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Esse trabalho traz o olhar da Gestão em Saúde, sobre a necessidade de garantir o transporte adequado para a continuidade do tratamento de pacientes obesos, idosos e cadeirantes com patologias associadas. Em fevereiro/23, começamos a analisar as fichas de pacientes que utilizavam os serviços de ambulância e percebemos que a real necessidade era um transporte adaptado. No caso do cadeirante, o transporte em ambulância era difícil, pois as cadeiras de rodas adaptadas não dobram e por consequência, não cabem nas ambulâncias. No caso do obeso, a ambulância não era a melhor opção, pois há a dificuldade de acessar a maca no interior do salão. Há também risco de lesão de pele ou mesmo ortopédica. Ademais o posicionamento em decúbito dorsal, pode acabar comprimindo a área epigástrica e torácica, dificultando assim, o movimento de expansão torácica, podendo até comprometer a frequência respiratória. Além disso, essas pessoas queixam-se, de crise de ansiedade ou fobia, associada a dificuldade de mobilidade nestas posições. Levando em consideração que as principais causas de óbito na região da CRSSul, são as Doenças Isquêmicas, Cerebrovasculares e Respiratórias, o que aponta a necessidade de acompanhamento por especialidades fora da Unidade Básica de Saúde. Entendemos que o paciente obeso, idoso e cadeirante com patologias associadas, agora poderá contar com um serviço de transporte adequado que proporcione a continuidade do seu tratamento de saúde, melhorando a qualidade de vida.
O serviço de transporte por Van Adaptada, teve início em setembro de 2023, com 5 (cinco) Vans, com previsão de atendimento aos pacientes das áreas das Supervisões Técnicas de Saúde de Parelheiros, Capela do Socorro, Santo Amaro/ Cidade Ademar, M’ Boi Mirim e Campo Limpo. O objetivo da implantação do serviço de transporte por Van Adaptada , é garantir que as pessoas que não deambulam ou com dificuldades de deambulação, tenham transporte adequado de forma a assegurar continuidade ao tratamento de saúde, mesmo fora da Unidade Básica de Saúde, atendendo inclusive a Lei Federal nº 13.146/2015, conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência, incluindo pessoas obesas na categoria de “pessoa com mobilidade reduzida”, que apresentam dificuldades e redução de mobilidade, flexibilidade e coordenação motora.
O trabalho teve início com a análise das fichas de “Solicitação de Transporte por Ambulância” dos pacientes, observando as dificuldades e as comorbidades de cada um. Foram feitas reuniões com as Supervisões Técnicas de Saúde para melhor entender as deficiências desses pacientes. Após o entendimento da real necessidade, fomos à busca das soluções que o mercado oferecia o que possibilitou a identificação da adaptação desse transporte. De posse das referidas informações, realizamos o “Estudo Técnico Preliminar” e o “ Termo de Referência” para prosseguirmos com o processo e finalmente dar início ao novo serviço em setembro de 2023.
Foram transportados 659 pacientes obesos, idosos e cadeirantes com patologia associada, em cinco Vans Adaptadas, de setembro à dezembro de 2023, no território da Coordenadoria Regional de Saúde – Sul. Enquanto que as 10 Ambulâncias transportaram 1060 pacientes no mesmo período. A média de atendimentos por Ambulância de setembro a dezembro de 2023 foi de 26,5 pacientes no mês. A média de atendimentos por Van Adaptada de setembro a dezembro de 2023 foi de 33 pacientes no mês, ou seja, 20% a mais de atendimentos do que a Ambulância. Vale ressaltar que o serviço de transporte, prestado por Van Adaptada é 9,3% mais barato do que o serviço de transporte, prestado por Ambulância. Sendo assim, os custos mensais das Vans Adaptada é 9,3% menores do que os custos da Ambulância e atende 20% a mais de pacientes.
Consideramos que a realização do levantamento foi fundamental para ampliar o olhar da Gestão em Saúde. Sentimos que as informações coletadas contribuíram na melhoria do transporte para pacientes obesos, idosos e cadeirantes com patologia associada e que gradativamente aumentará o número de pessoas beneficiadas.
mobilidade, obeso, paciente, comorbidade
Maria Aparecida Costa Alfenas, Ricardo Alves dos Santos