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Os casos agudos de transtornos mentais, incluindo crises psicóticas, abuso de drogas e tentativas de suicídio, vêm aumentando significativamente, gerando sobrecarga nas UPAs e filas de espera por internação psiquiátrica. Torna-se necessário um novo modelo de cuidado à crise em saúde mental, com recursos comunitários e territoriais que possam ser alternativos à internação hospitalar psiquiátrica. Experiências de manejo domiciliar em situações de crises na saúde mental não são novidade em países desenvolvidos como Itália e Inglaterra, e as mesmas demonstram-se eficazes na diminuição de internações, aumento da satisfação do atendimento e minimização de preconceitos e traumas que a internação psiquiátrica promove (Morant et al, 2017; Sade et al, 2020). A proposta do presente trabalho é relatar a experiência pioneira de implantação de uma Equipe de Manejo, Abordagem e Suporte a Crise em Saúde Mental (eMASC-SM).
Objetivo Geral – Relatar a experiência pioneira de implantação de uma Equipe de Manejo, Abordagem e Suporte a Crise em Saúde Mental (eMASC-SM); Objetivos específicos – Apoiar a humanização e qualificação do atendimento a crise em saúde mental no município; – Fomentar a reflexão sobre a possibilidade de um cuidado a crise em saúde mental mais humanizado, menos invasivo e mais efetivo;
Após um projeto piloto realizado em 2021 que nos serviu de base, implantamos em junho deste ano junto ao CAPS AD III com suporte a urgência uma Equipe de Manejo, Abordagem e Suporte a Crise em Saúde Mental (eMASC-SM). A equipe funciona de segunda a sexta, das 07 às 19h, sendo composta por 02 médicas psiquiatras, 02 enfermeiro, 01 psicóloga, 01 terapeuta ocupacional e 01 motorista. Ela realiza visitas domiciliares periódicas, em média três vezes por semana. A proposta é que os casos sejam acompanhados até a remissão do quadro agudo da crise, por um período estimado de 3 a 6 semanas, a depender da evolução do caso. As visitas vão se tornando menos frequentes à medida em que o caso vai evoluindo, sendo substituídas pelo monitoramento por telefone e contato com as equipes de referência dos CAPSs do território. Parte fundamental da intervenção consiste na articulação e potencialização da rede de suporte social da pessoa atendida, garantindo o seguimento necessário. O acesso ao atendimento da equipe é realizado por qualquer serviço da rede de saúde, via formulário enviado a equipe por email. Após o recebimento da solicitação de atendimento, a equipe tem como meta realizar o primeiro atendimento em menos de 48h. Após a primeira avaliação é delineado a proposta de intervenção para cada situação atendida.
Desde a sua implantação em junho de 2024 a eMASC-SM atendeu 52 pessoas em situações de crise em saúde, realizando 707 atendimentos. A equipe tem realizado o primeiro atendimento, em média, 30h após receber a solicitação. Ainda não temos dados robustos sobre a efetividade das intervenções, contudo a equipe tem recebido um número cada vez maior de solicitações, de modo que o serviço tem tido uma boa receptividade pelas unidades de saúde. Também temos percebido uma boa adesão dos pacientes atendidos a proposta do manejo. Contudo, a complexidade das situações abordadas, principalmente pelas demandas de vulnerabilidade social, tem demonstrada a importância fundamental da articulação desse cuidado com a rede intra e intersetorial.
A experiência do atendimento domiciliar tem se mostrado eficiente e tem cumprido com os objetivos de humanizar e qualificar a atenção a crise, como proposta alternativa a intervenção geralmente utilizada que é a internação, método mais invasivo e menos resolutivo. Temos percebido um incremento importante da complexidade dos casos atendidos, principalmente considerando as demandas de vulnerabilidade social, o que vem demandando da equipe um trabalho intenso de articulação com a rede intre e inter setorial. Essa proposta tem baixo custo, considerando que os recursos utilizados são basicamente humanos e técnicos, com poucos gastos estruturais. No Brasil a proposta é inovadora, com poucas experiências similares sendo implementadas e um número bem reduzido de publicações científicas a respeito do tema.
Saúde mental; crise; urgência psiquiátrica;
MARCUS VINICIUS SANTOS