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A escolha por partos não hospitalares, seja por opção da gestante ou por outros fatores, tem gerado discussões em diversas esferas da sociedade, especialmente no que tange aos riscos para a saúde materna e infantil. Diante disso, torna-se essencial compreender as razões que levam a essa decisão, suas consequências e as possíveis intervenções que podem ser realizadas para mitigar os riscos envolvidos. Em Santana de Parnaíba, a implementação de um trabalho investigativo visa identificar e compreender os fatores que influenciam essas escolhas, bem como propor estratégias que possam reduzir os riscos de complicações com o objetivo de salvar vidas. A mortalidade materna e infantil é um dos maiores desafios para a saúde pública, e a escolha por partos não hospitalares, em muitos casos, aumenta significativamente esses índices. O diagnóstico minucioso desse cenário é crucial para a implementação de políticas públicas direcionadas ao fortalecimento da rede de atenção à saúde, à educação da população sobre os riscos de partos não assistidos por profissionais qualificados e ao combate a práticas ilegais que possam estar relacionadas ao tráfico de crianças, órgãos e outros crimes. Ao entender as causas e as motivações por trás dessas escolhas, o município poderá adotar medidas preventivas mais eficazes, garantindo a segurança das gestantes e recém-nascidos, contribuindo para a redução dos índices de mortalidade materna e infantil.
A investigação dos partos não hospitalares busca identificar falhas na assistência à saúde, diagnosticando suas causas para embasar estratégias de prevenção e aprimoramento do cuidado materno-infantil. Compreender os motivos que levam as gestantes a darem à luz fora do ambiente hospitalar é essencial para proporcionar intervenções eficazes, garantindo acesso oportuno e qualificação aos serviços de saúde. Além disso, a análise dessas ocorrências permite desenvolver políticas públicas mais assertivas, reduzindo riscos e fortalecendo a rede de atenção à gestante e ao recém-nascido. Ao prevenir falhas no atendimento, o objetivo final é minimizar complicações, melhorar a segurança no parto e, sobretudo, reduzir a mortalidade materna e infantil no município. Este estudo contribui para a tomada de decisões baseadas em evidências, promovendo um cuidado mais humanizado e eficiente.
Para investigar a ocorrência de partos fora do ambiente hospitalar, foram coletados e analisados dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC). Foi elaborado um questionário com perguntas pertinentes ao ciclo gravídico e os acontecimentos nos momentos finais da gestação e parto. Foi aplicado o questionário na residência em visita domiciliar, na maternidade e na secretaria de saúde de 01/01/2020 a 12/02/2025. Analisamos o período de 2006 a 2025 com um olhar detalhado nos últimos 5 anos. Em caso de parto domiciliar a Declaração de Nascido Vivo (DNV) é fornecida ao profissional de enfermagem/médico após cadastro na secretaria de saúde com documentos originais pessoais e da classe profissional válida da obstetriz ou do/a médico/a com o preenchimento do questionário sobre as condições da gestação e do parto na presença do responsável técnico do setor do SIM/SINASC e Comitê. A via branca fica retida na secretaria de saúde e a amarela e rosa são entregues para a obstetriz/médico; os demais casos de partos domiciliares não planejados, normalmente são encaminhados à maternidade municipal e ambos, mãe e filho, recebem os cuidados necessários.
Identificamos 38.397 nascidos de 2006 a 2025 e de partos domiciliares/outros 125 (0,32%). Identificamos 11.229 nascidos de 2020 a 2025 e de partos domiciliares/outros 49 (0,43%) sendo somente 7 partos domiciliares por escolha consciente da parturiente neste período. Os principais motivos relatados pelas parturientes domiciliares acidentais foram devido ao transporte, falta de tempo ou demora do Samu para chegar aos serviços de saúde. O pré-natal incompleto ou ausente foi a maioria neste grupo. Casos Surreais: Escolheu não fazer nada e chamou a vizinha depois do nascimento. Um caso sindrômico – Cromossomo 14. Usuária de crack não sabia da gravidez. Abandono em via pública. Nascimento próximo da maternidade. Uso do Uber em 2 casos e um deles acionou o Samu para não sujar o carro. Medo da covid. Não sabia da gestação porque tinha irregularidades menstruais. Vários partos rápidos. No Samu 1 caso foi para adoção. Adolescente negava a gestação e a criança chegou a cair no chão da cozinha. Paciente sofria de epilepsia e não sabia da gravidez. Moradora de área rural e devido à chuva o carro não subia a ladeira. Parto rápido criança sindrômica – Down. Adolescente não sabia da gravidez, nasceu no vaso sanitário com 700 gr e faleceu em 5 hs. Acionado os bombeiros por falta da ambulância. Mãe que não quis incomodar ninguém, teve gêmeos, 1 nasceu às 7hs em casa e o outro no hospital às 16hs. Faltou combustível no carro. Anóxia perinatal seguido de óbito infantil no estacionamento.
Este estudo sobre partos não hospitalares em Santana de Parnaíba revelou que nos últimos cinco anos houve um aumento deste tipo de ocorrências, o que alerta para a necessidade urgente de ações preventivas. As principais causas apontadas para esses partos não planejados incluem problemas com transporte, demora no atendimento do SAMU, falta de reconhecimento por parte da parturiente da iminência do parto e até o medo de infecção hospitalar durante a pandemia da COVID-19. A falta de acompanhamento do pré-natal adequado foi um fator predominante entre as gestantes que tiveram seu parto domiciliar não planejado, resultando em complicações como asfixia perinatal e óbitos neonatais; portanto, o fortalecimento da rede de saúde através de políticas públicas focadas em educação e na capacitação dos profissionais, é essencial para reduzir os riscos e melhorar a segurança dos partos. O estudo reforça a necessidade de ações assertivas para combater as falhas no acesso ao atendimento e garantir a redução da mortalidade materna e infantil.
Partonãohospitalar, Partodomiciliar, SAMU, Riscos
KAZUYO UENAKA DOS SANTOS PEREIRA, FANNY DOS SANTOS SAFRONOV, NATALIA CALDEIRA PONTES, VALQUIRIA DE CONTO, ELIANA CRISTINA BARBIERO, SARAH MOURA CAGNIATO, MARIA SILVIA DE ALMEIDA MELLO FREIRE