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A Tuberculose (TB) é uma doença infecciosa causada pelo Mycobacterium tuberculosis, de evolução crônica, que compromete especialmente os pulmões. A sua principal forma de transmissão são as vias aéreas, através da inalação de gotículas contaminadas produzidas com a tosse ou espirro dos indivíduos infectados, facilitada pela aglomeração humana e seu tratamento consiste em antibioticoterapia bacteriostática e bactericida que pode durar de seis meses até anos. O Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT), ligado à rede de serviços de saúde, integra as esferas federal, estadual e municipal, promovendo ações centradas na garantia da dispensação gratuita de medicamentos e na prevenção do controle do agravo de doenças, o que permite acesso universal da população aos serviços. Sabe-se que devido à complexidade da terapêutica proposta, o trabalho do farmacêutico dentro deste processo, vai além apenas do acesso aos medicamentos para o tratamento, sendo necessário um cuidado mais integral, centrado na adesão que é um fator crítico para o sucesso no combate à doença.
Evidenciar estratégias de adesão visando garantir o sucesso na antibioticoterapia para tuberculose.
Coleta de dados através do sistema Hygia dos atendimentos farmacêuticos realizados a um paciente no tratamento de tuberculose na UBS Paulicéia no período de janeiro a setembro de 2023. Estruturar o cuidado farmacêutico (CF), com os principais pontos de vulnerabilidade do tratamento medicamentoso, criação de estratégias para acolher o usuário e garantir a adesão ao tratamento: 1. Educação ao paciente: consulta farmacêutica, para esclarecer as dúvidas sobre o tratamento, orientar sobre a importância da continuidade da terapia mesmo diante da ausência de sintomas. 2. Facilitação do acesso aos medicamentos: paciente possui atividade laboral como caminhoneiro, o que inclui viagens longas. Pactuar junto ao paciente dispensação do medicamento semanalmente visando garantir a adesão. 3. Monitoramento da adesão e tratamento supervisionado: estabelecer meio de comunicação diária, garantindo um monitoramento do TDO feito pelo paciente. 4. Apoio emocional: fortalecer o vínculo de forma a estabelecer a confiança necessária para trazer dificuldades emocionais relacionadas ao tratamento. Orientar a possibilidade de atendimento junto a e-multi da unidade. 5. Gerenciamento de efeitos colaterais: consulta farmacêutica mensal, estruturada em busca de possíveis problemas relacionados a farmacoterapia do paciente (PRF). 6. Compreensão cultural e social: estabelecer junto a equipe de saúde da família (ESF) contato continuo visando promover o cuidado centrado no indivíduo.
B. C. S., 32 anos, sexo masculino, morador de Diadema – SP, vem até a unidade portando exames realizados na cidade vizinha e solicitando transferência do tratamento para esta unidade, devido a dificuldades com a adesão. Refere trabalhar neste bairro e percebe que teria mais facilidades com o tratamento devido à proximidade. Paciente em falha terapêutica do esquema de antibioticoterapia pela 3ª vez devido abandonos, reiniciando o tratamento após surgimento de sintomas novamente. Verifico a necessidade do CF, e organizo o tratamento do paciente a partir dos pontos e estratégias evidenciadas na metodologia. Após cuidado farmacêutico executado, observa-se boa adesão do paciente ao tratamento, garantindo sucesso farmacoterapêutico e cura da infecção após 8 meses de tratamento realizado sem dificuldades para o paciente.
A partir da estruturação do cuidado farmacêutico ao paciente portador de tuberculose, conseguimos garantir um olhar ampliado para as necessidades do paciente, que vão além do tratamento centrado no medicamento. Compreender e individualizar o cuidado diante da complexidade deste tratamento, pode favorecer o sucesso esperado na terapia. Se faz necessário o olhar para o trabalho do profissional farmacêutico, de forma a envolver este profissional junto aos demais nos cuidados ofertados aos usuários de APS.
Cuidado farmacêutico, tuberculose, adesão.
Leandro Carlos Leite