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A reabilitação de pacientes com sequelas de Acidente Vascular Cerebral (AVC) na Atenção Primária enfrentava barreiras críticas de acesso, gerando um vazio assistencial que isolava o indivíduo. Como fisioterapeuta, observei que esses usuários chegavam ao serviço após longos períodos sem atendimento, com a identidade fragmentada pela deficiência física. A justificativa deste projeto residiu na urgência de oferecer uma resposta que unisse a cinesioterapia intensiva ao resgate da dignidade biográfica. O projeto O Grupo que Transforma fundamentou-se na premissa de que a recuperação motora está intrinsecamente ligada ao reconhecimento do sujeito. Ao recontar suas histórias — do nascimento aos desafios do trabalho e da família —, os pacientes ressignificaram o trauma do AVC. O projeto justificou-se como uma estratégia de equidade para um público negligenciado, utilizando a coleta de narrativas em consultas individuais para validar a vida que existia antes da sequela. Essa abordagem permitiu que a fisioterapia transcendesse a intervenção mecânica, tornando-se um processo de emancipação. O livro, fruto desta experiência e agora já concluído com a biografia de 35 pacientes, materializou essa jornada, provando que o SUS é capaz de oferecer reabilitação humanizada e de alta resolutividade através da união entre o movimento corporal e a palavra, transformando o paciente com sequela em autor de sua própria superação e protagonista de sua história.
O objetivo central foi promover a reabilitação funcional de pacientes com sequelas de AVC através da cinesioterapia em grupo e do resgate de suas memórias biográficas. Os objetivos específicos alcançados foram: Recuperar a capacidade funcional e a autonomia de 35 pacientes que anteriormente não conseguiam acesso a atendimento especializado; Realizar a coleta de narrativas detalhadas em consultas individuais, percorrendo toda a trajetória de vida dos usuários, do nascimento à chegada ao serviço de saúde; Produzir e concluir o livro O Grupo que Transforma, compilando as biografias e os processos de superação das limitações impostas pelo AVC deste grupo; Reduzir o isolamento social e a depressão pós-evento através da dinâmica coletiva e do suporte entre pares; Fortalecer a autoestima dos participantes, elevando-os ao status de autores; Demonstrar a eficácia deste modelo de cuidado, resultando em evolução física e emocional fantástica, servindo de paradigma para a rede municipal de saúde
A metodologia foi aplicada a um grupo de 35 pacientes com sequelas de AVC que enfrentavam dificuldades de acesso à reabilitação. O trabalho estruturou-se em dois eixos complementares. No eixo coletivo, realizaram-se sessões semanais de cinesioterapia com foco em fortalecimento, equilíbrio e treino de marcha funcional. No eixo individual, a fisioterapeuta realizou consultas para a coleta das narrativas de vida. O roteiro cronológico abrangeu o nascimento, as memórias da infância, a educação, as conquistas no trabalho e a constituição familiar, culminando no evento do AVC e na jornada de recuperação no SUS. Essa escuta qualificada permitiu que cada paciente processasse o luto da funcionalidade perdida e visualizasse seu potencial de cura. O grande diferencial metodológico foi a expectativa gerada pela escrita do livro: o desejo de narrar a superação atual serviu como o principal combustível para o esforço físico nas sessões de grupo. O livro O Grupo que Transforma, agora concluído com as 35 biografias, foi construído a partir dessas vivências, unificando as trajetórias em um registro histórico de resiliência. A metodologia utilizou recursos de baixo custo, provando que a tecnologia leve — baseada no vínculo, na escuta e na cinesioterapia aplicada — é suficiente para gerar resultados extraordinários. O processo finalizou-se com a validação das histórias pelos próprios autores, consolidando o reconhecimento de sua evolução funcional e humana.
Os resultados alcançados com os 35 participantes foram descritos como uma evolução fantástica. Pacientes que outrora apresentavam prostração demonstraram ganhos exponenciais em força e independência funcional. A estratégia de realizar consultas individuais para ouvir sobre o nascimento e a vida laboral foi o catalisador desse progresso: ao serem reconhecidos além da patologia, os pacientes recuperaram a vontade de lutar contra as limitações motoras. A conclusão do livro O Grupo que Transforma coroou esse processo, gerando um orgulho profundo e o resgate da cidadania. O livro passou a funcionar como um espelho motivacional: ao lerem as trajetórias uns dos outros, os pacientes fortaleceram o vínculo de resiliência comunitária. A assiduidade foi de 100%, evidenciando que o engajamento emocional acelerou a recuperação neurofuncional. O projeto preencheu com êxito o vazio assistencial de quem não tinha acesso ao tratamento, transformando sobreviventes de AVC em autores reconhecidos. O resultado transcendeu a fisioterapia convencional: entregamos cidadãos empoderados e funcionalmente mais ativos. A evolução física, indissociável do resgate biográfico, provou que a reabilitação em grupo é uma ferramenta potente para devolver a autonomia. O livro com as 35 biografias é hoje o testemunho físico dessa transformação, simbolizando a transição da dor para a palavra e da paralisia para o movimento, consolidando o sucesso absoluto desta jornada terapêutica.
O Grupo que Transforma é a prova de que a reabilitação de AVC no SUS atinge resultados excepcionais quando une técnica cinesioterapêutica e sensibilidade humana. A experiência demonstrou que o tempo dedicado à escuta das histórias de vida — do nascimento à maturidade — foi o investimento mais eficaz para a recuperação neurológica dos 35 participantes. O livro concluído é o legado desta jornada, provando que a paralisia motora não paralisou a essência desses sujeitos. Ao oferecer atendimento a quem estava desamparado, o projeto rompeu o ciclo de invisibilidade. A evolução fantástica observada confirma que inovação na saúde pública reside na valorização da totalidade do indivíduo. Conclui-se que o modelo de cinesioterapia aliado ao resgate narrativo é uma tecnologia social plenamente replicável, capaz de responder de forma eficiente à demanda reprimida por reabilitação. O projeto encerra-se com a materialização das conquistas em forma de livro e com a certeza de que, no SUS, o movimento cura quando a história é valorizada. Devolvemos a esses pacientes mobilidade física e, acima de tudo, a dignidade de verem suas vidas reconhecidas como uma narrativa de coragem e vitória, imortalizada nas páginas de uma obra escrita por eles mesmos
Fisioterapia, Reabilitação
SILVIA DE CÁSSIA ARAÚJO ALVES