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A alimentação é um fator essencial para a manutenção da saúde e sobrevivência humana. No entanto, a experiência de se alimentar vai além da simples ingestão de nutrientes, envolvendo a interação com diferentes sabores, texturas, odores e sensações. Essa prática também está profundamente ligada ao compartilhamento social e afetivo dessas vivências. A diversidade de alimentos e as diversas formas de prepará-los requerem um vasto conhecimento. Esse aprendizado, muitas vezes, é transmitido por meio de receitas compartilhadas no seio familiar ou por tutoriais disponíveis na internet. Contudo, nem todos os indivíduos têm acesso a esse tipo de informação, especialmente aqueles que enfrentam dificuldades no aprendizado. Em muitos casos, essas pessoas são excluídas do processo de aprendizagem sobre o preparo de alimentos, o que impacta diretamente em sua autonomia e possibilidade de participar das atividades culinárias familiares. Com base nessa realidade, a oficina de culinária realizada no CAPS justifica-se como uma ferramenta para incentivar os usuários a explorarem as múltiplas possibilidades que a alimentação oferece. Através do contato com diferentes técnicas gastronômicas, experimentação de sabores e texturas, e a realização de preparos simples, buscaram proporcionar a esses usuários a oportunidade de ampliar seu repertório culinário, superando limitações e fortalecendo suas potencialidades, promovendo assim sua autonomia.
Fortalecer o protagonismo do usuário do CAPS para o preparo e conhecimento de técnicas gastronômicas no desenvolvimento de sua autonomia no preparo de alimentos; Proporcionar experiências nutricionais com a utilização de ingredientes da dieta tradicional brasileira; Aprimorar habilidades no preparo de alimentos com a aplicação de técnicas gastronômicas; Promover a educação sobre higiene e segurança alimentar, reforçando práticas adequadas no manejo de alimentos.
Acontecendo semanalmente, às terças-feiras, na copa do CAPS, equipada com pia para higienização das mãos, mesas para servir as refeições e uma cozinha. Os participantes são selecionados com base nas necessidades identificadas no Projeto Terapêutico Singular (PTS), sendo indicados pelos profissionais de referência. A oficina é coordenada por dois profissionais: um com formação técnica em gastronomia e outro com ampla experiência na área. A oficina se inicia com os usuários realizando a higienização individual e paramentação. Em seguida, é apresentada a receita que será preparada, com explicações técnicas sobre os ingredientes, a técnica culinária a ser utilizada e a sequência das etapas. Os usuários participam ativamente de cada fase do preparo, de acordo com suas capacidades individuais. Durante o processo, são compartilhadas informações sobre os alimentos, como suas classificações nutricionais, formas alternativas de preparo, recomendações de consumo e cuidados com o armazenamento. A oficina também visa incentivar a reprodução das receitas em casa, promovendo a autonomia dos usuários. Na etapa final, é realizado o prato de apresentação, com foco na estética e na experiência sensorial, culminando na degustação do prato preparado pelos próprios usuários. As receitas são escolhidas com base na disponibilidade de ingredientes, no tempo disponível para a oficina, na viabilidade de aquisição dos insumos e na proposta de proporcionar experiências sensoriais diversificadas.
A oficina tem gerado um grande interesse entre os usuários, que participam ativamente e com regularidade. Observamos que os cuidados com a higiene pessoal e no preparo dos alimentos têm sido aplicados de maneira espontânea pelos participantes. Além disso, notamos curiosidade em explorar novos preparos e utilizar ingredientes alternativos. Alguns usuários relataram ter reproduzido as receitas ensinadas durante as oficinas em casa, compartilhando com os demais participantes suas experiências e trazendo as preparações para degustação. Um dos usuários, por exemplo, produziu um vídeo demonstrando todas as etapas de uma receita. Os usuários que inicialmente não tinham experiência culinária passaram a participar ativamente, mesmo executando preparos simples, como fritar ovos, e expressando interesse em repetir essas atividades. Além disso, em outubro, os usuários participaram da produção e modelagem de bolachinhas, que foram entregues como lembrancinhas durante o sarau de Halloween. Esse momento, proporcionou uma experiência culinária significativa e estimulou o trabalho em grupo. Outra observação importante é que os conhecimentos técnicos compartilhados durante as oficinas têm sido apreendidos e aplicados de forma contínua pelos usuários. Frequentemente, os participantes se ajudam, compartilhando o que aprenderam nos encontros, o que tem fortalecido os vínculos sociais e promovido uma atmosfera colaborativa.
A oficina de culinária tem se consolidado como um espaço importante de aprendizado e compartilhamento de experiências, além de servir como um ponto de expressão das potencialidades dos usuários. Para além do simples preparo de receitas, a oficina se configura como uma ferramenta terapêutica que permite aos profissionais identificar e trabalhar as demandas individuais dos participantes seja no que diz respeito à socialização, habilidades motoras ou autonomia funcional. A valorização dos alimentos e o incentivo à experimentação de novas receitas têm contribuído para a quebra de preconceitos alimentares e para a ampliação do repertório culinário dos usuários. Mais importante ainda, as oficinas têm fomentado a participação ativa dos usuários na rotina familiar, permitindo-lhes se envolver mais efetivamente nas tarefas de preparo de alimentos em casa. Esse processo, além de promover o aprendizado, reforça a importância da autonomia no cuidado com a alimentação, um aspecto fundamental para a saúde e bem-estar dos participantes.
Alimentação, Saúde, Autonomia alimentar, CAPS
CINTIA MAGALHÃES NEIA, LUCILEIA DE SOUZA, ELIANA CONCEIÇÃO ZANATA