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“Matriciamento ou apoio matricial é um modo de produzir saúde em que duas ou mais equipes, num processo de construção compartilhada, criam uma proposta de intervenção pedagógico-terapêutica. Essa proposta visa integrar os profissionais da equipe de saúde da família com profissionais especialistas de forma que os primeiros tenham um suporte para a discussão de casos e intervenções terapêuticas. O matriciamento visa transformar a lógica tradicional dos sistemas de saúde: encaminhamentos, referências e contrarreferências, protocolos e centros de regulação, por meio de ações mais horizontais que integrem os componentes e seus saberes nos diferentes níveis de assistência” (CHIAVERINI, 2011). Entre as suas ferramentas estão: elaboração de Projeto Terapêutico Singular, consulta e visita domiciliar compartilhadas, abordagem familiar, entre outros. As ações implicam na corresponsabilização, articulação e gestão compartilhada, o que evita fragmentações no processo de trabalho e aprimora os sistemas de comunicação. Considerando os tabus relacionados ao HIV/aids e a necessidade de fortalecimento da linha de cuidado das infecções sexualmente transmissíveis em Guarulhos, o espaço de matriciamento possibilita a pactuação de estratégias de cuidado individualizadas, o enfrentamento dos estigmas relacionados ao tema e a sensibilização dos profissionais para que os usuários se sintam melhores acolhidos e atendidos de forma resolutiva em todos os pontos de atenção à saúde.
Com os objetivos de promover a resolutividade terapêutica dos casos e fortalecer as linhas de cuidados das pessoas que vivem com HIV/aids e Hepatites Virais, foi instituído, em 2024, o matriciamento regular entre os serviços especializados (CTA, SAE Carlos Cruz e SAE Pediátrico) e a atenção primária à saúde no município de Guarulhos, através da parceria entre o Programa IST/aids e Hepatites Virais, do Departamento de Vigilância em Saúde, a Divisão Técnica de Serviços Especializados e Divisão Técnica da Atenção Primária à Saúde, do Departamento de Assistência Integral à Saúde.
Os serviços especializados (SAE Carlos Cruz, CTA e SAE Padiátrico), a partir de discussão interna da equipe, têm levantado, regularmente, os casos elegíveis para a discussão (má adesão ao tratamento, gestantes vulneráveis, co-infecção com tuberculose, fragilidade psicossocial, acamados, entre outros) para serem encaminhados para as unidades de atenção primária de referência, via região de saúde, para a participação dos profissionais responsáveis pelo cuidado dos mesmos, em reuniões bimestrais de matriciamento, realizadas na Secretaria de Saúde.
De abril a agosto de 2024, foram realizadas 3 reuniões de matriciamento, com a participação média de 30 profissionais por encontro e discutidos 25 casos entre os serviços. Destes, 19 casos de HIV, 4 de Hepatite C, 1 de Hepatite B e 1 de HTLV. 12 casos foram levantados pelo SAE Carlos Cruz, 9 pelo CTA e 4 pelo SAE Pediátrico. Em relação a região de moradia, foram discutidos 4 casos da região 1, 6 da região 2, 7 da região 3 e 8 da região 4. A faixa etária média foi de 42 anos, sendo discutidos casos de adolescente de 16 anos até idoso de 77 anos. Em relação a identidade de gênero, foram discutidos 13 casos de mulheres cisgênero, 11 de homens cisgênero e 1 de mulher transgênero. Os principais pontos de fragilidade dos casos foram: 5 casos de má adesão ao tratamento, 5 de saúde mental, 4 de co-infecção com tuberculose, 4 de uso abusivo de drogas, 3 de quadro neurológico, 2 de planejamento reprodutivo e 2 de barreira cultural (imigrantes). Em relação ao desfecho, foram realizados 16 atendimentos compartilhados entre os serviços especializados e APS, 7 estão pendentes de seguimento e 2 casos se mudaram do município.
Considerando a análise dos resultados apresentados, verifica-se que o matriciamento regular entre serviços de HIV/aids e Hepatites Virais e à atenção primária à saúde possibilita o encontro entre a rede de saúde para a construção de estratégias de atendimento integral aos pacientes atendidos, auxiliando na qualificação da assistência e monitoramento dos casos mais vulneráveis, favorecendo o enfrentamento dos estigmas e fortalecimento da linha de cuidado das infecções sexualmente transmissíveis. Sendo assim, fica a clara a importância da manutenção e ampliação dos espaço de discussão entre as unidades de saúde, incluindo outros pontos de atenção, como os serviços de saúde mental, especialidades, reabilitação, unidades de urgência e emergência e até equipamentos da rede intersetorial, para a abordagem integral dos casos.
linha de cuidado, matriciamento, HIV/aids;
MARINA NAIRISMAGI ALVES, JULIANA MELO MONDEKI