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Em junho de 2022 a Secretaria Municipal de Saúde de Ilha solteira realizou um levantamento da demanda reprimida de pacientes com suspeita e com diagnóstico do TEA, que totalizou 84 crianças, sendo que destas 27 ou seja (32,14%) não eram assistidas. Em julho deste mesmo ano implantou um novo serviço para atendimento. As alterações do TEA estão relacionadas a memória, processamento de informações e das emoções, dificuldades no contato visual, déficits de atenção, alterações nos reflexos dos movimentos e coordenação motora. Visando tornar os indivíduos mais independentes e favorecendo a melhora na qualidade de vida dos portadores de TEA e consequentemente da família, foi implantado o Jiu-Jitsu, que pode ser uma ferramenta valiosa no tratamento de crianças com autismo, oferecendo benefícios físicos, emocionais e sociais. Utilizamos esse esporte tornando a experiência ainda mais atrativa e prazerosa do que muitas intervenções tradicionais. O treinamento de jiu-jitsu deve ser adaptado às necessidades individuais de cada criança com TEA. E é importante monitorar o progresso da criança e ajustar o treinamento, conforme necessário para garantir que o jiu-jitsu continue a ser uma experiência positiva e benéfica.
Ampliar os recursos terapêuticos aplicado ao transtorno do espectro autista; Proporcionar um atendimento mais atrativo, deixando o processo de reabilitação mais lúdico; Otimizar o condicionamento cardiovascular, a coordenação motora, a amplitude de movimento e o equilíbrio; Aumentar a flexibilidade e adaptabilidade, permitindo que as crianças se adaptem melhor a mudanças e novas situações. Adequar o sistema sensorial, já que este é muitas vezes afetado em crianças com TEA. Ajudar a aumentar a força e resistência muscular; Melhorar a postura e reduzir a probabilidade de lesões; Promover o desenvolvimento da disciplina e da responsabilidade; Desenvolver a liderança e ao mesmo tempo a empatia com o grupo; Reduzir a ansiedade e estresse, promovendo um estado de calma e relaxamento; Desenvolver habilidades sociais, como comunicação, cooperação e respeito pelos outros; Conquistar a autoestima e confiança, permitindo que as crianças se sintam mais seguras e capazes.
Após fazer um levantamento do número de crianças com hipótese diagnostica de TEA, verificou se que muitas destas apresentavam déficits na coordenação e no equilíbrio e na atenção visomotora, além de apresentar uma marcha rígida (sem dissociação de cinturas), com alteração na pisada ou em ante pé ou com desabamento do arco plantar, isto despertou a busca de recursos para esta reabilitação então surgiu a ideia do Jiu-Jitsu. O foco das atividades psicomotoras é em pacientes dispráxicos que apresentam dificuldades nas atividades e movimentos coordenados, mesmo que seja em gestos simples ou ações que envolvem sequenciamento de movimentos. As sessões estão sendo realizadas 1 vez por semana com duração de 50 minutos. Uma aula de jiu-jitsu típica pode variar dependendo do estilo, nível e objetivo do treinamento, em geral a aula começa com um aquecimento para preparar o corpo para o treinamento, que pode incluir alongamentos, corrida, saltos, etc. Depois o instrutor ensina uma ou mais técnicas de jiu-jitsu, que podem incluir movimentos de solo, chaves, estrangulamentos; Após isto passa para o sparring onde os alunos praticam as técnicas em uma situação de luta simulada. A aula termina com um alongamento para ajudar a relaxar os músculos e prevenir lesões. Devemos lembrar que o ambiente de treinamento deve ser seguro e livre de obstáculos para evitar lesões. Além disso, é importante monitorar o progresso da criança e fazer ajustes no programa conforme necessário.
Os resultados são nítidos nos primeiros meses, já que permite que o terapeuta faça logo vínculo com os pacientes envolvidos neste processo de tratamento. A melhora da coordenação, equilíbrio e propriocepção além da atenção seletiva de cada um dos participantes. Com o decorrer das aulas começamos a fazer um programa individualizado para cada objetivo proposto que melhor atenderá as demandas de cada paciente. É fundamental em uma aula de jiu-jitsu que as crianças autistas aprendam novos conceitos e o respeito ao instrutor, aos colegas de treinamento e a arte do jiu-jitsu é uma visão principal desta prática A disciplina também é muito cobrada os alunos devem estar atentos, seguir as instruções do instrutor e praticar as técnicas com dedicação. O jiu-jitsu pode ainda ajudar a reduzir o estresse e a ansiedade, promovendo um humor mais estável e positivo. diminuir a agitação e o comportamento desafiador. Tudo isso somado na melhora da coordenação motora, flexibilidade, mobilidade, equilíbrio e agilidade. A autoconfiança e a autoestima é um dos resultados mais importantes, pois as crianças aprendem a superar desafios, lidar com frustrações e a alcançar seus objetivos. Já o reflexo no ambiente escolar é que vivenciamos uma melhora na concentração e na atenção, pois as crianças precisam se concentrar para aprender e executar as técnicas.
O Jiu – Jitsu é uma arte marcial de mais de 2000 anos de idade, criado por monges indianos. Que significa estratégia flexível ou arte suave”. Este nome foi dado por conta da flexibilidade de seus praticantes e da suavidade de seus golpes. A aplicação da técnica de jiu-jitsu em crianças autistas, pode ser uma ferramenta valiosa para promover o desenvolvimento físico, emocional e social. No entanto, é fundamental que seja realizado por um instrutor qualificado e experiente e que o programa seja adaptado às necessidades individuais da criança. E como disse o campeão Anderson Silva : “um campeão é definido pela adversidade que ele enfrenta”. É fundamental trabalhar em equipe com outros profissionais, como médicos, fisioterapeutas, odontólogos, nutricionistas e psicólogos, para garantir uma abordagem integral. A filosofia do Jiu-Jitsu é baseada na inteligência, paciência e disciplina. É preciso aprender, antes de qualquer coisa, quais são os seus três pilares principais, para depois “partir para a ação” e aprender os movimentos. Lutar por inclusão é querer equidade, representatividade, acessibilidade e se permitir entender que está tudo bem ser diferente.
Autismo, acolhimento, tea, jiu-jitsu, inclusão
GUSTAVO MAURO WITZEL MACHADO, JAMILA FEITOSA DE SOUZA