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A alimentação é uma condição da saúde e social diretamente relacionado à autonomia, qualidade de vida, saúde mental e envelhecimento saudável. Incluir hábitos adequados e acessíveis na rotina dos usuários, além de incentivar a alimentação adequada, tem feito parte das ações de reabilitação psicossocial em Guararema. A proposta “O prato também faz parte do PTS” acontece no Centro de Atenção Psicossocial I – Trilhar do município de Guararema, com início de agosto de 2025, envolvendo todos os usuários, equipe multiprofissional e a equipe de alimentação e serviços gerais. A iniciativa surgiu a partir da identificação de hábitos alimentares inadequados, alteração em exames laboratoriais de avaliação metabólica, percepção de uma rotina alimentar com ingestão excessiva de alimentos ultraprocessados, dificuldades no autocuidado, frequentemente associados a falta de motivação para as atividades da vida diária, avolição e ao sofrimento psíquico. Melhorar a qualidade da alimentação fornecida passou a ser incorporada de forma proposital ao Projeto Terapêutico Singular, como estratégia de cuidado psicossocial, atenção integral e promoção de saúde. A experiência está beneficiando diretamente os usuários e profissionais, contribuindo para hábitos mais saudáveis incorporados também no dia a dia, melhora da autoestima, melhora dos marcadores de saúde física, mental e fortalecimento do cuidado biopsicossocial.
Mudança de hábitos prejudiciais, promovendo a conscientização da importância de uma alimentação saudável como cuidado longitudinal e melhor qualidade de vida; Objetivos específicos – Mudança de hábitos prejudiciais, promovendo a conscientização da importância de uma alimentação saudável como cuidado longitudinal e integrado ao Projeto Terapêutico Singular; – Promover melhoria no autocuidado, na autonomia e a consciência alimentar dos usuários; – Reflexão sobre a relação entre alimentação, compulsão, autocontrole e saúde mental; – Promover a saúde e mitigação de agravos associados a hábitos alimentares inadequados, em consonância o envelhecimento saudável.
A ação foi pensada a partir das reuniões de equipe, onde identificamos muitas alterações em exames clínicos dos pacientes, inicialmente incluímos o profissional da fisioterapia na equipe multiprofissional do CAPS e iniciamos avaliação e desenvolvimento de mobilidade dos pacientes, hábitos e saúde física. Com os resultados tivemos que desenvolver estratégias interventivas de melhorias e umas delas foi a readequamos da alimentação fornecida pelo CAPS. Abordamos o tema em diversas Assembleias, rodas de conversa temáticas sobre alimentação e saúde mental, realizamos momentos de planejamento coletivo, discussões sobre escolhas saudáveis, ponderações sobre o impacto da alimentação no controle emocional e autocuidado, buscamos também referencias com outras Secretarias Municipais como a Secretaria de Educação e com o apoio de nutricionista que já abordam essa temática e desenvolve a ação. Durante o processo, paralelamente iniciamos o processo de pactuação com a Secretária Municipal de Saúde, articulando junto à administração financeira a previsão orçamentária necessária para a aquisição contínua de frutas, verduras, legumes e alimentos integrais, priorizando itens ricos em fibras e de maior valor nutricional. Foram reorganizadas as rotinas do serviço, a fim de garantir tempo hábil para que os profissionais realizem a preparação adequada dos alimentos e sua inclusão em todas as refeições, substituindo produtos de baixo valor nutricional por opções mais saudáveis.
Os resultados ainda estão sendo computados, porém é nítido que já há melhora na relação entre alimentação, saúde mental, bem-estar e envelhecimento saudável bem como mudanças de interesse em escolhas alimentares mais adequadas no dia a dia. No viés objetivo, tivemos alterações metabólicas importantes que ainda estão sendo mensuradas com muita cautela e integridade, de forma subjetiva temos relatos de alteração na percepção do autocuidado, maior consciência sobre as questões alimentares e reconhecimento da integralidade do corpo e mente. A equipe identificou avanços na autonomia, disposição e na atuação ativa nos PTS, principalmente na compatibilidade e protagonismo do cuidado. A experiência também contribuiu para a melhoria da atuação interdisciplinar e multiprofissional, fortalecendo a atuação no cuidado de todos os trabalhadores. O olhar da equipe sobre a alimentação como dispositivo terapêutico ampliou e fortaleceu o cuidado integral, humanizado e acessível.
A nossa experiencia nos leva a pensar no cuidado além das intervenções clínicas tradicionais, a proposta é sempre entender o que é possível e desenvolver ações que trazem os benefícios aos pacientes. Sabemos que mudar hábitos tem componentes neurológicos que entende como “ameaças” ao equilíbrio previamente estabelecido, optamos por driblar esses mecanismos com ações pontuais e graduais, com metas acessíveis para que de fato a mudança aconteça de forma consciente e duradoura. Seguiremos com pequenas mudanças, construídas dia a dia e respeitando as singularidades, entendendo que o tempo e os diversos limites estruturais, financeiros e subjetivo são um ponto a ser considerado e respeitado. As possibilidades de atuação em saúde mental são infinitas, se dedicar ao fortalecimento do cuidado em liberdade, desenvolver estratégias que colabore com a autonomia e equilibro ao ser humano, trata-se de uma prática que ultrapassa a lógica de tratamento só de doenças, a atuação dos profissionais se amplia periodicamente, de forma que se desenvolva ações destinadas a estabilidade biopsicossocial do sujeito.
Saúde Mental, Alimentação Saudável, Longitudinal
JÉSSICA CRISTINA DA SILVA FALCO, VIVIANE APARECIDA REZENDE