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Nos últimos anos, a literatura tem destacado a participação do farmacêutico em programas que permitem otimizar os efeitos da farmacoterapia, por meio de acompanhamento do uso dos medicamentos (ALJUMAH et HASSALI, 2015). Na verdade, a aplicação de critérios de racionalidade terapêutica pode garantir maior cumprimento, efetividade e segurança dos medicamentos utilizados por pacientes, tanto na fase aguda como na fase de controle ambulatorial (DE LYRA et al, 2007; MOSS et al, 2016). O Cuidado Farmacêutico tem como objetivo a promoção do uso racional dos medicamentos, de forma a garantir a eficiência no uso dos recursos, o alcance de resultados terapêuticos ótimos e a melhoria da qualidade de vida dos pacientes (SAMIR et al. 2019). A educação em diabetes, o autocuidado apoiado e a presença do farmacêutico acompanhando estas pessoas contribuem diretamente para o bom controle glicêmico e evita complicações a longo prazo.
O objetivo do presente trabalho foi: • Verificar a adesão terapêutica do usuário com o tratamento atual; • Identificar os possíveis problemas relacionados a farmacoterapia que poderiam impedir este usuário de atingir as metas glicêmicas; • Corrigir os problemas relacionados a farmacoterapia encontrados; • Promover educação em saúde com ênfase no diabetes tipo 2; • Melhorar a qualidade de vida destes usuários adequando-os às metas glicêmicas; • Diminuir as complicações do diabetes relacionadas ao descontrole glicêmico; • Melhorar o controle glicêmico dos usuários.
Foram conduzidas consultas farmacêuticas com o usuário, provenientes de busca ativa, em ambiente privado e de forma individual. O registro das consultas foram feitos por meio do programa do Ministério da Saúde (MS) ESUS-AB e o modelo da coleta e organização dos dados do usuário foi realizado e registrado no prontuário eletrônico do cidadão (PEC). A anamnese farmacêutica seguiu o seguinte critério: 1. Coleta e organização dos dados do usuário (tudo o que o mesmo relatou); 2. Identificação dos Problemas Relacionados a Farmacoterapia (PRF); 3. Elaboração de um plano de cuidado em conjunto com o usuário; 4. Realização do seguimento individual. Nas consultas foram avaliadas a adesão do paciente ao tratamento bem como o acesso ao medicamento, a revisão da farmacoterapia, a conciliação medicamentosa, a capacidade de cognição do paciente com relação ao seu tratamento, a segurança envolvendo a técnica de aplicação da insulina e seu armazenamento, e a efetividade dos medicamentos. Aos usuários em uso de insulina que não possuíam glicosímetro e insumos para o controle glicêmico, a Secretaria Municipal da Saúde garantiu o acesso por meio da Portaria MS nº 2583, de 10 de outubro de 2007. O tempo para a primeira consulta foi padronizado em 40 minutos e de retorno em 30 minutos. Qualquer profissional da equipe tinha acesso a agenda do farmacêutico.
Durante o período de 07 de março de 2023 a 31 de outubro de 2023, foram acompanhados usuários entre a ESF Prudenciana e Cohab IV, já diagnosticados com DM2, apresentando algum tipo de complicação, ou dificuldade para realizar o controle glicêmico adequado, preferencialmente em uso de insulina. Como parâmetro para medir a evolução do usuário foi utilizado o exame de HbA1c, no início do tratamento e após 04 meses de acompanhamento e intervenções. Foram consultados um número de 174 pessoas com 181 retornos, destas, 66 pessoas foram acompanhadas, e somente 31 realizaram o exame de HbA1c. De uma média de HbA1c 13%, após 4 meses de acompanhamento esta média caiu para 9%. Destes, 23% (n=7) do total apresentaram HbA1c abaixo de 7% após os 4 meses, demonstrando uma diminuição das varias complicações do diabetes. E 17% dos pacientes acompanhados permaneceram com HbA1c entre 8% e menores que 11%, demonstrando que ainda precisam ser acompanhados mais de perto. Os problemas relacionados a farmacoterapia (PRF) mais encontrados foram: técnica de aplicação de insulina errada, não homogeneização da insulina NPH, não retirada da capa protetora da agulha da caneta de insulina, local de aplicação inapropriado, armazenamento incorreto das canetas de insulinas, geralmente armazenadas nas portas das geladeiras ou abaixo do congelador, problemas de adesão como omissão de doses voluntariamente, ou mesmo administração das doses de insulina em horários diferentes, e inercia terapêutica.
Os resultados obtidos neste trabalho são de extrema importância e grande avanço da profissão farmacêutica no município, pois demonstram que a qualidade do serviço oferecido e o acompanhamento deste profissional faz diferença na qualidade de vida das pessoas, melhora adesão aos medicamentos, e a condução do tratamento medicamentoso. Pode-se também evidenciar que a prática de educação em saúde é um importante aliado no sucesso da terapêutica do paciente, pois permite que o mesmo faça o manejo adequado das suas condições de saúde. Concluímos então, que mais trabalhos como estes devam ser incentivados, replicados e realizados em todos os territórios de saúde.
Diabetes; cuidado farmacêutico; farmácia clínica.
Meire Francine Mazzega Lemos Fernandes, Osvaldo Caçador Filho