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A Febre Maculosa (FM) é uma infecção aguda causada pelas bactérias Rickettsia rickettsii e Rickettsia parkeri (cepa Mata Atlântica), transmitida pelo carrapato Amblyomma aureolatum em São Bernardo do Campo-SP. Humanos são hospedeiros acidentais desse carrapato. A letalidade pode chegar a 80% sem tratamento adequado. O quadro clínico frequentemente é confundido com outras febres hemorrágicas, tornando urgente o tratamento imediato devido à rápida evolução da doença. Medidas preventivas, com orientação à população em áreas de risco são essenciais para a vigilância. A educação em saúde deve ser adaptada à realidade da comunidade local, incorporando ações de comunicação e educomunicação para facilitar a interação com a população. É fundamental intensificar ações educativas para o reconhecimento precoce da FM, prevenindo novas ocorrências e óbitos. As ações devem garantir uma resposta rápida ao identificar sintomas e cuidados após a picada de carrapato, buscando atendimento imediato. A participação ativa da população facilita o diagnóstico, tratamento e recuperação. O componente educativo deve sensibilizar sobre os procedimentos após a picada, treinando profissionais de saúde, professores e líderes comunitários para disseminar informações de forma eficaz, especialmente em áreas remotas. A educação em saúde é crucial para promover o diagnóstico precoce, incentivar a busca por atendimento médico e reduzir a mortalidade, tornando a população mais informada e proativa na prevenção.
Identificar e analisar as ações de educação em saúde, comunicação e mobilização social voltadas à prevenção da febre maculosa (FM) realizadas no município de São Bernardo do Campo/SP, avaliando as estratégias educativas aplicadas à luz das contribuições ecoepidemiológicas. A partir dos dados obtidos, propor recomendações e estratégias educativas mais eficazes, considerando as características locais e os fatores ambientais e sociais que influenciam a ocorrência da doença.
O estudo foi realizado no município de São Bernardo do Campo, Região Metropolita de São Paulo. Para descrever ações de educação e comunicação em saúde, foi realizada uma pesquisa bibliográfica e documental, avaliando os materiais e as ações desenvolvidas pela Secretaria Municipal de Saúde de São Bernardo do Campo no período de 2001 a 2023. Por meio da análise documental foi possível recomendar direcionamento das estratégias de educação em saúde. Com base na pesquisa documental das intervenções de educação em saúde é possível compreender melhor o processo de alcance da população no fornecimento de informações importantes para prevenção da doença. Esse tipo de pesquisa utiliza fatos que necessitam ser interpretados e sintetizados a partir das informações e, por meio da interpretação determinar tendências e na medida do possível fazer a inferência sobre o assunto.
Em 2014, foi criado o Grupo Técnico (GT) da Região Metropolitana de São Paulo para discutir a ecoepidemiologia da febre maculosa, culminando na publicação do informe técnico A Febre Maculosa na Região Metropolitana de São Paulo. Em 2017, o GT estabeleceu a I Semana de Mobilização contra a Febre Maculosa na RMSP, realizada anualmente em setembro. São Bernardo do Campo também desenvolveu materiais específicos para promover uma comunicação unificada. O município produziu folhetos sobre a FM, abordando o ciclo biológico, sintomas, reservatórios e medidas preventivas. O primeiro folheto visava informar a população e profissionais de saúde, mas continha informações inadequadas, como a associação do carrapato estrela à FM, quando o vetor responsável na região é o Amblyomma aureolatum. Em 2015, foi produzido um segundo informativo, sem mencionar a espécie, destacando a importância de relatar parasitismo, mas sem enfatizar áreas de risco. Em 2017, durante a Semana de Mobilização, o município incluiu materiais como folders, faixas e banners, com uma abordagem mais ampla da cadeia de transmissão. Pela primeira vez, o Amblyomma aureolatum foi identificado como transmissor e os animais domésticos como amplificadores com foco na guarda responsável e na coleta de carrapatos para mapeamento de áreas de risco. O município promoveu dois “Fóruns Técnicos” em 2019 e 2021 para profissionais de saúde, destacando o papel do cão como amplificador e a importância do mapeamento de áreas.
O município possui áreas críticas relacionadas à Febre Maculosa e as estratégias de educação e comunicação em saúde se fazem essenciais para apoiar e promover o controle dessa zoonose. Constituem elementos fundamentais i) capacitar profissionais e envolver a comunidade no entendimento da dinâmica da doença e sua participação na vigilância do vetor; ii) reforçar a importância da ecoepidemiologia deste agravo pelos profissionais de saúde para suspeição oportuna, tratamento adequado e rápido; iii) planejar o componente educativo de forma colaborativa entre gestores, profissionais de saúde, e a população visando a promoção da saúde e implementação das ações recomendadas nas políticas municipais; iv) fortalecer o processo pedagógico buscando a participação comunitária; v) promover a ampliação do conhecimento da população, dando continuidade às estratégias do componente educativo, com o incremento dos avanços apontados pelo planejamento em saúde. É essencial dar continuar ao processo educativo iniciado pela equipe municipal e reforçar a implementação das estratégias, a partir de um plano de ação, e ainda, que contemple ações de educação e comunicação em saúde, embasadas na realidade local.
Educação
MANUEL PEREIRA MARTINS, MARJORI FABRICIA CERCHIARI, ROBERTA EMANOELA MOURA ALVES MARIANO, MARCO AURÉLIO FERREIRA