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O presente trabalho tem como objetivo apresentar a ampliação das ações de vigilância em saúde do trabalhador realizadas pelo CEREST Regional Guarulhos, destacando o período de 2021 a 2024. Essa experiência se desenvolveu em um cenário de retomada pós-pandemia, marcado pela reorganização das equipes, replanejamento das ações e implementação de estratégias voltadas à prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. Entre as principais iniciativas, destacam-se a intensificação das inspeções sanitárias em ambientes laborais de alto risco, o fortalecimento da vigilância epidemiológica e da qualidade das notificações no SINAN, as capacitações técnicas das equipes das Redes de Atenção à Saúde, a articulação intersetorial com órgãos públicos e instituições de ensino, e a promoção de atividades educativas nos territórios industriais do município. Dessa forma, o relato a seguir descreve os avanços quantitativos e qualitativos alcançados, analisando os impactos das estratégias adotadas sobre a capacidade de inspeção, a consolidação técnica da equipe e o fortalecimento da política pública de saúde do trabalhador no território de Guarulhos. A ampliação das ações também foi favorecida por mudanças estruturais no âmbito municipal, como a atualização do Código Sanitário de Guarulhos em 2024.
Apresentar a ampliação das ações de vigilância em saúde do trabalhador realizadas pelo CEREST Regional Guarulhos, com foco na prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.
Trata-se de um relato de experiência com base nas ações desenvolvidas no CEREST Regional Guarulhos entre os anos de 2021 e 2024 de inspeções sanitárias em saúde do trabalhador. As estratégias incluíram: (i) intensificação de inspeções sanitárias em ambientes laborais de alto risco; (ii) fortalecimento da vigilância epidemiológica em saúde do trabalhador de qualificação das notificações no SINAN; (iii) capacitações técnicas para profissionais das Redes de Atenção á Saúde; (iv) articulação intersetorial com sindicatos, Ministério Público do Trabalho e instituições de ensino; e (v) desenvolvimento de ações educativas em saúde nos territórios industriais da cidade. A coleta e análise dos dados foram realizadas por meio de relatórios técnicos, sistemas de informação e registros de campo da equipe técnica e quantificação de informações pela vigilância epidemiológica em saúde do trabalhador do CEREST, dados esses anexos nos instrumentos de gestão/qualifica CEREST.
Houve crescimento consistente no número de inspeções: 2021 (452) marcou o início da retomada pós-pandemia. Em 2022, foram registradas 593 inspeções (+31%), sinalizando maior capacidade operacional. Em 2023, o salto para 1.267 ações (+114%) refletiu a consolidação técnica e a ampliação da força de trabalho. Em 2024, houve leve retração para 1.200 (-5%), mantendo patamar elevado, com foco na qualidade das inspeções. Em 2025 (até setembro), foram realizadas 1.079 ações, projetando-se 1.439 até o fim do ano (+20% sobre 2024). A evolução entre 2021 e 2025 mostra crescimento expressivo, consolidado e sustentável, com forte aumento da capacidade de inspeção a partir de 2023. O dado parcial de 2025 reforça a tendência de novo recorde anual, apontando que a estrutura atingiu um patamar de produtividade elevado, mas que exige atenção à manutenção da qualidade e eficiência das inspeções.
A experiência demonstra que o fortalecimento territorial e intersetorial da vigilância em saúde do trabalhador é uma estratégia eficaz para prevenir agravos, promover ambientes laborais seguros e garantir a integralidade do cuidado no SUS. Recomenda-se que outros CERESTs adotem abordagens integradas e participativas, com investimento contínuo em educação permanente, articulação institucional e fortalecimento das redes de informação. A atuação em rede e o reconhecimento das especificidades locais se mostraram fundamentais para a efetividade e sustentabilidade das ações. O crescimento exige manutenção ou reforço de recursos humanos e logísticos para não comprometer a qualidade e eficácia das ações. Além disso, com as inspeções sanitárias em saúde do trabalhador nos territórios é possível diminuir os atendimentos nos serviços de pronto atendimento e ambulatórios de especialidade, pois as empresas realizaram maiores ações de prevenção de acidentes e doenças ocupacionais nos locais de trabalho.
VISAT, CEREST, Educação em saúde
MARCIO FERRARACIO, THIAGO LORETO DE OLIVEIRA, ERMELINDA ANTONIA TOMÉ, KAREN AVILEZ DE ANDRADE, MARLENE DOS SANTOS PEDROSO