Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A apresentação desse trabalho constitui em relatar o acompanhamento de uma família em extrema vulnerabilidade de saúde e social e o quão foi importante o trabalho articulado intersetorialmente entre as Secretarias de Saúde, Educação e Assistência Social para promover a cidadania e dignidade da família. O caso escolhido refere-se a uma família cuja genitora, mãe solo, de 7 filhos, todos menores e um deles com hidrocefalia. A família vivia em condições precárias de habitação, saúde e acesso a direitos fundamentais, sendo necessário uma articulação Inter setorial, envolvendo outras secretarias do município, para a construção de um plano de cuidado, visando acolhimento e suporte adequado. A equipe do EMAD apresentou o caso em reunião para discussão e construção de um Projeto Terapêutico pela equipe multiprofissional, e articulou com demais secretarias e equipamentos da rede alguns encaminhamentos para condução do caso.
Apresentar a importância do trabalho intersetorial no cuidado aos pacientes atendidos pela equipe de atenção domiciliar no município de Cotia.
Após ciência do caso a família recebeu a visita da Equipe de Atenção Domiciliar (EMAD) que identificou um quadro de extrema vulnerabilidade social, a família vivia em condições de habitação precárias: a residência de um único cômodo, sem ventilação, água encanada, instalações sanitárias ou condições mínimas de higiene. Observou-se que as crianças não tinham carteira de vacinação e não eram acompanhados pelo serviço de saúde do município. O menor G.T.C, 14 anos, Hidrocefalia (CID G91) estava desnutrido, não fazia acompanhamento especializado (neurologista) e falava repetidas vezes que queria uma cadeira de rodas para sair da cama. A família não estava inserida em nenhum programa social, como BPC, Bolsa Família, viviam apenas de doações que em sua maioria eram realizadas pela igreja e vizinhos e não estavam matriculados na escola.
Após várias reuniões a equipe do EMAD conseguiu articular junto a rede de saúde o cadastro da família na UBS de referência onde foi possível agendar consultas de rotina para família. As crianças passaram com pediatra, foi solicitado exames laboratoriais, a mãe passou com ginecologista, foi ofertado método contraceptivo(DIU). As vacinas de todos os membros foram regularizados e o menor G.C.T foi inserido no programa de atendimento domiciliar e o mesmo é acompanhado pela equipe do EMAD ( médicos, enfermagem, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo, assistente social) que o encaminhou ao neurologista para seguimento do tratamento e conseguiu uma cadeira de rodas adaptada com apoio do Desenvolvimento Social. Foi agendado consulta com a psicóloga do EMAD para toda família. As crianças foram matriculadas na escola e foi disponibilizado transporte escolar. O menor G. C.T, foi inserido no programa BPC ( Benefício de Prestação Continuada) e os demais membros no Bolsa Família. odos estão sendo assistido pelo CRAS.
O trabalho integrado no SUS é um dos pilares fundamentais para garantir um atendimento integral, humanizado e eficaz , mas continua sendo um desafio no Serviços de Saúde, que apresentam uma crescente demanda social, sobretudo em programas do SAD, que refletem as diversas vulnerabilidades enfrentadas pela família. Estas demandas vão muito além do corpo clínico, envolvendo aspectos sociais, como acesso à moradia digna e o abandono familiar, fazendo com que o profissional se sinta impotente frente as necessidades apresentadas, porém, no caso apresentado a equipe avalia que o desfecho foi positivo, uma vez que o trabalho ocorreu de forma integrada. As secretarias envolvidas conseguiram oferecer, dentro da sua estrutura, condições para combater as situações de vulnerabilidade promovendo a cidadania e dignidade da família.
Intersetorialidade, Cuidado Integral, EMAD
EDNA PORTO FERREIRA, NILZA FERREIRA, KARINE JORGE