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O aumento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) tem se apresentado como uma grande preocupação para a Saúde Pública, sendo responsável por uma grande parcela das mortes em adultos. A alimentação inadequada se destaca como um dos principais fatores de risco modificáveis para o desenvolvimento dessas doenças. Nesse âmbito a Atenção Básica em Saúde (AB) e a Estratégia Saúde da Família (ESF) representam espaços privilegiados para a realização de ações de promoção da alimentação adequada e saudável (PAAS), incentivando hábitos de vida saudáveis e prevenindo doenças. O fortalecimento e a qualificação do cuidado nutricional na AB são reconhecidos como abordagens econômicas, práticas e eficientes na prevenção das DCNT. Mas, para isso, é fundamental que os profissionais dessas equipes que estão em contato direto com os usuários, recebam a formação necessária para oferecer orientações alimentares seguras e baseadas em evidências. As ações voltadas à PAAS na AB devem ser orientadas pelo Guia Alimentar Brasileiro (GAB). Então, é essencial compreender o nível de conhecimento dos profissionais da AB sobre alimentação saudável, pois este fator impacta diretamente na qualidade das orientações nutricionais prestadas. Essa identificação pode subsidiar ações de qualificação aos profissionais, aprimorar a qualidade da assistência, promover a integralidade do cuidado, fortalecer as equipes, ampliar as orientações nutricionais e contribuir para a promoção de saúde e prevenção das DCNT.
Mensurar o conhecimento dos médicos e enfermeiros da ESF sobre o Guia Alimentar Brasileiro.
Foi um estudo transversal descritivo realizado em Santa Bárbara d\Oeste/SP, no segundo semestre de 2022. Na época o município possuía 17 Unidades Básicas de Saúde (UBS) e seis delas com Equipes de Saúde da Família (EqSF), totalizando nove EqSF atuantes. A população de estudo foi composta por todos os médicos (n=11) e enfermeiros (n=9) atuantes nessas EqSF, totalizando 20 profissionais. Para a coleta de dados, foi utilizada uma escala previamente validada desenvolvida para mensurar o conhecimento dos profissionais de saúde em relação aos conteúdos do Guia Alimentar Brasileiro (GAB). A escala foi autoaplicável por meio do Google Forms e consiste em 16 afirmações sobre o GAB, com três opções de resposta (“verdadeiro”, “falso” e “não sei”). Foi calculada a soma dos acertos, conforme conteúdo presente no GAB, considerando a resposta não sei como incorreta. Isso resultou em um escore de conhecimento variando de 0 a 16 pontos. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Saúde de São Paulo (CEPIS-SP), sob o número de parecer 5.636.208. A participação dos profissionais foi voluntária e todos assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido, garantindo sua confidencialidade e anonimato durante o estudo.
O tempo de formação dos profissionais variou de 2 a 15 anos, com a maioria (40%) tendo se formado nos últimos 5 anos. A maior parte dos enfermeiros (77,8%) relatou ter cursado disciplinas relacionadas à nutrição durante a graduação e menos da metade dos médicos (36,4%) mencionou ter recebido essa disciplina. A maioria (65%) dos participantes trabalha na ESF há menos de 5 anos. Durante esse período, poucos participaram de cursos relacionados à alimentação e nutrição, apenas dois (10%) realizaram cursos com carga horária superior a 20 horas e quatro (20%) participaram de cursos mais curtos. Mas todos os profissionais referiram abordar sobre alimentação e nutrição na rotina da AB. O estudo revelou que médicos e enfermeiros apresentaram níveis de conhecimento semelhantes sobre o GAB com uma média de acertos de 12,0 pontos (IC95% 11,0 – 13,0), indicando uma falta de familiaridade com seu conteúdo completo. Embora todos compreendam o conceito central do GAB, que recomenda a base alimentar composta principalmente por alimentos in natura ou minimamente processados, outros aspectos apresentaram maiores desafios. Entre as principais lacunas identificadas destacam-se: a relação entre o custo dos alimentos in natura e ultraprocessados, a orientação para estimular a autonomia dos usuários, a avaliação da saudabilidade de preparações culinárias, incertezas sobre gorduras e óleos vegetais, e dúvidas sobre como orientar escolhas alimentares saudáveis em restaurantes de comida por quilo.
Os resultados deste estudo ressaltam a importância dos profissionais de saúde conhecerem o GAB como uma fonte confiável e estratégica para orientações sobre alimentação adequada e saudável, especialmente no contexto da AB e na prevenção das DCNT. As lacunas de conhecimento identificadas indicam falta de familiaridade com o conteúdo completo do GAB e isso pode levar a orientações desalinhadas com as diretrizes alimentares estabelecidas. Embora os profissionais tenham demonstrado uma compreensão do conceito central do GAB, a maioria não está familiarizada com todos os aspectos de seu conteúdo. Isso destaca a necessidade urgente de qualificação contínua para que os profissionais da AB possuam um entendimento mais profundo e abrangente das diretrizes alimentares brasileiras. O GAB é um material extenso e detalhado, o que justifica a dificuldade de assimilação de todos os seus componentes, mesmo após uma década de sua publicação. Por isso, é essencial que os gestores de saúde se comprometam com esforços contínuos na implementação de capacitações sobre as diretrizes alimentares aos profissionais da AB, bem como incentivem a realização da orientação alimentar e nutricional nesse âmbito para uma atenção integral e prevenção de DCNT.
Atenção Básica, Prevenção Doenças; Guia Alimentar
HARIANE THAINE BUENO RODRIGUES