimoramento Multiprofissional em Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus (PAMHADM) colaboraram como mediadores.
A oficina de 4horas foi realizada e repetida em dois dias. As inscrições foram por formulário no Google Forms®. Participaram 85 ACS, de 23 unidades de saúde (das 35 existentes no município que possuem ACS). A oficina teve colaboração de 13 farmacêuticos, que se revezaram nos 2 períodos das atividades. A seguinte avaliação foi aplicada aos participantes: O que mais lhe agradou a respeito da oficina? E o que lhe desagradou? “Eu já me se sentia preparado para lidar com questões relativas ao uso racional de medicamentos em Diabetes Mellitus no meu ambiente de trabalho”? “Eu me sinto mais preparado para lidar com questões relativas ao uso racional de medicamentos em Diabetes Mellitus no meu ambiente de trabalho após a oficina? Você se sente preparado para compartilhar no seu local de trabalho o conhecimento adquirido após a capacitação? Dos 85 participantes da oficina, 71 preencheram o formulário de opinião. Destes, 50 disseram que nada desagradou (70,4%), 9 assinalaram incômodo com local da oficina (12,7%), 21 marcaram parcialidade na concordância (29,6%), informando que já se sentiam preparados para lidar com uso racional de medicamentos em Diabetes Mellitus em seus trabalhos, 42 (59,2%) disseram se sentir mais preparados para lidar com questões relativas ao uso racional de medicamentos em Diabetes Mellitus no trabalho após a oficina e 65 (91,5%) assinalaram se sentir mais preparados para compartilhar os conhecimentos com as equipes de saúde e com os pacientes após a oficina.
Diante da alta incidência de DM tipo 2 no Brasil e suas complicações, bem como da necessidade de utilizar medicamentos para tratar essa condição, reconhecemos a importância do ACS como elo entre a equipe de saúde e a comunidade, desempenhando um papel essencial como multiplicador de conhecimento. Com o objetivo de capacitar e fortalecer esses profissionais para aprimorar a qualidade da assistência à saúde, foi realizada uma oficina focada no URM em DM. Os ACS demonstraram grande interesse pelo tema, participaram ativamente nas atividades práticas e a maioria se sente mais preparada para compartilhar os conhecimentos adquiridos com os pacientes e com a equipe de saúde.
agente comunitário de saúde, diabetes mellitus
MARIA EDUARDA BIAGI MOROTI, MAÍRA OLIVEIRA DOS SANTOS, DANIELA DE BORTOLI SANCHES, FERNANDA GARCIA DE OLIVEIRA BARUFFI, RUTE APARECIDA CASAS GARCIA, MARIANA BODONI MASSOCATO MACHADO, LÚCIA HELENA TERENCIANI RODRIGUES PEREIRA