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Diariamente, pelo menos 85 brasileiros sofrem amputações de pés ou pernas na rede pública de saúde, sendo as complicações por diabetes o principal fator causante. A reabilitação física no Sistema Único de Saúde é realizada pelos Centros Especializados em Reabilitação – CER, porém encontramos um cenário de alta demanda e pouca oferta. No CER M’Boi Mirim o protocolo de amputados teve seu início em maio de 2023, entre os dados epidemiológicos que são acompanhados pela equipe de reabilitação, está o tempo entre o pós operatório e a avaliação com a equipe especializada, na qual encontra-se em média de 276 dias, o equivalente a nove meses. Dentro deste período acompanhamos os relatos das mudanças drásticas na rotina e na qualidade de vida dos pacientes, que passam a ficar mais tempo ou até permanentemente em cadeiras de rodas. A dificuldade de locomoção potencializado com as barreiras ambientais interferem diretamente na socialização com familiares, parentes e amigos e nas atividades de lazer e fonte de renda. Entre as ferramentas avaliativas do protocolo de amputados do CER M’Boi Mirim está a avaliação da qualidade de vida por meio do questionário internacional WHOQOL bref, elaborado pela Organização Mundial de Saúde que tem por objetivo avaliar os aspectos físicos, psicológicos, sociais e ambientais do indivíduo. Com isso conseguimos mensurar se o processo de protetização é capaz de promover melhoras significativas na qualidade de vida do paciente amputado.
Avaliar por meio do questionário WHOQOL bref os quatro domínios da qualidade de vida: físico, psicológico, social e ambiental no paciente elegível a protetização dos membros inferiores.
O questionário WHOQOL bref foi aplicado pelo fisioterapeuta responsável no início dos treinamentos com a prótese provisória e reavaliado na alta clínica com a prótese definitiva, período este que ocorre em média de 06 meses de reabilitação.
No período de maio de 2023 a outubro de 2024, 13 pacientes foram protetizados, sendo n=9 próteses transtibiais e n=04 transfemorais com média de 49 anos de idade. Para analisarmos se há uma mudança significativa entre as avaliações foram calculadas as taxas de conversão dos domínios do questionário. O cálculo foi obtido a partir da identificação do Desvio Padrão (DP), da Mínima Mudança Detectável (MMD) e do Erro Padrão da Medida (EPM), na qual obtivemos as seguintes taxas de conversão: domínio físico: ≥ 11 pontos, domínio psicológico: ≥ 10 pontos, domínio social: ≥ 8 pontos, domínio ambiental: ≥ 9 pontos. De acordo com análises podemos observar uma melhora em todos os domínios entre as avaliações, porém somente o item ambiental atingiu a taxa de conversão ≥ 9 pontos.
Todo o processo multidisciplinar de reabilitação e a protetização promovem melhorias em todos os domínios na qualidade de vida. Acreditamos que as dificuldades e as barreiras territoriais seriam melhores superadas se houvesse dispositivos com mais tecnologias que pudessem otimizar as funções de mobilidade do indivíduo, assim como iniciar a reabilitação em um tempo oportuno evitando as perdas físicas e psicológicas.
amputados; protetização; qualidade de vida.
AMANDA DA CONCEIÇÃO TEODOSIO, DAIVISON LUCAS