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O envelhecimento populacional ocorre de forma intensa e rápida no Brasil. O AME Idoso Sudeste, um ambulatório da gestão estadual especializado em Pessoa Idosa, foi inaugurado em junho de 2016. No início de 2017, com os serviços implantados, identificou a necessidade de organizar a principal entrada de pacientes que é pela especialidade Geriatria. O acolhimento dos pacientes no ambulatório de Atenção Especializada é tão importante quanto em qualquer serviço da Atenção Básica. Existem critérios na Atenção Básica para encaminhamento do paciente idoso pré-frágil e frágil para o nível seguinte de atenção, o de média complexidade, porém, dentro dos ambulatórios de média complexidade especializados no atendimento do idoso não há uniformidade de fluxos. Os serviços especializados em atendimento da pessoa idosa demandam por instrumentos próprios para classificação de risco, havendo poucas referências sobre critérios de risco específicos para população idosa. A organização dos fluxos internos de atendimento depende do conhecimento da demanda para otimização dos recursos, garantindo resultados satisfatórios para os idosos usuários da Rede de Atenção à Saúde da Pessoa Idosa. O planejamento do cuidado prevê a carga de serviços para evitar demanda reprimida, falta de vagas e sobrecarga do sistema com sucateamento da atenção.
Para garantir a equidade e atender à diretriz de acolhimento com classificação de risco da Política Nacional de Humanização, este trabalho tem o objetivo de apresentar processo de elaboração de protocolo de acolhimento com classificação de risco em geriatria para pacientes atendidos em ambulatório especializado em idoso na Atenção Especializada, baseada na mortalidade e funcionalidade. Apresentar os fluxos de atendimento e de encaminhamentos conforme classe de risco e critério de inclusão do paciente na unidade. Apresentar resultados do processo de acolhimento com classificação de risco de pessoas idosa na Atenção Especializada.
A sequência para elaboração deste projeto de intervenção em classificação de risco do idoso atendido no AME Idoso Sudeste seguiu as seguintes fases: Elaboração de classificação de risco em geriatria baseado na mortalidade em 1 ano e funcionalidade com base em dados de literatura Elaboração de protocolos de atendimento para cada classe de risco Implantação do instrumento de classificação de risco e protocolos de atendimento Análise dos dados e revisão periódica do protocolo Foi considerado ALTO RISCO, com retorno programado em 14 dias com exames complementares: Síndrome Consumptiva (perda de 5% do peso ou mais em 3 meses ou 10% em 6 meses) Internação recente com menos que 30 dias da alta hospitalar Foi considerado MÉDIO RISCO, com retorno programado em 28 dias: Idade de 90 anos ou mais Piora de sintomas comportamentais e psicológicos de demência Três ou mais doenças crônicas descompensadas e com complicações Caidor crônico (2 ou mais quedas no último ano) Internação recente com 30 a 60 dias da alta hospitalar Outro critério Foi considerado BAIXO RISCO, com retorno programado em 56 dias: Depressão Doença de Parkinson Demência Sequela de AVC Distúrbio de marcha e/ou equilíbríbrio Polifarmácia (5 ou mais medicações de uso crônico) ou medicação inapropriada Foram acompanhados indicadores de proporção de classe de risco e conformidade com o tempo estabelecido para cada classe de risco em consulta subsequente à triagem.
No período de 2017 a 2025 foram atendidos 18.940 pacientes, sendo 10% alto risco, 30% médio risco, 44% baixo risco e 16% sem critérios ou sem possibilidade de acompanhamento. Notamos que a proporção de médio e alto risco vem se acentuando, especialmente após a pandemia, quando houve significativa diminuição de casos de baixo risco. A conformidade com os tempos de atendimento para cada classe de risco variou de 58% em 2017 a 88% em 2018, com média de 73% de conformidade. Com a classificação de risco foram sendo identificadas oportunidades e necessidades como a elaboração e implantação de linhas de cuidado (LC) específicas. Para casos de alto risco, por exemplo, foi elaborada a LC do paciente oncológico, com prazos curtos para diagnóstico e inserção na rede oncológica. Para pacientes com demência, foi elaborada uma LC específica que agiliza o diagnóstico, terapêutica e contrarreferenciamento com diversas ações de matriciamento, que inclui agenda de discussão de caso com AB, oferta de curso sobre LC de pacientes com demência para profissionais da AB, treinamento de ACS para reconhecimento e manejo dos casos na comunidade. A revisão periódica do protocolo de classificação de risco em geriatria tem motivado a criação de novas LC que abrangem grande parte dos encaminhamentos ao ambulatório da especialidade, estabelecimento de critérios de alta ambulatorial com necessidade de discussão de caso com AB, entre outras melhorias.
O acolhimento em todos os níveis de atenção é importante para inclusão do paciente e família no serviço, com orientação adequada e esclarecimento sobre os objetivos do plano terapêutico durante a permanência. Esse processo evita a abordagem fragmentada do idoso, que é uma das principais causas de iatrogenia com maus resultados clínicos, desperdício de recursos e desgaste individual e da família. A compreensão de conceitos de fragilidade, perda funcional e comorbidades dos idosos deve substanciar as ações propostas, já que há sobreposição dessas condições. A classificação de risco garante o atendimento oportuno, privilegiando a equidade, permite o gerenciamento do serviço quantificando as demandas e otimizando recursos. A qualificação da demanda permite a organização estrutural e funcional do serviço e serve como facilitador da inserção na rede de assistência. A proporção de pacientes de alto e médio risco consolida a vocação da Atenção Especializada e fortalece a participação na Rede de Atenção à Saúde da Pessoa Idosa do município de São Paulo e de outros municípios de referência.
Classificação de risco, acolhimento, geriatria
MARCIA MAIUMI FUKUJIMA, EDUARDO CANTEIRO CRUZ, LEONARDO CRUZ SANTIAGO, ANDRÉA APARECIDA DA FONSECA MONTEIRO, JOANA D’ARC RICARDO DOS SANTOS, DANIELLA DIAS TAKEMOTO DE ARRUDA, MARIANA SENA BASTIAN, EDNA KAZUKO SASAJIMA, CARLOS ROBERTO NOGUEIRA ALVES, BIBIANA MARIE SEMENSATO POVINELLI, VINÍCIUS DA FONSECA RANCAN