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O farmacêutico tem ganhado cada vez mais espaço na Saúde Pública, principalmente após a publicação das resoluções nº 585 e 586 do Conselho Federal de Farmácia (CFF) em 2013, que garantiu a ampliação das atribuições desse profissional. Em setembro de 2024, o CFF publicou a Resolução nº 12/2024, que dispõe sobre a prescrição de contraceptivos hormonais por farmacêuticos no Brasil. Para isso, também disponibilizou o Protocolo de Prescrição e Workshops para capacitação dos profissionais. A gestação na adolescência, assim como a não planejada, acarreta em vários problemas sociais e de saúde para a pessoa que gesta e para a criança, já citados na literatura (Mattos, 2022 de Souza, 2022). O tempo de espera médio para consultas médicas- e prescrição de anticoncepcional- é de três meses. Antes da resolução 12/2024 do CFF, o envolvimento do farmacêutico no uso de contraceptivos, restringia-se à orientação sobre posologia e esclarecimento de dúvidas durante a dispensação, assim como o uso racional. A presente experiência tem o objetivo de analisar a importância do profissional farmacêutico na contracepção hormonal antes e após a publicação da resolução 12/2024 do CFF , em uma USF de Atibaia para a população adscrita do território.
– Quantificar os atrasos de retiradas dos anticoncepcionais na farmácia da unidade no período de junho de 2024 a Janeiro de 2025, refletindo o uso irracional do fármaco prescrito. – Quantificar quantas prescrições foram emitidas pelo farmacêutico no total e o padrão das mesmas. – Analisar o perfil das usuárias atendidas para prescrição farmacêutica em relação a idade e sexo e também ao método contraceptivo hormonal prescrito. – Mostrar a importância do papel do farmacêutico dispensador e prescritor de contraceptivos hormonais na referida unidade de saúde.
Através dos dados do Sistema Hórus, foi realizado um levantamento do número de usuários atendidos para dispensação de contracepção hormonal, e do número de atrasos na dispensação por meio da relação dos termos de responsabilidade assinados na farmácia. Para prescrição, a agenda farmacêutica foi ampliada com apoio da gerência da unidade de Saúde e da recepção, com o objetivo de garantir os serviços clínicos farmacêuticos. O perfil das pacientes foi analisado a partir dos dados da plataforma e-sus onde os atendimentos foram registrados e as prescrições foram adicionadas. Para a inserção de método contraceptivo foi solicitado o exame de BHCG sanguíneo ou urinário, dependendo do intervalo entre a última relação sexual e a consulta, e também foi realizada a anamnese conforme o Protocolo de Prescrição do CFF. As renovações das prescrições vencidas ou perdidas foram realizadas mediante a consulta farmacêutica no dia ou à distância, por meio de contato telefônico com as pacientes para rastreamento de possíveis reações adversas ao medicamento (RAMs) e análise do prontuário eletrônico das pacientes e resultados de últimos exames laboratoriais. Foram considerados para prescrição os contraceptivos hormonais que fazem parte da REMUME, buscando facilitar o acesso.
Complementando o perfil das pacientes: 33,3% eram fumantes e 8% estavam amamentando, dados importantes pois pacientes tabagistas e lactantes devem ter como método de primeira escolha progestágeno isolado.O método mais prescrito foi a medroxiprogesterona injetável devido a preferência por intervalos maiores de aplicação o que contribui para adesão e não esquecimento de doses. Com relação a dispensação de contraceptivos hormonais de junho de 2024 a janeiro de 2025 foram realizadas dispensações para 468 usuárias sendo que 108 dessas usuárias assinaram o termo de atraso nesse período, mostrando a importância da orientação contínua sobre o uso racional na dispensação, para que a paciente obtenha o efeito desejado. Já em relação a prescrição, durante os meses de setembro de 2024 e janeiro de 2025 foram realizados 24 atendimentos, sendo 05 para primeira introdução de método contraceptivo, 03 de reintrodução – paciente já utilizou alguma vez- , 10 renovações de prescrições e 6 prescrições com trocas de método contraceptivo. As trocas em sua maior parte ocorreram devido a RAMs ou preferência da paciente em não menstruar. A população atendida em sua maioria eram do sexo feminino na faixa etária de 20 a 24 anos.
Considerando que o profissional médico era o único habilitado para introdução do método contraceptivo – primeira prescrição- o tempo de espera para acesso a esse profissional equivale ao tempo no qual o risco de gestação não planejada continua existindo. Além disso, o contato do farmacêutico e o acompanhamento pelo mesmo nas dispensações é essencial para a integralidade do cuidado. Na unidade analisada, todas as pacientes eram mulheres cisgêneras, a faixa etária majoritária das atendidas foi de 20 a 24 anos e o contraceptivo mais prescrito foi medroxiprogesterona 150mg/mL. De modo geral, a maioria das pacientes atendidas teve preferência por métodos injetáveis pois consideram mais cômodo do que os orais, que devem ser tomados diariamente e a maioria delas citaram esquecimento ou medo de esquecimento da dose diária. Entre o tipo de atendimento 14 atendimentos foram realizados no dia, ou seja, demanda espontânea. Esta experiência traz uma reflexão de como o farmacêutico pode complementar e contribuir com o cuidado ofertado à população adscrita, mostrando a importância de incentivar a atuação do farmacêutico nesta área de contracepção hormonal para a saúde pública.
PRESCRIÇÃO FARMACÊUTICA; CUIDADO COMPARTILHADO
GABRIELA CRISTINA BARREIRO