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O município de Taguaí segundo dados do IBGE possui uma população de 12.669 habitantes e no ano de 2024 registrou 2.187 casos confirmados de dengue. O setor da saúde conta com 04 unidades de Estratégia Saúde da Família, uma Unidade Básica de Saúde Tradicional, um Hospital de pequeno porte e um Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Passar por uma epidemia de dengue em um município pequeno, habituado a trabalhar com a medicina preventiva, e os cuidados básicos em saúde pública pode ser bem mais complexo do que imaginamos, requer estudo, organização e parcerias imediatas. Este trabalho traz uma reflexão sobre emergências em saúde pública e a forma como essas situações demandam agilidade e muitas vezes reorganização da Atenção Básica para garantia de acesso da população. Dados do Ministério da Saúde mostram que 2024 foi o ano com mais infecções e mortes causadas pela dengue no Brasil, Taguaí também apresentou o maior número de casos dos últimos 20 anos. O município registrou o início do surto de dengue na segunda semana de fevereiro com platô em março de 2024, em 90 dias aproximadamente 20% da população teve dengue (uma em cada seis pessoas). Devido à alta demanda de pessoas com dengue e o risco de colapso do serviço de urgência, foi necessário ampliar o acesso através da reorganização da atenção básica e assim, acolher, notificar, monitorar, hidratar/tratar os casos de dengue, visando a redução de agravos, com a reabilitação total dos pacientes
OBJETIVO GERAL Organizar a Atenção Básica para atendimento da dengue visando reduzir a incidência de casos e sobretudo, evitar óbitos. OBJETIVO ESPECÍFICO Realizar capacitação contínua com equipes da Atenção Básica para protocolos clínicos e fluxos assistências em casos de dengue. Organizar todas as unidades básicas de saúde para atendimento integral do usuário com dengue, do diagnóstico a reabilitação. Planejar ações intersetoriais em casos de surtos e epidemias de dengue com capacidade de resposta rápida. Realizar trabalho integrado e visita compartilhada dos agentes comunitários de saúde e de endemias. Manter reuniões periódicas e sala de situação para dengue Acompanhar e monitorar as visitas dos agentes comunitários de saúde Atualizar plano de ação com vistas a diminuir o índice vetorial do Aedes Aegypti
Para organizar a Atenção Básica e atender os casos de dengue da notificação ao tratamento/hidratação a Coordenadoria de Saúde, juntamente com as Vigilâncias Epidemiológica e Sanitária visitaram as unidades identificando espaços potenciais onde estes pacientes poderiam ser atendidos e acompanhados durante os períodos de surtos e epidemia por dengue. As unidades foram equipadas com insumos e medicações necessários para atendimentos (teste rápido, macas, cadeiras, suportes de soro, aparelhos de pressão, oxímetros). As equipes passaram por educação continuada e treinamentos para identificar sinais de alarme e manejar corretamente os casos, com estabelecimento de fluxo claro para encaminhamentos de pacientes conforme gravidade. Mantivemos programação para atendimento dos pacientes crônicos para dar seguimento ao cuidado continuado, evitando falta de seguimento desses grupos (idosos, gestantes, crianças, doentes crônicos.) Através das ações intersetoriais, foi fortalecida parcerias com escolas, empresas, órgãos públicos para controle ambiental e eliminação de criadouros. Houve a integração dos ACE com ACS com visitas compartilhadas fazendo parte da rotina, ações de bloqueio, participação de planejamentos. A Coordenadoria Municipal de Saúde também utilizou espaços com setor legislativo, em reuniões na câmara municipal para informar os vereadores sobre a situação epidemiológica de dengue solicitando apoio e multiplicação de informações corretas.
Através da reorganização das unidades de saúde conseguimos atender a grande demanda de pacientes com dengue que procuraram por atendimento, em 2024 de fevereiro a junho foram realizados 410 atendimentos para hidratação endovenosa nas Unidades Básicas de Saúde, 982 atendimentos médicos e 98 visitas domiciliares com equipe multiprofissional para os mais debilitados e vulneráveis com dengue. Esses atendimentos na atenção básica reduziram as internações, garantindo tratamento e hidratação no domicílio com o paciente próximo da família. O trabalho integrado dos ACS e ACS favoreceu a identificação e eliminação dos criadouros do mosquito Aedes Aegypti. As reuniões para sensibilização do setor legislativo também tiveram impacto uma vez que estes representantes auxiliaram na divulgação de informações precisas. E apesar de registrarmos um número expressivo de dengue (2187 casos confirmados) foi registrado apenas um óbito de paciente idosa com comorbidade, devido as ações efetivas da Atenção Básica e outros serviços intersetoriais, destacando a importante comunicação com os profissionais da Santa Casa.
Esse trabalho possibilitou conhecer e identificar as reais necessidades do planejamento do plano de combate à dengue, visando ações em tempo oportuno quando instalado, surtos e epidemias de dengue. Com a implementação do plano de intervenção fica possível evidenciar a importância das unidades de saúde como porta de entrada e tratamento dos casos de dengue, garantindo assim acesso e monitoramento dos pacientes. Observou-se um impacto importante na reorganização das unidades de saúde para o atendimento o que proporcionou ampliação dos atendimentos visando o benefício da melhoria da saúde de toda comunidade, com redução de agravamentos e mortes. O engajamento intersetorial foi ponto-chave para enfrentar os desafios impostos pelos surtos de dengue, essa estratégia integrada, melhorou o atendimento e fortaleceu a participação da comunidade e a responsividade do sistema de saúde. O enfrentamento da dengue não pode ser alcançado por único setor isoladamente. A intersetorialidade é o caminho para uma abordagem integral, essa resposta colaborativa fortalece a resposta do sistema de saúde, promovendo um ambiente mais saudável e seguro para população. Na epidemia de dengue identificamos que a Atenção Básica deve ser a ordenadora do cuidado
Atenção Básica, Reorganização, Dengue
GIOVANA CADAMURO ROCHA DE ANDRADE, RENATA BERGAMO PIRES, MARIA GABRIELLA CARNIATO ROMANO GALDINO