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Este trabalho relata a experiência da parceira intersetorial entre o Centro de Atenção Psicossocial Infantil (CAPS i) e o Centro Municipal de Paradesporto “Professor Cid Torquato” no município de Mogi das Cruzes. Houve uma aproximação entre os serviços em abril de 2023, quando a equipe do CAPS infantil entrou em contato com a coordenação do Centro Municipal do Paradesporto para realização uma ação conjunta. Essa primeira ação trouxe uma integração positiva entre os usuários, despertando o interesse na continuidade da colaboração entre os serviços. Foram realizadas reuniões e discussões com as equipes, adolescentes e familiares, surgindo a proposta de iniciar uma oficina de práticas corporais com um grupo de adolescentes no espaço do Padesporto. Até então, não haviam atividades realizadas pelo CAPS i em outros espaços do território. Em julho de 2023 iniciamos o grupo a partir do espaço, da disponibilidade dos adolescentes, das famílias e do desafio para as equipes sobre o desenvolvimento do grupo. Com o desenrolar dos encontros e propostas das atividades, observou-se um grande interesse dos adolescentes à prática do basquete, que se tornou a modalidade eleita pelo grupo. A maioria dos participantes não possuíam vivência com práticas esportivas, mas a identificação com o basquete foi genuína, resultando na formação de um time dentro do grupo. A composição intersetorial e interdisciplinar foi uma construção colaborativa e contou com apoio da gestão para sua realização.
Os principais objetivos dessa experiência foram fortalecer as ações de inclusão e reabilitação psicossocial no território e ampliar as possibilidades terapêuticas no cuidado em saúde mental dos adolescentes por meio da pratica esportiva. Para isso foram incluídos os seguintes objetivos específicos: – Promover a vivência de uma pratica esportiva, especificamente do basquete pela preferência dos adolescentes; – Estimular o desenvolvimento de habilidades de interação e comunicação social; – Proporcionar o desenvolvimento de habilidades motoras, como lateralidade, noção espacial e praxias; – Favorecer o aprimoramento de funções cognitivas, como atenção, memória, linguagem e planejamento; – Trabalhar habilidades e competências sociais, como a empatia, fazer e manter amizades, manejar conflitos, expressar solidariedade, cooperação, afetividade e espontaneidade nas relações; – Favorecer a participação em um ambiente de inclusão e de formação de rede de apoio para os adolescentes e as famílias
A oficina de práticas corporais foi iniciada em julho de 2023 e segue em andamento. A equipe responsável pela condução das atividades foi inicialmente composta por uma terapeuta ocupacional, uma psicóloga do CAPS i e professores de educação física do Paradesporto. Atualmente mantém-se uma dupla de profissionais do CAPS i, Terapeuta Ocupacional e Assistente Social e do Paradesporto, com a participação de Professor e Estagiário de Educação Física; Os encontros ocorrem semanalmente no Paradesporto, com duração de 1h30. Apresenta como critério de inclusão usuários atendidos pelo CAPS i e usuários do Paradesporto. Atualmente o grupo está com 20 participantes. Os treinos são planejados com foco na exploração corporal, nos exercícios motores e a interação para estimular diferentes habilidades. As estratégias incluem: Acolhimento: recepção dos adolescentes e um “bate-papo” inicial; Aquecimento: pratica de atividades de alongamento e conscientização corporal; Desenvolvimento treino específico I: treino de habilidades como estabilização, locomoção e manipulação, além de aspectos relacionados à tonicidade, percepção sensorial e coordenação motora. Desenvolvimento treino específico II- Prática do jogo de basquete; Finalização: Feedback sobre o desenvolvimento do grupo, com apontamentos dos adolescentes e professores sobre o que observaram durante o encontro e as atividades. Momentos de conversas com os pais. Recursos: Materiais esportivos e adaptados aos objetivos das atividades
A maioria dos adolescentes que iniciaram as atividades não tinham hábito na prática de atividades físicas ou esportivas. Mas a partir da exploração do espaço compartilhado com outras modalidades esportivas adaptadas, das possibilidades de vivencias a cada encontro do grupo com os exercícios da prática esportiva, o basquete foi ganhando espaço e a preferência dos adolescentes, passando de um grupo para a formação de um time de basquete. O engajamento, assiduidade nos treinos, a evolução nas habilidades de interação e comunicação social, motoras, cognitivas, habilidades sociais são observadas pelos adolescentes, pais, professores e técnicos que participam do projeto. O retorno a escola, melhora no humor e redução sintomas ansiosos e depressivos, perda de peso, melhora na funcionalidade, condicionamento físico, laços de amizade, fortalecimento da autoestima, são ganhos observados empiricamente. Outros benefícios difíceis de serem descritos, mas sentidos no dia a dia do grupo, como as trocas de olhares, sorrisos, os abraços, nas comemorações, na vibração, a cada cesta e arremessos realizados, a empolgação de um time e sua torcida (os pais). A integração com das famílias possibilitou a construção de uma rede de apoio, fortalecendo os laços sociais e promovendo a inclusão e participação social em eventos extramuros. O conteúdo das falas e nas expressões dos adolescentes, suas famílias e profissionais observadas nos treinos e nos jogos, demonstram muita alegria, empolgação e afeto
O relato, mas principalmente a vivência, demonstra que o basquete pode ser uma ferramenta terapêutica eficaz para a promoção do cuidado em saúde mental e reabilitação psicossocial de adolescentes atendidos pelo CAPS infantil. A prática esportiva proporcionou um contexto no qual os participantes puderam se engajar socialmente e desenvolver habilidades, além de fortalecer sua autoestima e autoconfiança. Descobrindo possibilidades e caminhos no atendimento dos adolescentes, para além de diagnósticos e dificuldades, mas de cuidado com ênfase nas suas potencialidades e no ganho de habilidades. A formação do time de basquete favoreceu o engajamento dos adolescentes, criação de novos hábitos de vida e nas relações familiares. Também proporcionou um espaço de inclusão e suporte para suas famílias, trouxe outras perspectivas quanto ao atendimento do CAPS i. Essa experiência reforça a importância da intersetorialidade e interdisciplinaridade na construção de estratégias de cuidado e na ampliação das possibilidades de reabilitação psicossocial e inserção social. O esporte se apresenta como um caminho viável para a construção de trajetórias mais inclusivas e saudáveis, onde os adolescentes possam ser protagonistas das suas histórias.
CAPS i, adolescente, Paradesporto, basquete
CINTIA CRISTINA NEOFITI, JOHNNY FERNANDES DA SILVEIRA, LUIZ FELIPE MARQUES, FABYO HENRIQUE NASCIMENTO DOS SANTOS, RODOLFO JOSÉ SERPA, JULIANA FALCHETE MARTINS PRADO, ELIGIANE PINHEIRO PENA