Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A Central de Regulação de Vagas de Santos (CRV) denominada de Seção de Controle de Vagas Hospitalares (SECONVAG) utiliza o sistema federal SISREG para a gestão de vagas hospitalares. É neste sistema que as três UPAS existentes no município – UPA Zona Leste, UPA Central e UPA Zona Noroeste, inserem as solicitações de vagas com a devida descrição do caso, complexidade, exames laboratoriais, etc. Estas fichas cadastradas pelas unidades e atualizadas diariamente, são avaliadas por uma equipe de reguladores composta por médicos e enfermeiros que trabalham diuturnamente em busca da vaga conforme a especificidade de cada caso. Apesar dos treinamentos ofertados e protocolos instituídos, a incongruência das informações ou a falta delas, tendem a prejudicar a condução da solicitação e consequentemente o paciente. Para aproximar o subjetivo do objetivo, foi estabelecido o papel do enfermeiro visitador iniciado em abril de 2024, com a missão de avaliar à beira leito juntamente com a equipe da unidade, a descrição da solicitação e a otimização do recurso. Em muitos casos, a orientação do fluxo e o apoio para agendamento de especialistas, impacta na internação, gerando quando possível, a alta hospitalar.
– Reduzir as inconsistências contidas nas fichas de solicitação de vagas enviadas pelas UPAs como falta de dados, falta de resultado de exames e má descrição do caso; – Realizar visita diária às UPAS para acompanhamento dos casos juntamente com a equipe da unidade, propondo inserção de informações importantes à CRV e desconsideradas pela unidade como local de acompanhamento ambulatorial, internação anterior, além da descrição compatível com o quadro observado; – Estabelecer uma relação de confiança e troca de saberes entre equipes (SECONVAG e UPA) como fluxos e critérios de prioridade; – Apoiar as UPAS para a alta segura e direcionada à especialidade com a marcação da consulta, quando esta for substitutiva à internação hospitalar;
As três UPAs do município de Santos são geridas por Organizações Sociais (O.S) distintas, com processos de trabalho e governabilidade própria, que seguem protocolos estabelecidos pela gestão conforme POA (Plano Operativo Anual) estabelecido no início de cada contrato. Antes de iniciar o processo das visitas às UPAs, fez-se necessário uma primeira visita às três unidades acompanhadas da Gestora da CRV para a devida apresentação e explicações sobre a função que seria exercida, estabelecendo desta forma o canal de comunicação. Inicialmente a enfermeira visitadora permaneceu na CRV compreendendo os processos internos de trabalho, os protocolos e as angustias vivenciadas pela equipe, além de avaliar as fichas de solicitação de vaga para adquirir conhecimento sobre a demanda. Sennett (2009) define o trabalho do “artífice” como quem realiza um trabalho desafiador, com engajamento, curioso e dotado de criatividade no processo de construção, aprendendo com a incerteza. A relação desta definição com o trabalho desenvolvido pelo visitador, se dá na indisponibilidade do controle e do produto final. Os processos de trabalho não estão focados apenas no resultado e sim nas melhorias dos processos através das trocas com o uso da tecnologia leve e em muitos momentos leve-dura (Merhy, 2005). Após esta primeira fase (interna), tiveram início as visitas às UPAS com boa aceitação pelas equipes das unidades, melhoria da descrição das solicitações e altas para acompanhamento ambulatorial.
Como resultado desta ação, percebeu-se uma melhoria na qualidade das informações contidas nas fichas; Melhoria da qualificação e priorização dos casos de acordo com a avaliação a beira leito; Estabeleceu-se uma troca de saberes importante para a Rede de Atenção à Saúde (RAS). Houve uma redução importante (cerca de 25%) nas não -conformidades mensais graças à aproximação do visitador com as equipes das unidades, sendo possível os ajustes de forma pontual e exemplificada.
O papel do enfermeiro visitador tem se mostrado de grande potência. Através das visitas in loco, tem sido possível verificar melhoria na condução dos casos, a troca de saberes, o estreitamento do diálogo e a priorização dos casos de acordo com sua real necessidade. Percebe-se que a informação que pode estar ausente nas anotações descritas em ficha, se tornam presentes quando há diálogo e troca de informações.
Regulação de vaga; Trabalho em Saúde; Colaboração
RUBIA LORRAINE FERNANDES VALENTE, ELOISA FRAGA LOPES GALASSO, SILVIA DE ALMEIDA MENDES ANDRADE, GEOVANA DOMINGOS NUNES