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De acordo com o Documento Norteador da Equipe Multiprofissional da Atenção Básica (2023), orienta que a atividade coletiva é ferramenta essencial para a atenção básica, prevendo a possibilidade de ser interdisciplinar, transversal e integral ao cuidado do paciente. Para a saúde mental atividades em grupo possibilita a participação de um número de pessoas subjetivas compartilhando fatores semelhantes devido suas vivências, saberes e aprendizagem, neste momento é apropriado dizer que a escuta torna-se mais qualificada, terapêutica e compondo os cuidados essenciais a determinados grupos, fornecendo suporte, orientações, compartilhamento de ideias e encontros semanais e afetivos. O seguinte trabalho reforça a importância dos grupos psicoterapêuticos na unidade básica neste caso elabora-se um grupo de adultos com a faixa etária maiores de 18 anos há mais de um ano em acompanhamento, no espaço de tempo as Prática Integrativa Complementar (PICS) necessariamente Auriculoterapia juntou-se a este cuidado focando em sintomas depressivos e ansiosos. Deste modo, podemos refletir e pensar que por vezes a necessidade do paciente é escuta e o cuidado horizontal da saúde. Ressaltamos que a auriculoterapia trata-se de técnica de acupuntura, neste caso usa-se sementes para estimular pontos reflexos do pavilhão auricular que estão diretamente relacionados ao sistema nervoso central, auxiliando no tratamento específicos do organismo humano.
Relata-se sobre atendimento em grupo psicoterapêutico semanal com pacientes maiores de 18 anos em que são acompanhados há mais de um ano na UBS Jardim Germânia, na qual no período de agosto de 2024 foi implementado como manejo de cuidado a Auriculoterapia com foco na redução de sintomas ansiosos e depressivos, além da escuta psicoterapêutica a orientação oportuna para a mudança de hábitos e quanto a qualidade de vida. Este trabalho compõe o olhar de uma psicóloga que acredita no cuidado para além do grupo e sim para a vida, nas modificações e contextos sociais em que os pacientes estão inseridos, assim de acordo com Carl Rogers (1987) “a vida é na melhor das hipóteses um processo fluído e mutante na qual nada é fixo”.
A metodologia adotada foi a qualitativa através da percepção da necessidade do paciente com o manejo e cuidados adequados para a transformação dos espaços em decorrência da escuta e atitude colaborativa do munícipe. O processo grupal é transformador e promotor de mudanças significativas nas pessoas que nele participam (Rogers, 11970/2009, p. 42). O grupo psicoterapêutico realiza-se todas as terças-feiras do mês no horário das 08h00 às 10h00, com a implementação da Auriculoterapia ele foi modificado para complementar dois eixos essenciais do cuidado sendo o 1ª tempo focado na aplicação e escuta individual do paciente dando a abertura e conforto para que seja dito os seus sentimentos íntimos realizando a aplicação dos pontos de acordo com a avaliação profissional, logo no 2ª tempo realiza-se a junção do grupo numa sala fechada com sigilo garantido para a reflexão, escuta terapêutica e compartilhamento de ideias. De acordo com Wood (1983, p. 67), podemos compreender o atendimento em grupo como a criação de um clima facilitador e a tendência formativa fará o resto. A Abordagem Centrada na Pessoa (ACP), observa com sucesso a importância de grupos psicoterapêuticos sendo a principal metodologia desta linha de cuidado em saúde mental em variáveis níveis de atenção à saúde.
A partir das estratégias adotadas de avaliação do paciente a cada dois meses por meio do Inventário de Beck (BAI) e Patient Health Questionnaire (PHQ) para reconhecer o impacto da ansiedade e depressão ao paciente podemos observar a efetividade das sessões de auriculoterapia de maneira adequada, fortalecendo que o grupo psicoterapêutico estimulou com que o paciente tivesse contato com a sua angústia e por meio da psicoeducação elaborada pelo profissional psicólogo em sala dentro do contexto de mudanças de hábitos, mudanças alimentares, comportamentais e autorreflexão sobre si. O paciente torna-se protagonista da sua história quando reconhece que pode lidar com os anseios através do fortalecimento da autoestima, assim apresentando o seu limite, seus desejos e expectativas e elaborando de acordo com a sua vivência biopsicossocial. No eixo da auriculoterapia foi utilizado de maneira frequente os pontos auriculares shen men, tronco cerebral, rim, simpático, pulmão e fígado. Prado (2018) aborda que efeito placebo na auriculoterapia entrelaça com os aspectos emocionais e psicológicos, neste contexto o paciente foi orientado que está recebendo um tratamento além de vivenciar expectativas positivas e a provável criação de vínculo.
Consideramos que a vida é um mecanismo no qual o movimento está sempre incluso, assim vemos a transformação em nossos relacionamentos, interesses pessoais e vínculos afetivos em nossas tomadas de decisões, o seguinte relato de experiência da relação da saúde mental com as práticas integrativas compõe o olhar para dentro das naturalidade do ser. Correia e Moreira (2016, p. 532) adequá que não é possível separar o sujeito que vive a experiência, da experiência de fato, uma vez que tudo está entrelaçado com o mundo. Este relato de experiência nos mostra como o encontro em grupo psicoterapêutico na Atenção Primária à Saúde pode passar por processos efetivos de cuidado, assim com a junção da acupuntura “Auriculoterapia” pude perceber a melhora significativa de humor dos pacientes assim como as expressões de como sentem-se em suas vidas e vivências, pude também reconhecer que não só existe os fatores emocionais, mas como os fatores físicos prejudicam a nossa razão. Com isto, parafraseando Viktor Frankl (2011), pois entre o estímulo e a resposta há um espaço, neste espaço está o nosso poder de escolher a resposta, porém em nossa resposta está nosso crescimento e nossa liberdade.
Saúde mental, Práticas Integrativas
GABRIELLE CAROLINA RIBEIRO FERREIRA