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A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) consolidou-se como uma das principais prioridades da saúde pública devido à elevada morbimortalidade, ao potencial de sobrecarga hospitalar e à emergência recorrente de novos agentes respiratórios. No âmbito do Sistema Único de Saúde, o enfrentamento da SRAG exige sistemas de vigilância qualificados e estratégias de planejamento territorializadas, especialmente no nível municipal. Nesse contexto, a presente experiência foi desenvolvida no município de Santa Bárbara d’Oeste, interior do estado de São Paulo, no período de janeiro a dezembro de 2024, envolvendo equipes da Vigilância em Saúde, da gestão municipal, da Atenção Primária e de Urgência e Emergência. A iniciativa teve como foco a análise dos dados digitais de pacientes com 60 anos ou mais internados por SRAG, com a finalidade de qualificar o monitoramento, fortalecer a tomada de decisão e subsidiar ações de prevenção, organização da rede assistencial e alocação de recursos. A experiência beneficiou principalmente a população idosa, grupo mais vulnerável às complicações da doença, contribuindo para o aprimoramento das estratégias locais de cuidado, vigilância e promoção da equidade no acesso aos serviços de saúde.
Inserido nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo analisar o perfil epidemiológico da Síndrome Respiratória Aguda Grave no município de Santa Bárbara d’Oeste, no período de janeiro a dezembro de 2024, a partir de dados do sistema SIVEP-Gripe, buscando compreender como a transformação digital das informações em saúde pode contribuir para a produção de conhecimento e para o fortalecimento das estratégias de gestão e formulação de políticas públicas, com foco na população idosa.
Em consonância com os objetivos propostos, o estudo foi desenvolvido por meio de uma investigação epidemiológica transversal, descritiva e observacional, de caráter quali-quantitativo, baseada na análise de dados secundários dos sistemas oficiais de informação em saúde. O processo incluiu atividades sistemáticas de extração, organização, validação e consolidação dos dados do SIVEP-Gripe referentes aos casos de SRAG notificados em 2024. Incluíram-se registros de residentes no município, considerando variáveis sociodemográficas, clínicas, etiológicas e vacinais, com exclusão de dados inconsistentes ou incompletos. A experiência envolveu reuniões técnicas e momentos de discussão intersetorial voltados à interpretação dos indicadores e à incorporação das informações nos processos de planejamento. As análises foram subsidiadas por representações gráficas elaboradas no software Microsoft Excel, contemplando a evolução temporal dos casos, o perfil etário por sexo, a distribuição etiológica, os óbitos e o status vacinal.
A experiência desenvolvida no município de Santa Bárbara d’Oeste (SP) contribuiu para o fortalecimento da vigilância epidemiológica da Síndrome Respiratória Aguda Grave no âmbito do Sistema Único de Saúde municipal. Os resultados evidenciaram um padrão sazonal marcado, com maior concentração de casos entre o outono e o inverno, além de elevada vulnerabilidade entre indivíduos com mais de 60 anos, que apresentaram maior taxa de mortalidade. Observou-se a predominância do SARS-CoV-2 como principal agente etiológico, seguido por Rinovírus e Influenza A. A análise do status vacinal revelou baixa cobertura da imunização combinada contra COVID-19 e Influenza, especialmente entre os casos fatais. A integração entre a Vigilância em Saúde e os demais setores da Secretaria Municipal de Saúde qualificou a tomada de decisão, orientou ações preventivas e subsidiou o planejamento das estratégias de cuidado voltadas aos idosos. Embora sistemas como o SIVEP-Gripe e o InfoGripe representem avanços relevantes, suas limitações evidenciam a necessidade de estratégias mais integradas e articuladas à realidade local. Dessa forma, a convergência entre vigilância da SRAG, Saúde Digital, abordagem One Health e Planejamento em Saúde mostrou-se fundamental para transformar dados em inteligência sanitária, fortalecer a resiliência institucional e promover respostas mais rápidas, equitativas e sustentáveis frente aos agravos respiratórios graves.
A experiência possibilitou tanto a análise do perfil epidemiológico da SRAG quanto o fortalecimento da aprendizagem institucional por meio da integração entre os setores da Secretaria de Saúde. O uso sistemático dos dados do SIVEP-Gripe e os espaços de discussão técnica qualificaram as análises e a tomada de decisão, ampliando a capacidade de interpretar indicadores, reconhecer padrões sazonais e identificar as prioridades referentes a população idosa. Os resultados evidenciaram o potencial da Saúde Digital na transformação de dados em conhecimento aplicado à gestão, mesmo diante das limitações dos sistemas nacionais. Portanto, destaca-se a necessidade de consolidar essas práticas como rotina institucional, ampliar a integração entre sistemas e fortalecer o uso oportuno das informações. Dessa forma, a experiência reforça a importância do investimento contínuo em vigilância, planejamento e Saúde Digital para a construção de um sistema municipal mais resiliente e equitativo frente ao envelhecimento populacional.
Síndrome Gripal Aguda Grave, Saúde Digital.
THIAGO SALOMÃO DE AZEVEDO, THIAGO SALOMÃO DE AZEVEDO