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A Atenção Básica (AB) caracteriza-se por um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrange a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, redução de danos e a manutenção da saúde. A inserção do acadêmico neste contexto com olhar AMPLIANDO, considerando as caractercisticas CLIMÁTICAS da região, entre outras, caracteriza a chamada integração ensino-serviço, sendo o maior desafio reconhecê-la como alicerce da construção de um novo modo de ensinar, aprender e fazer, efetivo para todos os sujeitos envolvidos: docentes, discentes, gestores das Instituições de Ensino Superior e do SUS, profissionais e população. Sendo assim, justifica-se através dessa experiência a importância de se estabelecer parcerias entre municípios e instituições de ensino superior com cursos na área da saúde para o fortalecimento da AB através da integração ensino-serviço.
OBJETIVO: Relatar a experiência da integração ensino-serviço durante a realização de atividades de promoção da saúde e prevenção de doenças na AB com olhar para as mudanças climáticas.
METODOLOGIA: Pesquisa descritiva do tipo relato de experiência, que foi construída a partir da vivência da integração ensino-serviço entre uma faculdade privada de medicina do interior de São Paulo e o Departamento de AB do Município de Guapiaçu. A primeira instituição atende exclusivamente ao curso de medicina, aplica metodologias ativas e preconiza a inserção precoce dos acadêmicos na AB. Essa inserção acontece desde o primeiro semestre do curso, através do eixo Programa de Integração Comunitária (PIC). O PIC é caracterizado como um eixo teórico-prático que além da inserção na AB proporciona conteúdos teóricos relacionados a Saúde Coletiva. Tem duração de quatro semestres e durante as atividades práticas são realizados acompanhamentos de processos de trabalho, acolhimentos, visitas domiciliárias, Planos Terapêuticos, Projeto Terapêutico Singular e principalmente atividades de promoção da saúde e prevenção de doenças. Diversas atividades e projetos realizados foram pactuados e articulados com as Equipes de Saúde da família do Município de Guapiaçu. O Município de Guapiaçu incentiva a realização da famílias prioritárias, o mesmo conta com uma área territorial de 325.126 Km², uma população (IBGE 2023) de 21.711 pessoas com 100% de Saúde da Família com 9 Equipes. Foram preconizadas atividades que visavam Clinica Ampliada, participação ativa dos educandos considerando a relação do Clima do interior de São Paulo, históricamente conhecida com altas temperaturas com a saúde.
As famílias escolhidas pelas Equipes de Saúde são colocadas como prioritárias do PTS. Portanto em uma das unidades foi escolhido o casal – Aparecida (68 anos) e Gabriel (82 anos) são casados e vivem em uma casa alugada, com enegia elétrica, água encanada, esgoto, coleta de lixo e boas condições de higiene. O casal tem 4 filhos, mas moram sozinhos. Aparecida é analfabeta e cuida dos afazeres domésticos, enquanto Gabriel é aposentado e utiliza um terreno cedido como depósito de recicláveis para acrescentar a renda. Eles não têm vida social ativa. Sra. Aparecida é portadora da doença chamada Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES). Não faz atividades físicas, pois relata dor ao andar, relata dores esporádicas na nuca e ingere pouca água durante o dia. Sr. Gabriel não possui nenhuma comorbidade. Faz exames de rotina e acompanhamento na UBS. Aguarda o resultado de um exame de Holter e ecocardiograma, por conta de palpitações esporádicas. Ajuda a esposa que tem patologias mais sérias, é aposentado, porém ainda trabalha juntando e vendendo recicláveis. Propostas de intervenção (com embasamento teórico): APARECIDA: 1- Fornecer uma garrafa com ilustrações para os horários e quantidades corretas para ingestão de água ao longo do dia – 2- Fornecer uma caixa para organização dos medicamentos da paciente. GABRIEL: não apresenta nenhum tipo de problema de saúde, MAS TRABALHA O DIA TODO NO SOL, então foi fornecido um chapéu com proteção solar e proteção para a área do pescoço
Aplicabilidade da CLINICA AMPLIADA, do olhar e ações praticas na formação do médico e da Equipe de Saúde para considerar a saúde da população mais do que remédio e consultas, mas sim o estilo de vida, hábitos que influenciam na saúde das pessoas, incluindo as questões climáticas. As atividades realizadas proporcionaram o fortalecimento do vínculo, consagrando a integração ensino-serviço-comunidade, aperfeiçoando o raciocínio clínico-epidemiológico, crítico e reflexivo.
PTS Mudanças Climáticas Clinica Ampliada
Fernanda Novelli Sanfelice, Bruno Henrique Ribeiro, Toufic Anbar Neto