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Santos, localizado no litoral de São Paulo, faz parte da Região Metropolitana da Baixada Santista. Em 2024, a população estimada foi de 429.567 habitantes, com predominância feminina (55%), tornando a cidade que possui a maior proporção de mulheres no Brasil. A expectativa de vida em 2023 foi de 76,4 anos, e para 2030, projeta-se 81 anos para as mulheres indicando a necessidade de implementar políticas públicas para esse público com foco na qualidade de vida e longevidade. A qualidade de vida, segundo a Organização Mundial de Saúde, é a percepção do indivíduo sobre sua vida no contexto cultural, social, físico e mental. A atenção integral à saúde da mulher em todas as fases da vida é crucial, especialmente entre 40 e 65 anos, longa fase do climatério, que envolve mudanças devido a queda do estrogênio como irregularidades menstruais, labilidade emocional, ondas de calor e cansaço, prejudicando o sono e suas atividades diárias. Além desse processo, destacamos que algumas mulheres demonstram o medo de envelhecer e a preocupação com a autoimagem, cada vez mais sentida na sociedade. As alterações hormonais pode também gerar impacto nos relacionamentos de casais em relação à saúde sexual, sendo necessário suporte para ambos, com informações claras e apoio emocional. Essa fase, embora biológica e não patológica, exige uma abordagem humanizada dos profissionais de saúde, baseada em ética, competências relacionais e orientação sobre educação em saúde e qualidade de vida.
Objetivo geral: implantar política pública municipal voltada às mulheres no período do climatério. Objetivos específicos: elaborar protocolo municipal de atenção à mulher no climatério; realizar capacitação aos profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS); estimular rodas de conversa sobre o tema através com grupos mistos, envolvendo homens e mulheres, nas unidades da APS.
Em 2021, iniciamos a discussão sobre a ampliação das políticas públicas de Saúde da Mulher por meio do Grupo Técnico de Saúde da Mulher, composto por médicas ginecologistas e enfermeiras obstetras. Convidamos também enfermeiras e a equipe multiprofissional da APS (nutricionistas, psicólogas, educadores físicos, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas) para expandir a abordagem da atenção à mulher no climatério, avaliando a situação atual dos atendimentos e dando seguimento à elaboração do protocolo municipal. Focamos na autonomia e qualidade de vida das mulheres no climatério, destacando a escuta qualificada para esclarecer dúvidas e permitir escolhas baseadas nas necessidades individuais, garantindo uma assistência de qualidade. Identificamos que a oferta de ações era insuficiente, com apenas um fitoterápico disponível e falta de conhecimento e manejo adequado pelos profissionais. A elaboração do protocolo foi necessária para direcionar a assistência à mulher no climatério. Baseado no Índice Menopausal de Kupperman, que classifica a intensidade dos sintomas climatéricos, o protocolo propôs um plano de cuidados com assistência multiprofissional (eMulti), visando ressignificar o climatério e acolher transtornos como tristeza, ansiedade e insônia, além de orientar sobre estilo de vida saudável, alimentação e atividade física. Para sintomas intensos, indicamos a terapia hormonal, especialmente para mulheres sintomáticas abaixo dos 60 anos e com menos de 10 anos de menopausa.
Assim como em vários artigos da literatura, identificamos que o olhar dos profissionais tinha foco em diversos sintomas como depressão, dores articulares, tonturas, cefaléia, entre outros, faltando um olhar para a saúde integral da mulher. As recomendações da equipe multidisciplinar foram de grande auxílio na construção deste protocolo considerando as várias possibilidades de mudança de hábitos de vida. Avaliamos o que seria benéfico às mulheres no climatério quanto a aquisição de métodos farmacológicos com recurso municipal, considerando que não há política pública nacional para este propósito. Considerando que a isoflavona de soja já era disponibilizada, padronizamos a tibolona (para alívio de sintomas climatéricos e prevenção de perda óssea) e o creme vaginal promestrieno (para alterações como secura e atrofia vaginal). Para pacientes com contraindicação ao tratamento hormonal, e que não melhoram com mudanças de hábitos, oferecemos acupuntura promovendo uma abordagem integrada e complementar no cuidado. Realizamos capacitações aos profissionais da Atenção Primária e disponibilizamos o protocolo em pasta compartilhada, facilitando o acesso aos profissionais envolvidos na assistência.. Participamos de grupos mistos, geralmente com pacientes hipertensos e diabéticos com o objetivo de estimular as equipes a falar sobre o tema nesses espaços.
Apesar de já termos o protocolo de atenção à mulher no período do climatério, instituído desde o ano de 2021, percebemos que ainda há muitas lacunas na assistência prestada à mulher nesse período. Há demandas frequentes dos profissionais de saúde da APS quanto à assistência ao climatério demonstrando que há necessidade de abordar o tema em todas as oportunidades. Percebemos grande rotatividade dos profissionais na APS, podendo ser um ponto importante para traçar estratégias quanto a esse tema. Outra percepção é que as ações não farmacológicas realizadas pela equipe multidisciplinar necessitam de revisão pois a dispensação de medicamentos deve ser a última etapa na assistência à mulher no climatério. Portanto, concluímos que há necessidade de reforçar o protocolo com as equipes assistenciais e organizar uma pauta constante sobre o tema, além de estimular ações voltadas à população especialmente em março, que é o mês alusivo à mulher.
saúde da mulher, qualidade de vida, climatério
MILENE MORI FERREIRA LUZ