Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A transição do hospital para o domicílio, conhecida como desospitalização, demanda planejamento e articulação da Rede de Atenção à Saúde (RAS) para garantir cuidados adequados, especialmente para crianças dependentes de ventilação mecânica prolongada. O monitoramento remoto surge como uma solução para otimizar recursos e planejamento antecipado das estratégias, contribuindo para a melhora da função ventilatória e minimização de eventos adversos. Este relato de caso apresenta a experiência de uma criança de 9 anos com LipofuscinoseCeróide Tipo 6 (LCT6), que após um processo bem-sucedido de desospitalização, em julho de 2021, teve o sistema de monitoramento remoto implantado em seu domicílio , em maio de 2022. A implementação do monitoramento remoto, visa atender às necessidades específicas da população pediátrica, oferecendo uma abordagem individualizada e proativa para o manejo da ventilação mecânica.
Avaliar a eficácia do monitoramento remoto domiciliar na otimização da função ventilatória de crianças dependentes de ventilação mecânica prolongada. Investigar o impacto do monitoramento remoto na redução de eventos adversos e hospitalizações relacionadas a disfunções respiratórias. Explorar estratégias ideais de implementação e uso do monitoramento remoto domiciliar em diferentes contextos de cuidado pediátrico. Analisar a viabilidade econômica do monitoramento remoto como uma estratégia de gerenciamento de cuidados de saúde para crianças com condições crônicas e complexas. Identificar padrões e tendências nos dados coletados pelo sistema de monitoramento remoto, visando melhorar a qualidade do cuidado e a tomada de decisões clínicas.
A experiência inclui a implantação de um sistema de monitoramento remoto domiciliar de crianças em uso de ventilação mecânica invasiva, contínua, que transmitem dados de uso e desempenho para servidores da Web baseados em nuvem. Esses dados são acessíveis em tempo real pelo fisioterapeuta responsável da equipe, para avaliação dos parâmetros e das estratégias ventilatórias. Além disso, são recebidos regularmente relatórios de adesão ao tratamento, contendo informações sobre o tempo de utilização do dispositivo, parâmetros ventilatórios programados e outros dados relevantes, permitindo ações proativas e planejamento antecipado de cuidados baseados na Tríade da Bioética. A metodologia também envolve a análise sistemática dos dados coletados pelo sistema de monitoramento remoto, visando identificar padrões e tendências que possam influenciar no manejo clínico dos pacientes.
O monitoramento remoto demonstrou eficácia significativa na redução de internações relacionadas às disfunções respiratórias, especialmente quando integrado à RAS. No caso específico da criança portadora de LTC6, observou-se que as internações ocorridas foram, em sua maioria, por motivos eletivos ou não relacionados à ventilação, sugerindo que o monitoramento remoto domiciliar contribuiu para a melhoria da sua qualidade de vida e de outros pacientes dependentes de ventilação mecânica, reduzindo os custos de saúde. A análise detalhada dos padrões de uso do dispositivo permitiu identificar precocemente agudizações da patologia de base e alterações no quadro clínico, possibilitando intervenções imediatas. A comunicação eficaz entre profissionais de saúde e pacientes/familiares resultou em maior satisfação e redução do estresse relacionado ao manejo da ventilação. A análise dos dados também identificou fatores de risco para eventos adversos, permitindo a implementação de estratégias de prevenção. O que indicou que o monitoramento remoto pode melhorar os resultados clínicos a longo prazo, otimizando o manejo da ventilação mecânica em crianças dependentes de cuidados paliativos. É importante ressaltar que. o monitoramento remoto evitou o acionamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), bem como remoções e hospitalizações desnecessárias, destacando seu papel crucial na promoção da segurança do paciente e na redução dos encargos do sistema de saúde.
O monitoramento remoto domiciliar é uma ferramenta valiosa para o cuidado pediátrico domiciliar, proporcionando uma abordagem personalizada e proativa para pacientes dependentes de ventilação mecânica. Os resultados destacam a importância da implementação adequada do monitoramento remoto na redução de internações relacionadas à ventilação e melhoria da qualidade de vida. Este estudo reforça a necessidade de mais pesquisas para apoiar o desenvolvimento de diretrizes e entender melhor sua eficácia em diferentes contextos de cuidado pediátrico. Garantir acesso equitativo a essa tecnologia, especialmente para populações vulneráveis, e promover educação adequada para profissionais de saúde envolvidos no cuidado desses pacientes, são essenciais para maximizar os benefícios do monitoramento remoto domiciliar e melhorar os resultados de saúde para crianças dependentes de ventilação mecânica em casa.
Monitoramento remoto, ventilação mecânica
Ana Paula Maniero de Souza Sorce, Anderli Marangoni Valentim Diniz, Camila Datt De Araujo, Marinalva Chiafarelo Santos Ulian