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As pessoas vivendo com HIV/Aids podem apresentar diferentes questões de saúde ao longo da vida. Exemplo de comorbidades mais comuns são: a hipertensão arterial sistêmica (HAS), diabetes mellitus, doenças renais e doenças neurológicas com sequelas motoras. Questões de saúde mental podem ser iniciadas ou potencializadas pela descoberta do diagnóstico do HIV. O uso abusivo de álcool e outras drogas, estilo de vida, dificuldades econômicas, ausência de apoio familiar ou até a aceitação do diagnóstico podem impactar na adesão ao tratamento. Cada vez mais o cuidado integral vem sendo exigido dos serviços especializados em HIV/Aids. No entanto, o modelo ideal de promoção do cuidado contínuo aponta para arranjos organizacionais que promovam o vínculo, a corresponsabilização, o compartilhamento do cuidado, a gestão participativa, autonomia do sujeito e maior integração entre os serviços de saúde, comunidade e usuários. Nesse contexto de grandes desafios, a equipe do Serviço de Atendimento Especializado (SAE) Carlos Cruz adotou recentemente o matriciamento como ferramenta na gestão do cuidado e processo de trabalho.
Objetivo Compartilhar o cuidado integral com a Atenção Primária e Caps; Promover o acesso dos pacientes às tecnologias em saúde disponíveis no território;; Promover a adesão ao tratamento do HIV; Incentivar a autonomia e vínculos entre os/as pacientes, familiares e os serviços de saúde; Fortalecer a comunicação entre os serviços envolvidos; Promover a troca de saberes.
A equipe do SAE Carlos Cruz identifica os casos a partir do critério de não adesão, abandono de tratamento ou necessidades de novas tecnologias em saúde priorizando gestantes, idosos, pacientes em tratamento de Tuberculose, pacientes em uso abusivo de álcool e outras drogas, pacientes com transtornos mentais graves ou com necessidades de reabilitação motora, pessoas em situação de rua ou com vínculos rompidos sem apoio familiar. A equipe multi do SAE Carlos Cruz realiza o contato com os serviços da rede, que já possuem espaços de matriciamento estabelecidos e organizados, para apresentar o caso e elaborar o plano terapêutico singular. Os profissionais do SAE também realizam o contato com os pacientes e informam sobre o matriciamento, para que possa ser respeitado o sigilo do diagnóstico e autonomia dos mesmos nos processos de decisão. Posterior ao matriciamento, a equipe do SAE realiza o monitoramento dos casos através de contato telefônico, atendimentos aos pacientes, registro de ações através de emails e relatórios a fim de acompanhar ou reavaliar as ações pactuadas.
Desde a implantação do matriciamento a equipe do SAE elencou 19 casos para matriciar com a rede de Atenção Primária e Caps de Guarulhos. Também foram levantados 4 casos de Santa Isabel e 2 casos de Arujá. A equipe do SAE conseguiu participar de 7 matriciamentos em conjunto com a UBS e CAPs de Guarulhos. Dos matriciamentos foram pactuadas e realizadas 1 visita domiciliar em conjunto com equipe eMulti e 2 visitas domiciliares. A equipe do SAE também avaliou o fortalecimento na comunicação entre os serviços de saúde através das discussões de caso. Cabe destaque ao feedback realizado pela infectologista do SAE Carlos Cruz de paciente totalmente dependente para atividade básicas de vida diária por sequela de neurotoxoplasmose e evoluindo com piora do quadro de base demência associada ao HIV e Leucoencefalopatia Multifocal Progressiva (LEMP), em que a única cuidadora é sua mãe que é idosa, e nesse contexto de sobrecarga de ambos era muito importante o apoio das equipes de saúde, principalmente do serviço social, cerca de 6 meses após discussão do caso, o paciente estava com melhor disposição reduziu sobrecarga da cuidadora, que conseguiu finalmente realizar exames pendentes do paciente, houve melhora no humor do paciente sem agitações, a cuidadora está fazendo seguimento médico na unidade básica de saúde. Isso mostra como a vida dos pacientes é modificada quando a equipe de saúde como um todo atua na resolução de pequenas barreiras de acesso ao serviço de saúde.
A experiência relatada nos mostra que é possível o compartilhamento do cuidado em saúde das pessoas vivendo com HIV. A estratégia possibilitou o protagonismo dos profissionais do SAE Carlos Cruz que se comprometeram com o gerenciamento das ações e discussão dos casos. Os pacientes e seus familiares participaram dos processos de decisão e autorizaram o compartilhamento de suas necessidades em saúde, o que demonstra uma abertura para uma mudança de pensamento no que diz respeito ao diagnóstico do HIV. Observamos uma melhora das condições de saúde após o acesso a outros equipamentos para além do serviço especializado. O SAE Carlos Cruz reconhece o potencial e envolvimento de seus profissionais para a organização e participação no matriciamento com a rede de saúde. Questões que envolvem o uso abusivo de álcool e outras drogas ainda é um desafio para a adesão ao tratamento de pessoas com HIV. Pacientes de Santa Isabel e Arujá acompanhados no SAE Carlos Cruz poderiam se beneficiar da estratégia do matriciamento, no entanto limites institucionais impedem a construção de uma linha de cuidado em conjunto com outros municípios.
Matriciamento. Equipe multidisciplinar.
RAFAELA VENCESLAU SANTOS