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O projeto Pediatria Social é uma parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde de Jardinópolis – SP, a Farmácia da Natureza (Farmácia Viva) e a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP). Optou-se por seguir os princípios da Pediatria Social, na visão do professor Eduardo Marcondes, incluindo, entre outros, o estudo e a assistência globais da criança através do conhecimento dos fatores ambientais, psicológicos, sócio-econômicos, culturais e antropológicos que incidem sobre a criança e sua família, e que podem predispô-los a uma determinada doença. Assim, a Pediatria Social olha diretamente para o universo da criança inserida em sua comunidade, considerando igualmente o indivíduo, o processo de saúde-doença, o contexto antropológico e o tempo histórico em que esta criança vive. O projeto Pediatria Social está inserido em um ambiente permeado pela natureza, permitindo à criança brincar e se expressar no ambiente natural. O contato com a natureza favorece uma infância saudável, aprimorando imunidade, memória, sono, capacidade de aprendizado, sociabilidade e capacidade física, contribuindo significativamente para o bem-estar global das crianças e adolescentes. No projeto, todas as expressões artísticas são intensamente estimuladas, seja desenhar durante a consulta ou participar de oficinas de arteterapia. Entendemos que a arte na vida das crianças educa, sensibiliza, aperfeiçoa habilidades e expande a inteligência e a criatividade
O objetivo do projeto é oferecer atenção primária em nível ambulatorial à saúde de crianças e adolescentes residentes em Jardinópolis – SP, utilizando como modelo a Farmácia Viva, regulamentada conforme a RDC nº 18 de 3 de abril de 2013, e oferecer campo de estágio para estudantes de medicina da FMRP-USP e médicos residentes do HC-FMRP-USP na área de Pediatria. Objetivos específicos • Oferecer atenção médica pediátrica ambulatorial, em nível primário, a crianças e adolescentes; • Realizar o estudo e a assistência globais da criança através do conhecimento dos fatores ambientais, psicológicos, sócio-econômicos, culturais e antropológicos, que incidem sobre a criança ou o adolescente e sua família, e que podem predispô-los a uma determinada doença; • Capacitar o estudante de medicina e o médico residente em Pediatria para o atendimento ambulatorial pediátrico em serviço primário; • Produção e dispensação de medicamentos fitoterápicos para os pacientes atendidos
Os atendimentos médicos são feitos pelos estudantes de medicina e médicos residentes, supervisionados pelos Docentes da FMRP-USP. As consultas são realizadas no período de domingo a quinta-feira, das 08h30 às 11h30. Os exames complementares solicitados são realizados pelo SUS de Jardinópolis e pelo Complexo HC-FMRP-USP, e os medicamentos prescritos são da REMUME (dispensados pelo SUS de Jardinópolis) ou fitoterápicos (dispensados gratuitamente pela Farmácia da Natureza). Em caso de necessidade, o projeto conta com especialistas (psiquiatra, nutrólogo, imunologista, dermatologista, endocrinologista, ginecologista, cardiologista, homeopata) que poderão ser consultados em regime de interconsulta. Outras especialidades médicas, quando necessárias, são referenciadas. O ambulatório de Pediatria Social está rodeado de rica e exuberante natureza onde crianças, cuidadores, colaboradores voluntários e estudantes de Medicina experimentam os benefícios, as descobertas e as alegrias da interação com um ambiente rico em elementos naturais. No intervalo entre as consultas e nos pós-consulta as crianças e adolescentes são estimuladas a participar de oficinas de arteterapia e participar de brincadeiras de forma integrada à natureza. A oficina de expressão artística proporciona momentos intensamente produtivos para as crianças e seus cuidadores, além de revelarem aos estudantes de Medicina nuances da dinâmica psicossocial das famílias que raramente são percebidas dentro do consultório médico
As atividades do ambulatório Pediatria Social foram iniciadas em 04/04/2022, tendo sido realizados 2052 atendimentos até 2023. Os pacientes são encaminhados para o serviço de duas formas: (a) identificação de crianças com necessidade de avaliação mais especializada; e (b) encaminhamento feito pelos médicos pediatras da atenção básica do município. Os agendamentos das consultas são realizados pelas enfermeiras das unidades de saúde do município. Diariamente, uma enfermeira envia o roteiro para o motorista do transporte, que busca os pacientes e seus acompanhantes em cada uma das unidades, chegando ao ambulatório por volta das 8h00 e são encaminhados para tomar café da manhã. Em seguida, são realizados os atendimentos e as atividades complementares. Todos os atendimentos são finalizados com hipóteses diagnósticas e condutas apropriadas para cada caso, podendo incluir solicitação de exames complementares, prescrição de medicamentos, encaminhamentos para outras especialidades e retornos agendados. A maioria das condições de saúde enquadra-se entre as seguintes: sobrepeso e obesidade, dificuldade escolar e atrasos no desenvolvimento por baixa estimulação e ambiente desfavorável, tempo excessivo de telas, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtorno do espectro autista (TEA), depressão e ansiedade em adolescentes, e situações de violência e negligência. O grau de satisfação pelos usuários foi considerado excelente
O processo saúde-doença é uma expressão usada para fazer referência a todas as variáveis que envolvem a saúde e a doença de um indivíduo ou população e considera que ambas estão interligadas e são consequência dos mesmos fatores. Existem diversos conceitos de saúde, sendo o mais utilizado a ausência de doença. A Organização Mundial de Saúde (OMS), no entanto, apresenta um conceito mais amplo para essa condição: “Estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença”. A relevância sociológica do estudo das representações sociais do processo saúde-doença está no fato de que elas fundamentam práticas e atitudes dos seus atores, assim como as relações que eles estabelecem com o seu contexto social e com aquilo que lhes acontece. Concluímos que o projeto Pediatria Social, em seus primeiros anos de existência, foi bem-sucedido e conseguiu atingir as metas propostas.
Pediatria, Farmácia da natureza, social, criança
Ivanice Maria Cestari Dandaro, Fabio Carmona, Mateus Andrea Angelucci, Viviane Cunha Cardoso, Vanessa Barato de Oliveira Lino