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O acompanhamento após alta hospitalar do bebê com sífilis congênita ou do bebê que tive a exposição à sífilis representa um desafio significativo para a saúde pública, especialmente quando se trata do seguimento em reabilitação, visto a importância de uma abordagem multidisciplinar para mitigar os impactos adversos dessas condições na saúde e no desenvolvimento neuropsicomotor dessas crianças. Este trabalho aborda a linha de cuidado e intervenção terapêutica implementada pela equipe do setor de Neuropediatria do Centro Integrado de Reabilitação (CIR), do município de Caçapava/SP, desenvolvidos desde o primeiro semestre de 2021, a partir da percepção da necessidade de alinhar ações conjuntas com a rede de assistência municipal. Assim, esta equipe de reabilitação passou a ser um ponto sistemático para seguimento de ações de monitoramento do desenvolvimento neuropsicomotor, tratamento ambulatorial, qualificação de encaminhamentos externos tanto para exames quanto para especialistas diversos e ações educativas junto as famílias, para garantir um acompanhamento mais abrangente desses bebês até os dois anos de vida ou enquanto houver demandas a serem acompanhadas.
– Implementar uma linha de cuidado multidisciplinar após alta hospitalar para bebês com sífilis congênita e expostos à sífilis, com articulação junto à Atenção Básica (AB) e ao Ambulatório de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) – Oferecer avaliação, reavaliação e intervenção terapêutica quando necessário, com foco no acompanhamento contínuo até os dois anos de idade ou mais, conforme necessário. – Estabelecer um fluxo de entrada eficaz por meio do Médico Pediatra do IST, via referência, garantindo uma abordagem coordenada e integrada. – Qualificar encaminhamentos para seguimento em profissionais especialistas externos à unidade, assim como solicitações de exames quando necessário. Além de ser a referência para os encaminhamentos para seguimento na linha de cuidado junto ao Ambulatório Médico de Especialistas (AME). – Qualificar o cuidado, através de capacitações da equipe por meios de cursos ofertados em plataformas públicas de educação permanente em saúde.
A equipe de Neuropediatria, inicialmente, composta por Fisioterapeutas e Fonoaudiólogo, começou a sistematização do acompanhamento desses bebês no primeiro semestre de 2021, com proposta de continuidade deste programa até os bebês completarem dois anos de idade ou mais, de acordo com as demandas apresentadas por cada paciente. Percebeu-se a necessidade de alinhar fluxos e estreitar diálogo entre a Atenção Básica (AB) e o Ambulatório de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e, assim, passaram a ser realizadas reuniões entre os articuladores desses seguimentos para identificar os nós críticos e as possíveis estratégias para melhorar essa linha de cuidado. A partir de 2022, houve a inclusão de atendimento de Médico Neuropediatra e Fisiatra, que passaram a qualificar encaminhamentos externos para especialistas (Oftalmologista e Otorrinolaringologista) e/ou exames, conforme a necessidade. A porta de entrada para esses bebês passou a ser através do Neuropediatra a partir de encaminhamento do Pediatra do IST, com posterior avaliação de toda equipe multidisciplinar da reabilitação. O programa estabelecido no CIR conta com avaliação de admissão inicial pelo Neuropediatra, que encaminha a avaliação da equipe multidisciplinar, reavaliações periódicas, discussão de casos e intervenção terapêutica quando necessário. Além dessas intervenções, ocorrem ações de educação em saúde dentro da unidade, abordando diversas temáticas pertinentes aos cuidados com o bebê junto a sua família.
Até a presente data, um total de 29 crianças foram acompanhadas desde 2021, sendo que no ano de 2021 foram encaminhados 05 bebês, em 2022 07 bebês e em 2023 17 bebês. Foram observados, ao longo desses anos, alguns pontos fracos nessa linha de cuidado como a dificuldade de adesão das famílias, especialmente devido a fatores socioeconômicos e falta de retaguarda familiar, principalmente nos casos de gravidez na adolescência. Assim foram traçadas estratégias para fortalecer o vínculo terapêutico e a proximidade entre os serviços da rede de assistência em saúde do município. E, com ao longo dos anos, foi observado a diminuição das taxas de abandono dessas famílias. A ampliação do quadro de profissionais em 2022, as capacitações da equipe, as discussões de caso em equipe e ampliação da rede de cuidados com ações conjuntas com o IST e a AB foram primordiais para solidificar esse programa e possibilitar a busca de melhorias contínuas entre as equipes.
A inclusão da equipe multidisciplinar no âmbito da reabilitação para seguimento do acompanhamento do desenvolvimento neuropsicomotor é uma das estratégias fundamentais para garantir um acompanhamento mais abrangente na saúde dessas crianças. A implementação dessa linha de cuidado e a intervenção terapêutica demonstrou um compromisso significativo da equipe do CIR, junto as equipes do IST e da AB, em fornecer cuidados especializados e contínuos após alta hospitalar aos bebês com sífilis congênita e com exposição à sífilis. Esse trabalho vem sendo desafiador para as equipes, visto os desafios enfrentados, como a dificuldade de adesão das famílias. Porém, a ampliação e qualificação do quadro de profissionais, e melhora do vínculo com as famílias e as ações conjuntas entre as equipes, demonstraram o avanço obtido por esse programa e apontam para a necessidade contínua de aprimoramento na prestação desses serviços.
SÍFILIS CONGÊNITA, REABILITAÇÃO, NEUROPEDIATRIA
Aline Meinberg Borsoe, Juliana Graciano Telmo Cabral, Ana Cristina de Carvalho Silva, Camila Couto Rodrigues, Flávia Félix Bizetto