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A tuberculose (TB) é uma doença infectocontagiosa causada pelo Mycobacterium tuberculosis, bacilo de alta transmissibilidade, propagado pelo ar por meio de gotículas expelidas ao tossir, espirrar ou falar. Embora afete principalmente os pulmões, pode acometer outros órgãos, tornando-se um grave problema de saúde pública1. A disseminação da TB é favorecida por condições socioeconômicas precárias e ambientes pouco ventilados, comprometendo o controle da doença. Atualmente, cerca de 10 milhões de pessoas adoecem anualmente e estima-se que um quarto da população mundial esteja infectada2. Além disso, um bacilífero pode infectar 10 a 15 pessoas ao longo de um ano3. Diante desse cenário, a adesão ao tratamento é um dos principais desafios para a erradicação da TB, por seu regime terapêutico ser prolongado e exigir disciplina rigorosa para evitar recidivas, complicações e desenvolvimento de cepas resistentes. Nesse contexto, o enfermeiro desempenha um papel essencial durante todo o processo de assistência ao paciente. Seu trabalho vai além do cuidado clínico, abrangendo o suporte psicossocial e o acompanhamento continuado, fundamentais para garantir a eficácia do tratamento, principalmente em populações mais vulneráveis. O Tratamento Diretamente Observado (TDO) é uma ação de apoio e monitoramento do tratamento da TB. A experiência aprofunda a compreensão sobre a influência da articulação entre a Rede de Atenção à Saúde (RAS)4 e a enfermagem no processo de adesão ao tratamento de TB.
Relatar a importância do enfermeiro para garantir adesão do tratamento da TB na RAS e da integralidade do cuidado assistido. Específicos 1. Melhorar o manejo no tratamento de TB; 2. Fortalecer a articulação intra e intersetorial para garantir as ações diárias do TDO para TB; 3. Fortalecer a adesão dos pacientes com TB para estratégias de enfrentamento da doença; 4. Promover ações para garantir a realização das atividades de cuidado e prevenção da doença com recursos adequados (humanos, infraestrutura e financeiros); 5. Organizar o tratamento supervisionado para TB no âmbito de atenção primária à saúde.
Este relato de experiência envolveu a equipe multiprofissional de diversos setores no período de julho de 2024 a janeiro de 2025. O estudo foi realizado em dois indivíduos, identificados como paciente 1 e 2 e que ainda residem no mesmo ambiente. A paciente 1 apresentou quadro de TB multirresistente devido às tentativas de administração que foram descontinuadas nos últimos três anos. Paciente 1 está na terceira tentativa e o paciente 2 está na segunda tentativa de tratamento. O TDO para TB foi iniciado por relatório médico no primeiro semestre de 2024, encaminhando o paciente 1 para o Instituto Clemente Ferreira, contato feito através da Unidade Básica de Saúde (UBS). Foram tomadas ações de organização do transporte sanitário municipal, intermediado pela gerente da UBS e apoiadores de saúde. Entretanto, foi necessário ao menos um enfermeiro responsável pela entrega e supervisão de administração da medicação presencial, assim como o acompanhamento de exames solicitados durante o TDO. Esta experiência tem como levantar uma reflexão acerca da importância da presença do transporte sanitário para o tratamento de TB, tal como sua presença na RAS e a importância do profissional Enfermeiro na administração deste processo. A escolha de TDO se justificou pela baixa adesão do tratamento dos pacientes citados.
Com a organização das atividades diárias e, com a persistência de pelo menos, um profissional de saúde envolvido, tornou-se possível a alta de um dos pacientes no período de seis meses. Nessa experiência foram envolvidas duas enfermeiras da própria UBS que garantiram o transporte para os dias necessários de TDO sem interromper a cadeia vital para a efetividade do tratamento da TB. Desse modo, nota-se que foi fortalecida a troca de informação da UBS com o setor de transporte sanitário, sendo possível atender majoritariamente, os pedidos de exames e de entrega dos medicamentos solicitados do Instituto Clemente Ferreira, tal como da própria UBS. A organização da enfermagem quanto as datas de consultas e a realização de exames foi realizada através de um mural de informações, ampliando a acessibilidade para que todos soubessem das datas de consultas e exames, para prosseguir com a continuidade do TDO. Essa ação promoveu o fim da cadeia de transmissão da TB, resultante da coleta das amostras de escarros dos dois pacientes que foram negativas no início de janeiro. Sendo assim, um importante marco para a saúde pública municipal.
Prover um cuidado integrado e sistematizado são critérios da RAS. A experiência tornou-se possível através de ações em favor da promoção da saúde, surgindo assim um fortalecimento da rede, que foram efetivadas devido ao cuidado supervisionado do Enfermeiro no combate da TB. Dentro dessas ações para enfrentamento, o município disponibiliza de uma pasta no drive onde é possível acompanhar os pacientes em tratamento de TB, assim toda a rede de saúde tem acesso ao documento. Entretanto, para uma melhoria da promoção e também a proteção à saúde pública, ainda é necessário fortalecer a RAS evitando deslocamentos desnecessários para a obtenção de transporte e para uma melhor garantia do tratamento de TB e de sua adesão correta.
Adesão, Controle, Enfermeiro, Tratamento
CAMILA SIMÃO DE SOUZA, MARIS STER QUILICE