Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A parceria entre serviços de saúde públicos e as Organizações Sociais de Saúde (OSS) no Brasil, regulamentada para a terceirização da gestão de unidades, impulsionou a produção e disponibilidade de dados, e elevou a produtividade assistencial. Contudo, há lacuna quanto à integração e análises aprofundadas desses dados para gerar informações, atualizadas e oportunas, essenciais para a qualificação da tomada de decisão na gestão da saúde. O Decreto nº 4.376, de 2002, define inteligência como atividade de obtenção, análise de dados e difusão de conhecimentos, que influenciam decisões, dentro e fora do território nacional. Nesse contexto, a Epidemiologia aplicada à inteligência em saúde, consolida-se como ferramenta estratégica de planejamento, permitindo ao gestor superar a atuação reativa para adotar uma postura estratégica. Para otimizar os Contratos de Gestão em Saúde entre a OSS Sociedade Brasileira Caminho de Damasco (SBCD) e a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo e outros municípios do estado de São Paulo, foi estabelecido o núcleo de Ensino e Pesquisa do Setor Educação Institucional, com o objetivo de monitorar a situação de saúde dos serviços, avaliar o impacto das ações e produzir evidências científicas para subsidiar a tomada de decisões internas e externas na gestão.
•Considerando a existência do núcleo de Ensino e Pesquisa, o objetivo desta experiência é descrever o uso da Inteligência Epidemiológica como ferramenta estratégica de Educação e Gestão; Monitorar os indicadores epidemiológicos das unidades e serviços de saúde, sob gestão da SBCD, e produzir Boletins Epidemiológicos periódicos sobre os principais problemas de saúde pública; Promover a integração entre a rede assistencial e a pesquisa científica, capacitando recursos humanos para a disseminação e interpretação das informações em saúde, e fomentar a produção de artigos e trabalhos científicos, visando sua publicação em periódicos com seletiva política editorial e em congressos nacionais e internacionais de alto impacto.
Trata-se de relato de experiência da implantação da Inteligência Epidemiológica como ferramenta estratégica no núcleo de Ensino e Pesquisa da OSS SBCD (Setor de Educação Institucional). A iniciativa destaca a ação colegiada de uma equipe multidisciplinar, composta por bibliotecária, nutricionista e epidemiologista. Para a realização desta Experiência Exitosa, a coleta de dados foi estruturada em duas frentes: dados primários, oriundos do Núcleo Integrado de Gestão da Informação (NIGI) da SBCD; e dados secundários, obtidos dos Sistemas de Informação em Saúde (SIS). As bases de dados secundárias englobaram o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), Sistema de Informações sobre Internações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH-SUS), Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA-SUS), além da análise de prontuários eletrônicos dos pacientes. Cursos e oficinas teórico-práticas em Epidemiologia, Metodologia e Escrita Científica foram desenvolvidos para qualificar gestores do SUS. A iniciativa visa ampliar o uso de dados públicos secundários, aprimorando a tomada de decisão e a gestão na saúde. Os dados foram anonimizados para o cálculo de taxas, proporções e prevalências. A análise estatística empregou modelos de regressão linear de Prais-Winsten, logística ou de Poisson, conforme os objetivos de cada artigo. Todos os procedimentos foram executados no software Stata, versão 19.5.
Principais entregas e resultados da Inteligência Epidemiológica como ferramenta estratégica no núcleo de Ensino e Pesquisa: (I) Eventos Científicos: Apoio técnico e operacional ao Simpósio Saúde SBCD, que registrou aproximadamente 500 inscrições e a submissão de mais de 200 trabalhos; (II) Infraestrutura e Planejamento: Suporte à criação do Laboratório de Ensino, Epidemiologia e Pesquisa (LEEp) e elaboração do Projeto de Pesquisa Multicêntrico abrangendo as unidades geridas pela OSS; (III) Produção Acadêmica: Assessoria científica para a apresentação de três trabalhos em congressos nacionais (18º Congresso Brasileiro de Medicina de Família e Comunidade e 14º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva) e viabilização de publicações internacionais, incluindo um artigo publicado no Journal Epidemiologia (doi: 10.3390/epidemiologia6040089), um artigo aprovado no International Journal of Preventive Medicine e dois artigos submetidos no BMC Public Health e American Journal of Rhinology & Allergy; (IV) Inteligência Epidemiológica: Implementação de rotina de coleta e armazenamento de dados, além de análises estatísticas para produzir boletins epidemiológicos periódicos e subsidiar a tomada de decisão baseada em evidências; (V) Capacitação Profissional: Desenvolvimento de cursos e oficinas, a saber: “Epidemiologia para o planejamento das ações de saúde”, “Escrita Científica para relatos de experiências exitosas” e “Epidemiologia e informações do SUS para gestão em saúde pública”.
O núcleo de Ensino e Pesquisa do Setor Educação Institucional, descrito neste trabalho, proporcionou uma reflexão sobre a importância da manutenção do serviço de inteligência epidemiológica na OSS SBCD. A adoção de uma metodologia padronizada na análise de indicadores permitiu predições mais assertivas e respostas eficientes às necessidades populacionais. Adicionalmente, esta abordagem estratégica contribuiu com informações qualificadas para a gestão da rede assistencial na Supervisão Técnica de Saúde Santana/Jaçanã/Tucuruvi/Tremembé (São Paulo), além dos municípios de Cubatão e Garça. Reitera-se que os serviços de saúde geridos pela OSS SBCD asseguram o acesso a cuidados básicos e preventivos, em conformidade com os princípios do SUS — universalidade, integralidade, equidade, regionalização, resolutividade, longitudinalidade e participação comunitária. Esse acesso pode ser potencializado pelo uso da epidemiologia como ferramenta estratégica no planejamento de políticas públicas voltadas à redução das desigualdades sociais em saúde. Como desafios futuros, destacam-se a automatização dos processos de coleta e análise de dados, além da incorporação de inteligência artificial (IA) na inteligência epidemiológica.
Epidemiologia, Educação, Gestão em Saúde.
EDIGE FELIPE DE SOUSA SANTOS, ZAIDA CAROLINA PINHEIRO ALVES, FILIPE FARIAS, RAUL SPERANDIO, THAIS POLA BAPTISTA COELHO