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Inaugurado em 1989 como Centro de Orientação e Aconselhamento Sorológico (COAS) e rebatizado como Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) em 1993, esse serviço de saúde foi e continua a ser um dispositivo estratégico para a prevenção e o combate à epidemia de HIV. Originalmente, o foco estava nas populações de maior vulnerabilidade, oferecendo testes sorológicos e aconselhamento de maneira simples e confidencial, com o objetivo de ampliar o acesso ao diagnóstico precoce, seguindo a estratégia de redução de riscos e promoção do sexo seguro. Enquanto no início da epidemia de HIV a razão de pessoas infectadas por sexo era de mais de 20 homens para cada mulher, em 2012 essa proporção havia se alterado para cerca de dois homens para uma mulher em idade adulta (20 a 49 anos) e para dez mulheres para cada oito homens na faixa etária de 13 a 19 anos, indicando um processo de feminização da AIDS em nosso país. Um processo semelhante foi observado no município de Santos, o que trouxe novos desafios no campo da prevenção ao HIV e demais Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Atualmente, a população-alvo do CTA inclui qualquer pessoa que, eventualmente, se exponha ao HIV em situações de sexo desprotegido ou em situações de contato sanguíneo com outras pessoas. No CTA Santos, as mulheres encontram um espaço privilegiado para diálogo e cuidado em saúde sexual e reprodutiva.
Este trabalho pretende 1) relatar o perfil sociodemográfico da população feminina atendida no CTA Santos, 2) verificar a incidência do HIV na população feminina atendida no CTA, 3) verificar a prevalência do HIV na população feminina atendida no CTA, no âmbito da prevenção combinada ao HIV/AIDS.
Foram analisados dados do Sistema de Informação do CTA (SICTA), versão 2006. Os dados foram coletados das Fichas de Atendimento do CTA (FICTA), com resultados preenchidos no período de 1º de janeiro de 2020 a 31 de dezembro de 2024. Realizou-se uma análise univariada dos dados por ano, sexo e idade no município de Santos.
Foram atendidas 8.264 pessoas. Dessas, 3.076 eram mulheres entre 15 e 99 anos, das quais quase 49% eram brancas e 50,04% pardas ou pretas; 66% dessas eram solteiras e 25%, casadas. Quase 42% tinham 12 anos ou mais de estudo, e 45% ensino médio completo. A maior parte das mulheres acessou o CTA por meio de amigos ou usuários do serviço (35%), seguido por campanhas (30%) e serviços de saúde (25%), a internet corresponde a 6% da procura geral. Quanto aos motivos de procura, suspeita de uma IST, conhecer o status sorológico e exposição a situações de risco correspondem a 29%, 26% e 25%, respectivamente. O uso de preservativos com parceiras fixas é ainda menor (9%) do que com parceiras casuais (16%), ambos os índices sendo considerados muito baixos, sendo a confiança na saúde do parceiro o principal motivo para a não utilização. Em relação às parceiras casuais, 28% relataram uso inconsistente do preservativo, e 25% não usaram na última relação sexual. Os principais motivos para não usar preservativos são: não dispor no momento (8,6%), confiança no parceiro (8%), e não gostar do uso ou estar sob efeito de álcool/drogas (3,4%). Quanto à incidência média anual de HIV, tivemos 1,88% em 2020, 0,52% em 2021, 1,94% em 2022, 1,76% em 2023 e 1,27% em 2024. Estratificando por idade, as faixas etárias que apresentaram maiores taxas de incidência foram entre 20/24 anos (35,71%), 25/29 anos (66,60%) e 45/49 anos (66,67%). A taxa de prevalência geral no período analisado foi de 1,43%.
O perfil das mulheres no CTA Santos mostra alta escolaridade, predominância de pretas/pardas e maioria solteiras. A confiança no parceiro é um fator-chave para a não utilização de preservativos em parcerias casuais. A falta de preservativos durante o sexo ressalta a necessidade do SUS fornecê-los amplamente. O consumo de álcool e drogas aumenta o risco de HIV/IST, tornando o aconselhamento crucial para redução de danos. As taxas de incidência anual de HIV são de dez a trinta vezes a média nacional da população geral, com prevalência três vezes maior (0,4%). Isso indica a necessidade de mais investimentos em prevenção combinada e maior integração com a atenção primária, além da importância de espaços para diálogo sobre saúde sexual e reprodutiva.
HIV, CTA, Saúde da Mulher
FRANCISCO VALDEZ DE FREITAS, ALMIRA DIAS MARQUES, PATRICIA MARIA SCHOENACKER, PRISCILA EVANGELISTA DA SILVA, RUBENS GOULART PANICO